
Nos últimos dias, boa parte dos usuários do transporte público da Grande Aracaju foram pegos de surpresa com a decisão da prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, com a anuência da SMTT, de retirar do sistema a Viação Roberto Santana – VRS, no dito popular, da noite para o dia, e colocando a empresa Boa Vista para assumir, através de um contrato, as linhas operadas pela VRS.
Não se pode negar os avanços garantidos pela atual gestão no transporte público, com a chegada dos veículos com ar-condicionado e incluindo os ônibus elétricos – apesar da polêmica por terem sido adquiridos pela Prefeitura e repassados às empresas. O maior beneficiado com isso foi o usuário, que ganhou mais qualidade no serviço oferecido.
Porém, o sistema segue sendo operado via contrato, com uma licitação na justiça, o que gera uma certa insegurança. A retirada da VRS, uma das vencedoras da licitação, foi mais uma demonstração disso. A prefeita fez o anúncio e, em menos de 24h, a empresa estava com a SMTT e a Guarda Municipal na sua porta para impedir a saída dos veículos, deixando os cerca de 400 funcionários com a incerteza sobre o futuro.
Além disso, a população viu linhas ficarem desassistidas, ônibus da nova empresa circulando com o ar-condicionado desligado e as janelas fechadas, além da Atalaia ter que assumir emergencialmente algumas linhas no período noturno, pois a Boa Vista não conseguiu contratar em tempo hábil motoristas suficientes, uma vez que a maioria dos que atuavam na VRS, e que teriam preferência, não se sentiram seguros juridicamente para largar uma empresa e se apresentar em outra, como praticamente ‘ordenou’ o presidente do Sintra.
Que a VRS tinha seus problemas operacionais, não há como negar. Porém, um dos grandes questionamentos feitos pela população, e até mesmo por profissionais da empresa, foi a falta de critério, uma vez que a Viação Modelo também vem com problemas operacionais e segue no sistema. Isso sem contar os atrasos constantes nos pagamentos de salários e outros direitos trabalhistas, na contramão da VRS, que vinha honrando esses direitos em dia.
A Prefeitura de Aracaju disse que já vinha notificando a VRS sobre os seus problemas e alertado sobre a possibilidade de mudança se não se adequasse. Ressaltou ainda que a Modelo também foi notificada e pode seguir o mesmo caminho da VRS se seguir com os seus problemas. Entre as versões de um lado e do outro fica a população, que sofre as consequências e segue esperando uma solução para os problemas do transporte público enquanto paga a conta.
Nada decidido
Ao contrário do que alguns discursos políticos tentam fazer parecer, a candidatura de Valmir de Francisquinho ainda não foi deferida nem indeferida. A audiência realizada pelo TRE-SE encerrou a fase de produção de provas, mas o mérito da impugnação ainda será analisado. Valmir continua candidato, porém com uma interrogação jurídica acompanhando cada ato de campanha.
Campanha sub judice
Valmir precisa fazer campanha como candidato e, simultaneamente, acompanhar uma batalha judicial capaz de alterar completamente o cenário. Essa duplicidade consome atenção, energia e espaço na comunicação. Enquanto o republicano tenta discutir Sergipe, os adversários insistem em levá-lo de volta aos tribunais. É um roteiro semelhante ao vivido por ele em 2022.
Dancinha I
A campanha deste ano começou com algo bem peculiar. Para pedir votos, o que mais vemos são políticos fazendo dancinhas nas redes sociais. Parece que alguns candidatos trocaram as ideias e propostas pela coreografia. É obvio que o objetivo é atrair o eleitorado e gerar engajamento, mas será que é isso que a população quer ver?
Dancinha II
Não há problema algum em aproximar a política da linguagem das redes sociais. O problema começa quando a dancinha deixa de ser ferramenta e vira o conteúdo inteiro da campanha. O eleitor pode até sorrir com o vídeo, mas será que ele vai entregar o voto a quem confunde mandato com espetáculo? Afinal, as redes sociais até aceitam qualquer coreografia; as urnas devem ser um pouco mais exigentes.
Comitê
A candidata a deputada federal, Susane Vidal (Republicanos), acertou em cheio na escolha da localização de seu comitê eleitoral. Instalado na avenida Rio de Janeiro, no final da avenida Nova Saneamento, onde era o Hiper Salles, o comitê está em um ponto estratégico, com boa visibilidade e facilidade de acesso. O espaço fortalece a presença da campanha de Susane numa avenida de grande fluxo.
Na frente I
A pesquisa ECM divulga na semana passada colocou Fábio Mitidieri com 37% das intenções de voto, contra 23,8% de Valmir de Francisquinho. A diferença de 13,2 pontos representa uma vantagem significativa para o governador. Ricardo Marques aparece com 7,6%, enquanto os demais candidatos não alcançam 2%. É uma fotografia confortável para Fábio, mas ainda distante da linha de chegada.
