A engenharia desempenha um papel essencial no desenvolvimento das cidades e na qualidade das edificações, refletindo diretamente na segurança, na valorização dos empreendimentos e na sustentabilidade dos condomínios.

Entrevistamos, Luiz Diego Viera Lopes, engenheiro civil com 17 anos de experiência em projetos de infraestrutura urbana e residencial. Especialista em gestão de projetos, segurança do trabalho e construções sustentáveis, ele construiu uma sólida trajetória atuando em obras públicas e privadas, fiscalização, gerenciamento de empreendimentos e liderança de equipes, sua experiência também se destaca pela relevante atuação institucional no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Sergipe (CREA-SE).

Em 2027, Luiz Diego assume um novo e importante desafio: a presidência do CREA-SE.

Nesta entrevista, o novo presidente compartilha suas perspectivas para o mandato, fala sobre os desafios da engenharia contemporânea, a importância da qualificação profissional, da sustentabilidade e da inovação, além de abordar temas que impactam diretamente a gestão condominial, como manutenção predial, segurança das edificações, inspeções técnicas e o futuro da construção civil em Sergipe.0

O senhor assume, em janeiro de 2027, a presidência do CREA-SE para o triênio 2027–2029. Quais serão as principais prioridades da sua gestão e de que forma elas poderão contribuir para o fortalecimento da engenharia e para a segurança das edificações, especialmente dos condomínios sergipanos?

Assumo a presidência do CREA-SE com a convicção de que precisamos construir um Conselho cada vez mais moderno, eficiente, acessível e próximo dos profissionais e da sociedade.

Nossa gestão terá como prioridades a valorização profissional, o fortalecimento da fiscalização, a modernização dos processos administrativos e a ampliação do diálogo com os diversos setores da sociedade sergipana.

Entendo que um Conselho forte não é aquele que apenas fiscaliza, mas aquele que também orienta, previne, educa e contribui efetivamente para o desenvolvimento do nosso estado.

No setor condominial, essa atuação ganha uma importância ainda maior. Estamos falando de edificações que abrigam milhares de famílias e representam parte significativa do patrimônio dessas pessoas. Por isso, pretendemos estimular uma cultura de prevenção, manutenção e responsabilidade técnica.

Queremos que a sociedade compreenda que contratar um profissional legalmente habilitado não é simplesmente cumprir uma exigência burocrática. É investir em segurança, qualidade, economia e preservação patrimonial.

 Os condomínios estão envelhecendo e muitos apresentam problemas estruturais e de manutenção. Como o CREA-SE pretende atuar para fortalecer a cultura da manutenção preventiva e da contratação de profissionais habilitados?

Precisamos mudar uma cultura ainda muito presente em nossa sociedade: a de procurar soluções somente quando os problemas já estão instalados.

Uma edificação, assim como qualquer outro patrimônio, precisa de acompanhamento técnico e manutenção periódica. A ausência desses cuidados pode transformar pequenos problemas em situações graves, com riscos à segurança dos moradores e custos elevados de recuperação.

Nossa proposta é ampliar as ações de orientação e conscientização, aproximando o CREA-SE dos síndicos, administradoras e entidades representativas do setor condominial

Pretendemos incentivar a realização de inspeções prediais, a elaboração de planos de manutenção e, principalmente, a contratação de profissionais habilitados para avaliar e acompanhar as condições das edificações.

É importante destacar que a fiscalização do CREA-SE se concentra no exercício legal das profissões abrangidas pelo Sistema Confea/Crea e na responsabilidade técnica dos serviços. Nosso papel não é substituir os órgãos responsáveis pelo controle das edificações, mas atuar de forma integrada para promover a segurança da sociedade.

A manutenção preventiva não deve ser vista como despesa, mas como investimento. Prevenir é sempre mais seguro e, na maioria das vezes, muito mais econômico do que corrigir.

A instalação de carregadores para veículos elétricos, sistemas de energia solar e outras novas tecnologias tem se tornado realidade nos condomínios. Qual será o papel do CREA-SE na orientação técnica e na promoção da segurança dessas adaptações?

A evolução tecnológica é uma realidade que precisa ser acompanhada pela engenharia e pelas instituições responsáveis pela segurança da sociedade.

A instalação de carregadores para veículos elétricos e de sistemas de geração de energia solar, por exemplo, exige avaliações técnicas que considerem a capacidade das instalações elétricas, as condições estruturais, os dispositivos de proteção e as normas de segurança aplicáveis.

