
A campanha eleitoral entrou definitivamente na casa dos sergipanos. Com o início da propaganda no rádio e na televisão, os candidatos ganharam uma nova oportunidade para apresentar suas trajetórias, explicar suas propostas e dizer, com clareza, por que desejam governar Sergipe ou representar o estado no Senado, na Câmara Federal e na Assembleia Legislativa.
Chegou a hora de convencer. E convencer é muito diferente de apenas aparecer.
A comunicação bem-feita, a música envolvente, o cenário bonito e a imagem cuidadosamente produzida fazem parte de qualquer campanha profissional. O problema começa quando o marketing tenta ocupar o lugar do conteúdo. O eleitor merece mais do que frases ensaiadas, dancinhas, ataques pessoais e promessas que desaparecem logo depois da votação.
Sergipe possui problemas concretos que exigem respostas igualmente concretas. A população quer saber como os candidatos pretendem reduzir as filas da saúde, melhorar a educação, recuperar as rodovias, garantir abastecimento de água, ampliar a segurança, gerar empregos e promover o desenvolvimento do interior. Não basta dizer que vai fazer. É necessário explicar de onde sairão os recursos, quais serão as prioridades e como cada compromisso poderá ser cumprido.
O interior, aliás, não pode servir apenas como cenário para fotografias, carreatas e discursos emocionados. Quem pede votos nos municípios precisa conhecer suas dificuldades e apresentar soluções para demandas que acompanham a população há muitos anos. Depois da campanha, as estradas continuarão precisando de manutenção, os hospitais continuarão recebendo pacientes e as famílias continuarão cobrando oportunidades.
A eleição proporcional também não pode ser tratada como um apêndice da disputa pelo Governo. Deputados estaduais e federais terão responsabilidades decisivas na criação das leis, na fiscalização dos governos, na aprovação dos orçamentos e na destinação de recursos. Da mesma forma, o eleitor terá dois votos para o Senado e precisa analisar cada escolha com atenção.
Outro compromisso indispensável é com a verdade. Repudiar as fake news apenas durante entrevistas ou discursos não basta. Partidos, candidatos e apoiadores precisam rejeitar a mentira mesmo quando ela parece beneficiar o próprio grupo. A baixaria pode produzir curtidas e compartilhamentos, mas empobrece o debate e desrespeita o eleitorado.
Quem está no governo deve apresentar resultados e prestar contas. Quem pretende assumir o comando precisa mostrar alternativas viáveis. Quem busca um mandato parlamentar deve explicar quais causas defenderá e como exercerá sua função. A campanha precisa servir para esclarecer essas diferenças, não para escondê-las.
A democracia será fortalecida se os candidatos estiverem à altura do debate e se o eleitor acompanhar, questionar e comparar. Nos próximos dias, Sergipe será inundado por jingles, números, cores e promessas. No meio de tanto barulho, será preciso identificar quem tem preparo, propostas e compromisso verdadeiro com o estado.
A campanha começou. Agora é hora de convencer — com respeito, conteúdo e verdade.
Por Habacuque Villacorte da equipe CinformOnline.
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