O Hama recebe doações de leite humano e reforça a importância da solidariedade para garantir alimentação e cuidado aos bebês

“Doar leite humano é doar vida.” A frase da enfermeira obstetra do Posto de Coleta de Leite Humano do Hospital da Mulher e Maternidade de Aracaju Lourdes Nogueira (HAMA), Leide Jane Leonidio, resume a importância de um gesto que pode contribuir diretamente para a recuperação e o desenvolvimento de bebês, especialmente daqueles internados em unidades neonatais.

Em Aracaju, a doação pode ser realizada no posto de coleta da unidade, mantida pela Prefeitura de Aracaju, que recebe leite de mulheres que estejam produzindo além da quantidade necessária para alimentar o próprio bebê.

O Posto de Coleta de Leite Humano do HAMA integra a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR), coordenada pelo Ministério da Saúde e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A rede reúne mais de 225 bancos de leite e 212 postos de coleta em todo o país. Atualmente, o HAMA conta com quatro doadoras ativas, número considerado abaixo do ideal pela unidade.

O leite humano é fonte de vitaminas, minerais, proteínas, gorduras e carboidratos essenciais para o crescimento e o desenvolvimento dos bebês. O aleitamento materno exclusivo é recomendado até os seis meses de vida e, posteriormente, deve ser mantido, de forma complementar, até os dois anos ou mais. Além dos nutrientes, o leite materno contém anticorpos e outros componentes que contribuem para a proteção do bebê contra infecções e doenças.

A nutricionista clínica do HAMA, Jesska Machado, destaca que o aleitamento materno também está relacionado à promoção da saúde e à prevenção de doenças. “Com o aleitamento, a gente trabalha a promoção da saúde e a prevenção de doenças, como obesidade, diarreias e outras complicações”, explicou.

A doação ganha importância ainda maior para bebês prematuros ou que precisam permanecer internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) neonatais. Segundo Leide Jane, algumas mães de recém-nascidos prematuros podem apresentar dificuldades para produzir leite em quantidade suficiente, especialmente nos primeiros dias após o parto.

“Cada doação feita traz mais imunidade para um recém-nascido, mais anticorpos e, consequentemente, mais vida, com nutrição e benefícios que podem acompanhá-lo por toda a vida. Além disso, contribui para minimizar, principalmente, o tempo de internação desse bebê na UTI. Sabemos que cada gotinha de leite traz mais qualidade de vida para ele”, reforçou.

Para a nutricionista Jesska Machado, a doação representa mais do que um ato de solidariedade. O leite doado contribui para o desenvolvimento e o fortalecimento do organismo dos bebês que recebem o alimento.

“A doação é um ato de muita nutrição, porque ajuda no desenvolvimento e na maturidade do bebê. A gente vai nutrindo, alimentando esse bebê, auxiliando no crescimento e no fortalecimento imunológico dele”, afirmou.

Mulheres que estejam amamentando e produzindo leite em quantidade superior à necessária para alimentar o próprio filho podem procurar o Posto de Coleta de Leite Humano do HMA para receber orientações sobre a doação. O leite coletado passa por procedimentos de controle de qualidade e é destinado, prioritariamente, aos recém-nascidos internados que necessitam do alimento.

A doação é segura e pode fazer diferença na recuperação de bebês que, muitas vezes, dependem do leite humano para fortalecer a imunidade e favorecer o desenvolvimento durante o período de internação.

O caminho do leite

O alimento é transportado até o banco de leite estadual em uma caixa térmicaCréditos: (Foto: Ronald Almeida/ Secom/PMA)

As mulheres interessadas em doar leite humano passam por uma avaliação médica, que inclui anamnese e análise dos exames realizados durante o pré-natal ou de outros exames feitos no período de internação para o parto. No HAMA, esse acompanhamento começa ainda durante as visitas da equipe do Posto de Coleta de Leite Humano, que também aproveita o contato com as gestantes para apresentar a importância da doação e esclarecer dúvidas sobre o processo.

Após a avaliação e a liberação médica, a equipe fornece à lactante os frascos esterilizados e os equipamentos de proteção individual (EPIs) necessários para a coleta. As doadoras também recebem orientações sobre as técnicas de estímulo à produção de leite, ordenha e armazenamento adequado do alimento.

“Nós levamos à casa dessa paciente os EPIs e os frascos, que são estéreis, além de orientá-la sobre como realizar a ordenha. Essa paciente é acompanhada por nossa equipe, porque todo o processo precisa ser muito cuidadoso e seguir os critérios de higiene necessários para que não haja perda desse leite que está sendo doado”, explicou Leide Jane.

O acompanhamento permanece durante todo o período de doação. A lactante pode entrar em contato com a equipe sempre que tiver alguma dificuldade ou precisar interromper temporariamente as doações. A proposta é adaptar o processo à rotina de cada mulher, sem que a doação represente uma sobrecarga.

“Se essa paciente tiver alguma mudança, ela entra em contato conosco e nos informa. Às vezes, ela vai fazer uma viagem e não poderá doar naquela semana. Então, nós também vamos adequando a rotina da doadora”, explicou a enfermeira.

Após a coleta, o leite cru é transportado em uma caixa térmica até o Banco de Leite Humano Marly Sarney, administrado pelo Governo do Estado. O recipiente garante a conservação do alimento durante o deslocamento e mantém as condições adequadas de temperatura.

No banco estadual, o leite passa pelo processo de pasteurização, que consiste no aquecimento a 62,5 °C durante 30 minutos, seguido de resfriamento para temperatura inferior a 5 °C. O procedimento é realizado para eliminar microrganismos que possam oferecer riscos à saúde dos bebês e preservar, dentro dos parâmetros técnicos estabelecidos, as propriedades nutricionais e imunológicas do leite humano.

Como o HAMA ainda não dispõe de estrutura para realizar a pasteurização, a unidade mantém parceria com o banco estadual. Após o processamento, o leite retorna ao HAMA, onde é distribuído aos recém-nascidos internados que necessitam do alimento, conforme avaliação da equipe de saúde.

Segundo Leide Jane, o impacto da doação também ultrapassa o período de internação. Muitas mães de bebês que recebem leite doado, especialmente aquelas cujos filhos estão internados em UTI neonatal, passam a compreender ainda mais a importância desse alimento e, posteriormente, manifestam o desejo de também se tornarem doadoras em uma futura gestação.

“Essas mães sabem da importância do leite humano para o bebê, principalmente para aquele que está internado. Elas percebem que esse alimento também contribui para uma melhor recuperação e para que ele possa estar em casa mais cedo”, destacou.

O acolhimento às doadoras também faz parte da rotina da equipe. Para Leide Jane, reconhecer o esforço dessas mulheres é uma forma de valorizar um gesto que, embora possa parecer simples, tem grande impacto na vida dos bebês.

“A gente conversa com elas sobre como são especiais e sobre como o ato delas é extremamente importante. Muitas têm uma vida corrida, com filhos e trabalho. Então, buscamos enaltecê-las e valorizar esse ato de solidariedade”, afirmou a enfermeira.

Fonte, Agência Aracaju de Notícias.

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