Na frente II
Na pesquisa espontânea, quando os nomes não são apresentados ao eleitor, Fábio também lidera: 34,67%, contra 22,73% de Valmir. Esse talvez seja o dado mais relevante do levantamento. Demonstra que o governador possui elevado grau de lembrança e já está consolidado como candidato à reeleição na sua base de eleitorado, além da clara demonstração de conhecimento pelo trabalho feito por Fábio nos últimos anos.
Ricardo distante
Com 7,6%, Ricardo Marques ocupa a terceira posição, mas ainda está longe dos dois principais candidatos. A campanha de Ricardo precisa decidir se pretende construir uma alternativa competitiva ou apenas marcar posição política. O eleitorado de direita já está bastante disputado, e a ausência de unidade pode limitar o crescimento do candidato do PL.
Dados
A pesquisa ECM foi realizada entre os dias 9 e 12 de agosto. Foram entrevistados 1.500 eleitores presencialmente, de forma individual, em municípios de todas as regiões do estado. O intervalo de confiança foi de 95% e a margem de erro de 2,53% para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número SE-02682/2026.
Além da farda I
Ex-comandante-geral da Polícia Militar, Coronel Ribeiro chega à disputa pela Assembleia Legislativa com um ativo importante: a experiência na segurança pública. Filiado ao PSD, ele tenta transformar o reconhecimento conquistado na corporação em força eleitoral. Com Sergipe se destacando como o terceiro estado mais seguro do Nordeste, Ribeiro possui uma bandeira muito importante para esta campanha.
Além da farda II
O Coronel Ribeiro não chega à disputa restrito ao eleitorado da segurança pública. Ele acumulou capital político junto à população ao comandar com firmeza, equilíbrio e eficiência a Polícia Militar, contribuindo para a redução dos índices de criminalidade e para que Sergipe se consolidasse como um estado mais seguro.
Trunfo técnico I
Tiago Rangel tenta chegar à Alese apoiado na experiência acumulada durante cinco anos na Superintendência do Ministério da Saúde em Sergipe. Sua passagem pelo órgão atravessou os governos de Bolsonaro e Lula, o que fortalece a imagem de um sujeito técnico capaz de trabalhar acima das divisões ideológicas. Em uma eleição cheia de discursos genéricos, experiência administrativa pode fazer diferença.
Trunfo técnico II
Candidato pelo Podemos, Tiago Rangel defende o fortalecimento dos hospitais regionais, a ampliação do horário das unidades de saúde e maior apoio aos gestores municipais. É uma plataforma conectada às dificuldades reais do interior. O municipalismo abrange um público grande e pode ser decisivo na campanha de Tiago. Na Superintendência, ele foi ponto importante na relação do Ministério com prefeitos e lideranças.
No interior I
O candidato a deputado federal Cláudio Mitidieri começou a campanha explorando a passagem pela Secretaria de Estado da Saúde. Em Tobias Barreto, recebeu o apoio do prefeito Jal Construções, que destacou as 348 cirurgias realizadas em moradores do município pelo Opera Sergipe, além da entrega de ambulância e equipamentos. É uma estratégia inteligente: transformar ações administrativas em memória eleitoral.
No interior II
Como secretário de Saúde, Cláudio pode usar o trunfo e o sucesso do Opera para alavancar sua campanha, principalmente no Interior do estado. O sobrenome Mitidieri oferece a Cláudio visibilidade imediata, mas também aumenta a cobrança sobre sua candidatura a deputado federal. A associação com o governador ajuda a abrir portas, especialmente entre prefeitos aliados, porém a eleição exige voto pessoal.
Eli e inclusão
Eli Aciole apresenta-se como mãe atípica e defensora das famílias que convivem com a neuro divergência. Sua cobrança por escolas mais preparadas para receber esses alunos toca em uma ferida real: inclusão não é somente matricular, mas garantir equipe capacitada, acompanhamento e permanência. A candidata do PP encontrou uma bandeira legítima e muito forte entre as famílias sergipanas.
Além da infância
Crys Moura também entra na disputa pela Alese defendendo políticas para autistas e suas famílias. Seu diferencial está na cobrança por inclusão além da infância, quando muitos serviços públicos desaparecem. Autistas adultos precisam de qualificação, acesso ao mercado de trabalho, atendimento continuado e autonomia. É uma pauta pouco discutida e que merece espaço no debate eleitoral.
Resultado concreto
A Delegada Katarina chega à campanha pela reeleição com uma conquista recente: a aprovação, em comissão do Senado, do projeto que institui uma política nacional de proteção às pessoas com Síndrome de Tourette. A proposta prevê diagnóstico, tratamento, inclusão escolar e profissional. Katarina já superou a fase em que era vista apenas como uma liderança ligada a Edvaldo Nogueira ou ao agrupamento governista. Construiu atuação própria na Câmara e consolidou pautas nas áreas de segurança e inclusão.
Rádio e TV
O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão começa no próximo dia 28 e seguirá até 1º de outubro. Será o momento de os candidatos menos conhecidos deixarem a bolha das redes sociais.
CRÍTICAS E SUGESTÕES
viana.jornalista@gmail.com /// (79) 99981-1711
ÚLTIMAS NOTÍCIAS


