A eleição de 2026 em Sergipe chegou ao ponto em que estrutura, discurso e presença territorial precisam produzir resultado. Passada a largada, já não basta reunir aliados, publicar fotografias de atos cheios ou celebrar pesquisas convenientes. A campanha entrou na fase em que o eleitor começa a separar candidatura de projeto, barulho de força política e torcida de voto.

Fábio Mitidieri ocupa a liderança nos levantamentos mais recentes e carrega as vantagens naturais de quem governa, possui uma coligação ampla e conta com uma extensa rede de prefeitos e lideranças. Isso o coloca na dianteira, mas também aumenta sua responsabilidade. O governador precisa mostrar que a aliança não existe apenas para ocupar palanques e repartir espaços. É necessário convencer o eleitor de que há uma proposta objetiva para os próximos quatro anos e responder, sem evasivas, pelos problemas que permanecem.

Valmir de Francisquinho confirma que não pode ser tratado como adversário secundário. Sua força eleitoral, construída especialmente no interior, mantém a disputa competitiva. O desafio agora é ampliar o discurso para além da oposição ao Governo e apresentar uma visão estadual consistente. Uma candidatura ao Executivo não vive apenas da insatisfação existente; precisa demonstrar capacidade para administrar um estado diverso e complexo.

Ricardo Marques, por sua vez, disputa espaço numa eleição polarizada e dentro de um partido que parece concentrar energia em outros objetivos. Seu crescimento depende de provar que sua candidatura possui autonomia, recursos, unidade e projeto próprio. Não será suficiente funcionar como suporte local de uma campanha presidencial ou como cenário para disputas internas do PL.
A corrida pelo Senado é ainda mais imprevisível. Com duas vagas, nomes conhecidos e um pelotão numeroso disputando a segunda preferência do eleitor, alianças majoritárias não garantem transferência automática. Cada candidato terá de construir a própria lembrança, explicar sua utilidade e conquistar um segundo voto que, para muitos sergipanos, ainda não está definido.

Nas chapas proporcionais, começa a prova mais dura. A eleição para deputado não se vence apenas com seguidores, dancinhas, slogans ou proximidade ocasional com candidatos majoritários. Vence quem tem base, organização, mensagem, recursos bem aplicados e presença verdadeira nos municípios. A campanha está nas ruas. Daqui em diante, desculpa não soma voto, fotografia não substitui estratégia e pesquisa não fecha urna.

Por Fábio Viana da equipe CinformOnline.

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