Não podemos permitir que a busca pela modernização aconteça sem o devido planejamento técnico.

O CREA-SE pretende contribuir por meio de ações educativas, orientações e parcerias com entidades especializadas, reforçando a importância da elaboração de projetos e da execução desses serviços por profissionais legalmente habilitados, com a respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica, quando cabível.

Nossa visão é muito clara: a inovação precisa caminhar junto com a segurança. Queremos condomínios cada vez mais modernos e sustentáveis, mas também tecnicamente preparados para receber essas transformações.

Muitos síndicos ainda têm dúvidas sobre quando é obrigatória a participação de um engenheiro ou arquiteto em reformas e obras condominiais. O CREA-SE pretende ampliar as ações de conscientização sobre responsabilidade técnica e emissão de ART?

Sem dúvida. A informação é uma das ferramentas mais importantes para prevenir irregularidades e proteger a sociedade.

É fundamental que síndicos e moradores compreendam que determinadas intervenções, mesmo quando realizadas dentro de unidades privativas, podem comprometer a segurança de toda a edificação.

Alterações estruturais, intervenções em instalações elétricas, hidráulicas e outros sistemas prediais exigem avaliação adequada e, conforme a natureza do serviço, acompanhamento por profissionais habilitados.

No âmbito das profissões fiscalizadas pelo Sistema Confea/Crea, a Anotação de Responsabilidade Técnica, a ART, é o instrumento que identifica formalmente a responsabilidade técnica pelo serviço contratado.

É importante esclarecer também que arquitetos e urbanistas possuem conselho profissional próprio, o CAU, e utilizam o Registro de Responsabilidade Técnica, o RRT, conforme suas atribuições legais.

Queremos intensificar o trabalho de orientação para que os gestores condominiais saibam identificar quando precisam de assistência técnica, como verificar a regularidade de um profissional e quais cuidados devem adotar antes de autorizar uma obra.

O objetivo não é criar dificuldades para os condomínios, mas oferecer segurança jurídica, técnica e, principalmente, proteção à vida.

A segurança das edificações é um tema que preocupa moradores e gestores. Na sua avaliação, quais são os principais riscos encontrados hoje nos condomínios sergipanos e quais medidas deveriam ser prioridade para evitá-los?

Entre os riscos que merecem atenção estão as manifestações patológicas nas estruturas, infiltrações, corrosão de armaduras, falhas nas instalações elétricas, problemas em fachadas e intervenções realizadas sem o devido acompanhamento técnico.

Em Sergipe, especialmente nas regiões próximas ao litoral, também precisamos considerar os efeitos da maresia e da agressividade ambiental sobre determinados materiais e componentes das edificações.

Entretanto, é importante reconhecer que cada condomínio possui características próprias, e somente uma avaliação técnica adequada pode identificar suas condições reais de segurança.

Defendo três medidas fundamentais: inspeções periódicas, planejamento da manutenção e contratação de profissionais habilitados.

Além disso, precisamos estimular uma mudança de mentalidade. Muitas vezes, uma fissura, uma infiltração ou um problema elétrico é tratado como algo meramente estético, quando pode representar um sinal de alerta.

A engenharia existe justamente para identificar riscos, apresentar soluções e evitar que problemas se transformem em acidentes.

Segurança predial não pode ser tratada como uma preocupação eventual. Precisa fazer parte da rotina de gestão de qualquer condomínio.

A gestão condominial depende cada vez mais da integração entre engenheiros, administradoras, síndicos e órgãos públicos. O CREA-SE pretende desenvolver parcerias com entidades do setor condominial para promover capacitação e disseminar boas práticas?

Certamente. Acredito muito na força do diálogo institucional e na construção de parcerias.

O CREA-SE não pode atuar de maneira isolada. Precisamos estabelecer uma relação permanente com as entidades de classe, instituições de ensino, órgãos públicos, administradoras de condomínios e organizações representativas dos síndicos e moradores.

Nossa intenção é construir uma agenda de aproximação com esses setores, promovendo encontros técnicos, palestras, campanhas educativas e outras iniciativas que contribuam para a qualificação da gestão condominial.

Temas como manutenção preventiva, inspeção predial, responsabilidade técnica, segurança das instalações e novas tecnologias podem fazer parte dessa agenda.

