Com a campanha nas ruas, reaparece uma velha mania da política: a tentativa de transformar apoio de liderança em escritura de propriedade sobre o voto alheio. Prefeitos anunciam que “darão” tantos votos, vereadores apresentam comunidades como currais eleitorais e candidatos exibem fotografias com aliados como se cada aperto de mão trouxesse uma urna debaixo do braço. Não é assim. Liderança pode orientar, influenciar, mobilizar e abrir portas. Mas o voto continuará pertencendo exclusivamente ao eleitor.

O Pacto Sergipano pela Democracia, Liberdade do Voto e Prevenção ao Assédio Eleitoral, firmado por instituições como TRE-SE, MPT-SE, Ministério Público, Polícia Federal e Justiça do Trabalho, chega em boa hora. O documento trata de situações graves: pressão, ameaça, intimidação, promessa de vantagem, retaliação e uso de estruturas institucionais para interferir na escolha política de trabalhadores e cidadãos.

Não se trata de mera formalidade. Em períodos eleitorais, a pressão pode aparecer disfarçada de conselho, cobrança de gratidão, ameaça ao emprego ou suposta obrigação com determinado grupo político. No serviço público, também pode surgir na tentativa de misturar função institucional, cargo comissionado e atividade de campanha. É preciso estabelecer limites claros.

Apoio político legítimo é aquele declarado de forma pública, voluntária e transparente. O que ultrapassa essa fronteira deixa de ser articulação e passa a ser constrangimento. Ninguém deve votar com medo de perder emprego, contrato, benefício ou oportunidade.

As máquinas partidárias importam. Prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias ajudam a organizar campanhas e aproximar candidatos da população. Mas eleição não é operação de transporte de votos. O eleitor não é carga, rebanho nem patrimônio político. Pode ouvir uma liderança pela manhã e votar em outro candidato à tarde. Essa liberdade não enfraquece a política. É justamente o que preserva a democracia.

Sáude

A intervenção cirúrgica que Valmir de Francisquinho precisou se submeter, interrompeu temporariamente sua agenda. A todo momento foi informado que o candidato estava clinicamente estável e apresentava evolução satisfatória. Antes de qualquer cálculo eleitoral sobre a pausa na campanha, o que deve prevalecer é o respeito. Campanha pode esperar. Saúde, não. Que Valmir se recupere plenamente e retorne ao debate no momento adequado.

Começou I

Na última sexta-feira, 28, começou a exibição do horário eleitoral gratuito na TV e rádio. Isso irá permitir que uma parcela do eleitorado conheça candidatos que, até agora, circulam principalmente nas redes sociais e nos ambientes partidários. É também o momento em que a campanha deixa de falar apenas com militantes e começa a buscar quem ainda não escolheu em quem votar.

Começou II

Fábio Mitidieri terá 4 minutos e 43 segundos em cada bloco destinado ao Governo. O tempo permite prestar contas, mostrar obras, apresentar propostas, responder críticas e construir uma narrativa completa. Trata-se de uma vantagem política expressiva. Valmir terá pouco mais de um minuto. O desafio de sua equipe será transformar escassez em objetividade.

Começou III

Com 2 minutos e 17 segundos, Ricardo Marques recebeu uma oportunidade que poucos candidatos posicionados em terceiro lugar costumam ter. O tempo é suficiente para ampliar seu conhecimento, apresentar propostas e tentar escapar da condição de coadjuvante da polarização. Se continuar falando apenas para o eleitorado já identificado com o PL, poderá desperdiçar a melhor janela de sua campanha.

Chega de coreografia

A primeira etapa da campanha confirmou o domínio das dancinhas, músicas repetidas e vídeos preparados para tentar alcançar engajamento. Criatividade é bem-vinda, mas política não pode ser reduzida a coreografia. Depois de assistir ao candidato dançar, o eleitor continua sem saber o que ele pensa sobre saúde, educação, emprego e segurança. Curtida anima a equipe. Proposta é o que justifica o voto.

Histograma

A Operação Histograma colocou contratos de limpeza urbana de Aracaju sob investigação. A Polícia Civil cumpriu 12 mandados de busca e apreensão e apura possíveis fraudes, direcionamento e pagamento de vantagens indevidas. A Prefeitura de Aracaju informou que colabora com as investigações, forneceu documentos e acompanhará o caso por meio da Procuradoria e da Controladoria.

Cenário conhecido

A candidata a deputada federal Susane Vidal utilizou o cenário do SE 1, da TV Sergipe, para aparecer em seu programa eleitoral. O objetivo foi remeter ao ambiente de um telejornal. Depois de quase três décadas entrando diariamente na casa dos sergipanos pela televisão, a candidata aproveita uma imagem já consolidada para criar familiaridade e confiança.

