OPINIÃO

A coluna desta semana mergulha no momento mais revelador das eleições de 2026 em Sergipe. O horário eleitoral já está no ar, as candidaturas ocupam as ruas, as pesquisas passaram a influenciar decisões e os grupos começaram a sentir o peso real da campanha. É agora que alianças celebradas em grandes eventos precisam funcionar nos municípios, que candidatos apoiados por máquinas partidárias devem provar densidade eleitoral e que discursos bem ensaiados enfrentam a realidade das cobranças populares.

Na disputa pelo Governo, Fábio Mitidieri permanece na liderança dos levantamentos mais recentes, enquanto Valmir de Francisquinho aparece em segundo e Ricardo Marques tenta construir espaço fora do eixo principal. A vantagem do governador existe, mas não representa salvo-conduto para acomodação. Da mesma maneira, a força de Valmir não dispensa a apresentação de um projeto estadual, e o crescimento de Ricardo dependerá de uma campanha que seja maior do que os conflitos e prioridades internas do PL.

O Senado apresenta uma eleição de memória, estratégia e sobrevivência. Duas vagas estão em disputa, mas a quantidade de nomes competitivos torna o segundo voto o ativo mais valioso do pleito. André David, André Moura, Eduardo Amorim, Alessandro Vieira, Edvaldo Nogueira, Rodrigo Valadares e Rogério Carvalho disputam um terreno apertado. Ninguém pode se considerar eleito, e quase todos ainda podem crescer.

Também voltamos os olhos para as chapas de deputado estadual e federal. É nelas que se percebe quem organizou uma candidatura de verdade e quem entrou na disputa confiando apenas em sobrenome, mandato, rede social ou promessa de apoio. O interior, como sempre, será decisivo. Prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias começam a mostrar se os compromissos assumidos até a convenção resistem à pressão das urnas.

INFORMANDO

Ricardo I
O maior problema do candidato a governador, Ricardo Marques, talvez não esteja fora do PL, mas dentro dele. Se a candidatura ao Governo não receber unidade, recursos e presença das principais lideranças, ficará com a ingrata tarefa de defender uma legenda que não a trata como prioridade absoluta. A campanha de Ricardo precisa de um fôlego.

Ricardo II
Por falar em fôlego, a escolha de Érico Menezes para substituir Pastora Salete recompôs formalmente a chapa de Ricardo e deu força à chapa. O ex-vereador de Lagarto pode acrescentar presença no centro-sul e ajudar no diálogo com o interior e com a juventude. Érico é um cidadão gente boa, um político jovem e sério e foi uma escolha pessoal de Ricardo.

Hora da verdade
A campanha ainda não está pegando fogo como muitas pessoas esperavam. Falta menos de um mês para o primeiro turno de 4 de outubro e aquele clima de eleição acirrada ainda não foi visto. Mas, a partir de agora, erros podem custar caro, as crises consomem dias preciosos e as alianças precisam funcionar.

Barra dos Coqueiros I
A Barra dos Coqueiros tornou-se território cobiçado pelo crescimento populacional, pela proximidade com Aracaju e pelo peso político da gestão municipal. O prefeito Airton Martins – que já venceu quatro eleições – apoia a reeleição do irmão, Adailton Martins, na Alese; Cláudio Mitidieri como deputado federal; e os senadores Alessandro Vieira e Rogério Carvalho, além da reeleição de Fábio.
Barra dos Coqueiros II
Mas, Airton vem se destacando nessa eleição pelo forte poder de articulação. Ele sabe que será observado não apenas pelos apoios que declarou, mas, principalmente, pela votação que seus candidatos alcançarão. E expectativa é que Adailton seja um dos deputados mais votados e a chapa de Airton saia com uma expressiva votação da Barra.

Ataque religioso
A decisão do TRE-SE que determinou a retirada de vídeo ofensivo contra a primeira-dama Érica Mitidieri estabeleceu um limite necessário. Divergência política é legítima; intolerância religiosa e discurso de ódio não são instrumentos aceitáveis. Campanha que precisa atacar a fé alheia revela falta de argumento e sobra de irresponsabilidade. Esta coluna presta total e irrestrita solidariedade à primeira-dama.

Covardia
Perfis anônimos costumam surgir em eleição para fazer o serviço que grupos não têm coragem de assumir publicamente. A Justiça Eleitoral precisa agir com rapidez, e as campanhas devem rejeitar esse método mesmo quando o ataque beneficia seu lado. Quem tolera a mentira contra o adversário perde autoridade para reclamar quando vira alvo.

Federação barrada
O indeferimento do registro da federação PSOL/Rede pelo TRE-SE, motivado por pendência atribuída à Rede, mostra como falhas partidárias podem ameaçar projetos coletivos inteiros. A federação anunciou recurso. Enquanto a Justiça decide, candidatos ficam obrigados a pedir voto sob uma nuvem de incerteza que não criaram individualmente.

Delegados
A eleição deste ano em Sergipe terá, nada mais, nada menos, do que a participação de sete delegados da Polícia Civil. Dois são candidatos ao Senado: delegado Alessandro Vieira, do MDB, e delegado André Davi, do Republicanos. Para deputado federal, são candidatos: os delegados Augusto César, PL; e Mário Leony, PSOL. Já para a Alese, concorrem: a delegada Danielle Garcia, do MDB; delegado Clever Farias, PSB; e delegado Marcelo Paes, PL.

A conta de Valmir
Valmir passou meses vendendo a impressão de que sua candidatura seria uma avalanche eleitoral. A campanha começou, seu nome está confirmado e a avalanche ainda não apareceu. O ex-prefeito possui força, recall e uma base fiel, mas permanece atrás de Fábio. Talvez tenha chegado a hora de trocar a retórica da perseguição pela apresentação de propostas. Vitimização pode unir militância; dificilmente administra saúde, segurança, educação e infraestrutura.
Polarização preservada

A disputa presidencial continua concentrada entre Lula e Flávio Bolsonaro. A polarização permanece, mas surgiu uma fissura no muro. Augusto Cury descobriu um espaço que políticos profissionais procuravam havia anos: o eleitor cansado da guerra permanente. Seu discurso de pacificação ajudou nisso. A grande lacuna de Cury é ter um plano de governo vago e com propostas confusas.

Capital político I

Coronel Ribeiro chega à campanha com um patrimônio que não se fabrica em estúdio: o reconhecimento conquistado durante sua passagem pelo comando da Polícia Militar. A redução dos índices de criminalidade e a condução firme, segura e sem populismo fortaleceram sua imagem perante a população. Não é apenas um candidato ligado à segurança pública; é um gestor que pode apresentar resultados concretos.

Capital político II
A intensificação das agendas pelo interior mostra que Coronel Ribeiro compreendeu a dimensão da disputa. Sua passagem por municípios de diferentes regiões amplia o diálogo com a população e ajuda a transformar reconhecimento em intenção de voto. A candidatura deixa de ficar restrita ao segmento militar e passa a conversar com famílias, trabalhadores, comerciantes e lideranças que enxergam na segurança uma condição fundamental para o desenvolvimento.

CRÍTICAS E SUGESTÕES

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