Também queremos ouvir as demandas do setor. Muitas vezes, a solução de um problema começa com a disposição das instituições para conversar e compreender as dificuldades enfrentadas por quem está na ponta.

Entendo que o CREA-SE deve ser reconhecido não apenas como órgão de fiscalização, mas também como uma instituição de referência, orientação e apoio técnico à sociedade, dentro de suas competências legais.

Como novo presidente do CREA-SE, qual mensagem o senhor gostaria de deixar aos milhares de síndicos, conselheiros, administradores e condôminos de Sergipe sobre a importância da engenharia para a segurança, a valorização patrimonial e a qualidade de vida nos condomínios?

Minha mensagem é que a engenharia precisa ser compreendida como uma aliada indispensável da sociedade.

Quando falamos em engenharia, não estamos falando apenas de grandes obras, pontes, rodovias ou empreendimentos industriais. Estamos falando também da segurança das nossas casas, dos prédios onde moramos, da água que consumimos, da energia que utilizamos e de inúmeras outras atividades presentes no nosso cotidiano.

Aos síndicos e administradores, quero reforçar que a responsabilidade de gerir um condomínio exige planejamento, prudência e respeito às orientações técnicas.

Aos moradores, deixo uma reflexão: o imóvel representa, para muitas famílias, uma das maiores conquistas de suas vidas. Preservá-lo adequadamente significa proteger não apenas um investimento financeiro, mas também a tranquilidade e a segurança de quem vive nele.

O CREA-SE estará aberto ao diálogo e comprometido com a promoção do exercício profissional responsável.

Valorizar a engenharia é valorizar a vida, o patrimônio e o futuro da nossa sociedade.

A sociedade exige instituições públicas cada vez mais modernas, transparentes e eficientes. Como a nova gestão pretende modernizar o CREA-SE e melhorar o atendimento aos profissionais e à população?

Entendo que modernizar uma instituição vai muito além de adquirir equipamentos ou implantar novas tecnologias. Modernizar significa rever procedimentos, simplificar rotinas, valorizar pessoas e colocar a eficiência no centro da gestão.

O CREA-SE precisa acompanhar as transformações da sociedade e oferecer serviços cada vez mais acessíveis, ágeis e transparentes.

Nossa intenção é trabalhar pelo aperfeiçoamento dos processos internos, pela ampliação dos serviços digitais, pela qualificação do atendimento e pela melhoria contínua da gestão administrativa.

Também considero fundamental valorizar os servidores do Conselho, porque são eles que, diariamente, contribuem para transformar as diretrizes institucionais em serviços prestados à sociedade.

Queremos fortalecer a fiscalização, tornando-a cada vez mais planejada, orientativa e efetiva, sem perder de vista o seu caráter legal e a proteção do interesse público.

Acredito em uma gestão baseada no diálogo, no planejamento, na responsabilidade e na busca permanente por resultados.

O CREA-SE que queremos construir é uma instituição que respeite sua história, mas que tenha coragem de inovar e esteja preparada para os desafios do futuro.

Qual legado o senhor espera deixar ao final do seu mandato no CREA-SE? Que avanços gostaria que fossem reconhecidos pelos profissionais da engenharia e pela sociedade, em especial pelos síndicos e moradores de condomínios?

Mais do que ser lembrado por obras ou iniciativas pontuais, quero que nossa gestão seja reconhecida por ter contribuído para construir um CREA-SE mais forte, moderno, eficiente e próximo das pessoas.

Desejo que os profissionais percebam avanços concretos na qualidade dos serviços prestados pelo Conselho, na valorização de suas atividades e no combate ao exercício ilegal das profissões.

Da mesma forma, espero que a sociedade passe a compreender melhor a importância do CREA-SE e a enxergar a instituição como uma parceira na promoção da segurança, da qualidade e do desenvolvimento.

No setor condominial, gostaria que deixássemos como contribuição uma maior conscientização sobre a manutenção preventiva, a responsabilidade técnica e a importância da contratação de profissionais habilitados.

Acredito que o verdadeiro legado de uma gestão pública não se mede apenas pelo que foi realizado durante um mandato, mas pelos resultados positivos que permanecem depois dele.

Se ao final desses três anos tivermos um Conselho mais respeitado pelos profissionais, mais próximo da sociedade e mais eficiente no cumprimento de sua missão, teremos dado uma contribuição importante para Sergipe.

Por Áurea Cristina da equipe CinformOnline

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