Pesquisadores que analisam os danos da contaminação do Rio Doce, decorrente do rompimento da Barragem de Fundão em novembro de 2015, reuniram-se na última terça-feira (19), em Belo Horizonte, com atingidos do desastre e representantes de movimentos sociais, para a integração das diversas pesquisas realizadas sobre a saúde da população afetada pelo desastre. 

Realizado pela Secretaria de Saúde de Minas Gerais, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) e a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), o evento contou com profissionais de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo. 

As pesquisas se destinam a organizar a gestão dos serviços de saúde prestados na região, de modo que os profissionais saibam exatamente como realizar o atendimento adequado aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). 

A oficina de trabalho foi um dos encaminhamentos da reunião realizada em novembro do ano passado pelo Ministério Público Federal, a partir de inquérito civil instaurado para apurar os danos à saúde decorrentes do desastre no Rio Doce. 

Essa reunião teve a participação de representantes do Ministério Público de Minas Gerais, Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais, Casa Civil do Governo de Minas Gerais, Secretaria de Estado da Saúde, Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade Federal de Ouro Preto, Fundação Renova, Fundação Getúlio Vargas, Ramboll, Instituto Lactec, Instituto de Saúde e Sustentabilidade, Comissão de Atingidos de Barra Longa, Movimento dos Atingidos por Barragens, Aedas Barra Longa e Laboratório Ambios. 

Na ocasião, os participantes compartilharam e debateram aspectos relacionados à saúde das pessoas impactadas pelo rompimento de Fundão. Após mais de três anos da tragédia, são diversos os relatos de adoecimentos na população, como doenças respiratórias e de pele, além de ocorrências psicossomáticas, com aumento no número de casos de depressão, ansiedade, alcoolismo e dependência de drogas. 

Para o procurador da República Edmundo Antonio Dias, “as medidas na área de saúde devem ser rigorosamente informadas pelo princípio da precaução, o que impõe a implementação de pesquisas e estudos que resultem em cuidado amplo e no tratamento às pessoas atingidas que possam vir a manifestar sintomas”. 

Fonte – Ministério Público Federal

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