“O barraco balança, mas resiste.” A declaração do pescador Valdisson de Souza traduz a realidade enfrentada há décadas por centenas de moradores das comunidades Prainha e Fibra, no Bairro Industrial, em Aracaju. Entre improvisos, insegurança estrutural e a esperança por melhores condições de vida, pessoas que construíram suas histórias às margens do Rio Sergipe agora acompanham o início de um sonho: a autorização para o início das obras de urbanização e infraestrutura da região, cujo documento foi assinado na última terça-feira, 12, pela Prefeitura Municipal de Aracaju, em parceria com o Governo Federal.

A iniciativa integra o Programa Periferia Viva – Urbanização de Favelas, do Ministério das Cidades (MCID), dentro do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), e marca o início de um conjunto de intervenções estruturantes voltadas à melhoria das condições urbanas, ambientais e habitacionais das comunidades. Na oportunidade, também foi inaugurado o Posto Territorial vinculado ao programa, implantado na própria localidade para fortalecer o acompanhamento das ações junto à população.

O investimento total previsto ultrapassa R$ 24 milhões e o êxito da iniciativa é resultado da parceria entre a Prefeitura de Aracaju, Secretaria do Patrimônio da União (SPU) e Secretaria Nacional de Periferias, por meio do MCID. A fiscalização das obras será executada pela Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb).

As obras beneficiarão diretamente famílias que vivem em territórios marcados pela ausência de infraestrutura adequada, insegurança fundiária, moradias precárias e vulnerabilidade a eventos climáticos. Ao todo, 389 famílias moradoras do território periférico serão contempladas, sendo 66 delas reassentadas em novas unidades habitacionais construídas em área próxima à comunidade.

Entre as ações previstas estão a construção de 66 novas moradias; implantação de obras de infraestrutura urbana, vias de contenção e melhorias em áreas já consolidadas; Regularização Fundiária da Ocupação NavPesca, por meio da modalidade Reurb-S; recuperação ambiental; construção de equipamentos comunitários, como praças e áreas de lazer; além do desenvolvimento do Trabalho Técnico Social, executado pela Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social (Semfas).

Para Valdisson, que vive da pesca e construiu a própria casa reaproveitando madeiras antigas, o início das obras representa mais do que infraestrutura: significa dignidade e segurança para toda a comunidade. “Temos felicidade por ter um abrigo, mas também insegurança, por falta de registro da moradia. Estou muito alegre, porque sei que agora vai dar certo. Mais longe já esteve. Se esse projeto se efetivar, com a conclusão das moradias, será motivo de grande satisfação não apenas para mim, mas para toda a minha comunidade”, relatou.

Moradora da Prainha há mais de 30 anos, a pescadora Juscélia Catarina, conhecida como Nena, ressaltou a expectativa construída ao longo dos anos. “Estamos muito felizes, pois faz tempo que aguardamos essa assinatura. Agora, com a atual gestão, estamos confiantes de que o projeto finalmente se concretize”.

A mesma esperança é compartilhada por Antônio Carlos Barbosa, líder da Comunidade Fibra, que testemunhou a persistência dos moradores ao longo dos últimos anos. “Essa iniciativa é de grande valia, pois a comunidade batalha há mais de seis anos por esse projeto. Será um impacto positivo na vida dos moradores”, destacou.

Comunidades Prainha e Fibra

As comunidades Prainha e Fibra carregam forte valor histórico, cultural e social para Aracaju. Localizadas às margens do Rio Sergipe, são formadas majoritariamente por pescadores, marisqueiras e mestres barqueiros, que mantêm vivas atividades tradicionais ligadas à pesca e mariscagem, além da construção artesanal de embarcações como canoas e tototós. Em reconhecimento à preservação desses saberes e modos de vida, a Comunidade da Prainha foi oficialmente reconhecida, em 2023, como Patrimônio Cultural e Imaterial de Aracaju.

As famílias que vivem atualmente em palafitas nas ocupações Fibra e Prainha serão reassentadas em novas moradias construídas na área próxima a antigos galpões, que serão demolidos para viabilizar as intervenções. O cadastramento e o acompanhamento dessas famílias são de responsabilidade da Semfas. Já a área conhecida como Ocupação NavPesca também será contemplada com melhorias de infraestrutura urbana.

Fonte, Agência Aracaju de Notícias.

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