Diversos estudos no mundo desenvolvidos sobre  a Covid-19  apontam que pessoas com comorbidades podem ser mais vulneráveis à letalidade do vírus. Nesse contexto de pandemia, uma das condições que vem preocupando em Sergipe é a obesidade. Dados do boletim epidemiológico da Covid-19, elaborado  pela Secretaria de Estado da Saúde (SES) apontam que em 2020 (março a dezembro), 193 pessoas com obesidade morreram vítimas da Covid-19. Ainda segundo o informe, apenas nos quatro meses de 2021 (janeiro até 25 de abril), foram contabilizados 166 óbitos, totalizando 359 pessoas mortas vítimas da Covid-19 com obesidade como comorbidade no estado.

O médico infectologista e diretor de Vigilância em Saúde da SES, Marco Aurélio Góes, explica que o aumento pode ter relação com as características da segunda onda da doença, bem como as  novas variantes que circulam no estado. “A obesidade, principalmente, a obesidade mórbida,  sempre foi um fator de risco para doença respiratória em geral. Na pandemia  da influenza (H1N1) foi  um fator relacionado à morte e, durante a pandemia da Covid-19 estamos observando isso também. Na primeira onda, que vivenciamos em 2020,  já aconteciam óbitos em pessoas obesas, mas nessa segunda  onda, com a maior disseminação do vírus e as novas variantes, de fato  está havendo um aumento”, contextualiza.

A obesidade é uma doença crônica caracterizada por um acúmulo de gordura corporal, o que por sua vez aumenta o risco para outras doenças crônicas como, por exemplo, diabetes, hipertensão e outras patologias cardiovasculares. A população de obesos é mais jovem, com faixa-etária entre 18 e 59 anos.

Cuidados

Desde o início da pandemia, a SES vem destacando a importância dos cuidados redobrados para todos, especialmente, para as pessoas que fazem parte dos grupos de risco, como idosos e portadores de comorbidades. O infectologista reforça que o uso de máscara, higienização das mãos e distanciamento são necessários para a proteção.

“Se  infectado, a pessoa com obesidade  pode ter um risco aumentado de óbito, ou seja, de acordo com estudos pode ter uma maior letalidade. Então é necessário trabalhar como estamos fazendo com os idosos, se todo mundo  precisa do distanciamento e  a higienização das mãos, as pessoas com 60 anos ou mais e as pessoas que têm comorbidades necessitam ainda mais. Tanto é que muitas pessoas, a depender do grau de comorbidade, estão afastadas  do contato com o público,  para evitar justamente a infecção”, destaca Marco Aurélio.

Hospitalização

O médico ainda relata que quando precisam de hospitalização, as pessoas com excesso de peso apresentam dificuldades no tratamento da Covid-19 e os desafios se acentuam numa internação. “Existem, hoje, muitos estudos demonstrando que a obesidade sozinha produz para quadros mais graves da Covid-19. Além disso, traz durante a internação maiores complicações, como maior dificuldade para a ventilação mecânica, para a mobilização no leito. Além do fato, da obesidade muitas vezes estar associada a outras doenças, como a hipertensão e o diabetes”, finaliza.

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