Fogo amigo

A disputa pelas duas vagas do Senado está produzindo uma situação curiosa: candidatos que aparecem juntos na fotografia oficial, mas trabalham separados — e, em alguns casos, uns contra os outros. Dentro das próprias chapas, falta espaço para tanta vaidade, interesse eleitoral e desejo de protagonismo. Publicamente, todos falam em unidade; nos bastidores, cada um protege o próprio território e olha o companheiro como adversário. A briga está tão acirrada que o “fogo amigo” já chegou a virar vias de fato entre apoiadores de algumas chapas.

Edvaldo

O ex-prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, tenta transformar sua passagem pela Prefeitura de Aracaju em argumento para o Senado. Foram 14 anos de gestões, então, ele possui realizações para apresentar para a população. Candidato a uma vaga no Senado, Edvaldo precisa ocupar TV, rádio e redes sociais com todo seu trabalho nos últimos ano, afinal de contas, isso sempre deu força política ao nome de Edvaldo.

Força I

O prefeito Luciano de Menininha chega à campanha eleitoral credenciado pelo trabalho realizado em Propriá. Com uma gestão enxuta, firme e organizada, vem arrumando a casa, recuperando serviços e entregando resultados em áreas importantes, como saúde, educação, infraestrutura e turismo. Esse desempenho fortalece sua liderança política e lhe dá autoridade para apresentar nomes, construir alianças e pedir o apoio da população aos candidatos que defenderá nesta eleição.

Força II

Luciano não entra na campanha apenas como cabo eleitoral, mas como prefeito que tem trabalho para mostrar e resultados para sustentar suas escolhas. Apoiando Fábio Mitidieri, Alessandro Vieira, André Moura, Levi Oliveira e Marcel de Maim, Luciano também está em campo pedindo votos em Propriá e outros cidades.

Barra no tabuleiro

A Barra dos Coqueiros terá peso relevante na disputa proporcional. O município cresceu, recebeu investimentos e formou novas lideranças políticas. Nesse cenário, o atual presidente da Câmara, Wilson Bernardes, ocupa posição estratégica pela capacidade de diálogo com os vereadores e pela proximidade com as demandas locais. Campanhas estaduais certamente olharão para a Barra com maior atenção.

Capilaridade

Adailton Martins chega à campanha respaldado por serviços prestados e por uma atuação marcada pelo trabalho em favor do desenvolvimento de Sergipe. Sua presença em diferentes municípios não começou com o período eleitoral: é resultado de relações políticas construídas ao longo dos anos, do diálogo permanente com lideranças e da atenção às demandas do interior. Em uma disputa proporcional, essa capilaridade representa uma vantagem importante para quem conhece o estado, mantém as portas abertas e tem trabalho para apresentar à população.

Saúde

Tiago Rangel disputa uma cadeira na Assembleia Legislativa pelo Podemos e colocou a saúde no centro da apresentação de sua candidatura. A escolha está relacionada à passagem do candidato pela Superintendência Estadual do Ministério da Saúde, experiência que vem sendo mencionada em seus materiais de campanha. A trajetória de Tiago Rangel inclui cerca de cinco anos de atuação no Ministério da Saúde. Durante esse período, participou da interlocução do órgão federal com o Estado e os municípios. Esse histórico administrativo está sendo utilizado pela candidatura para apresentar propostas relacionadas ao SUS e ao acesso da população aos serviços de saúde.

Empresário caloteiro I

O presidente da Federação Sergipana de Futebol, Milton Dantas, não economizou palavras ao comentar o rebaixamento do Confiança para a Série D do Campeonato Brasileiro. A crítica pública à SAF mostra que a crise ultrapassou os limites do clube e ganhou dimensão institucional. Quando o dirigente máximo do futebol sergipano pergunta “o que será do Confiança?”, é porque a falta de respostas já se tornou parte do problema.

Empresário caloteiro II

Durante entrevista, Miltinho fez falas fortes contra a SAF. “Eles acham que Sergipe é terra de tolos. Eles vão ver mais pra frente”. E ele foi ainda mais longe: “Vocês conhecem os donos da SAF? Eu sei que teve um empresário sergipano que assinou pra comprar o Confiança e deu calote de 9 milhões de reais. Quando a documentação estiver em minhas mãos, eu vou dizer quem é o empresário caloteiro”, denunciou Miltinho. Quem será esse empresário?

CRÍTICAS E SUGESTÕES

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