*Por Amanda Prata

Não. Segundo um estudo publicado pelo jornal científico “Molecular Pharmaceutics” fica comprovado que ingerir bebida alcoólica enquanto há uso de medicamentos pode ser mais perigoso do que se imagina.

O álcool é transportado pelo sangue para os tecidos que contém água, sendo as maiores concentrações no cérebro, fígado, coração, músculos e rins. Cerca de 95% do álcool ingerido é metabolizado por enzimas especiais no fígado, as mesmas enzimas que metabolizam os medicamentos. Assim, quando ocorre um consumo simultâneo, existem menos enzimas “livres” para metabolizar o remédio, de forma que ele fica agindo por mais tempo. Isso, porém, não significa que o efeito será mais duradouro, mas sim que há um risco maior de intoxicações.

Além disso, por ter um efeito diurético, o álcool aumenta a quantidade de sangue que é filtrada pelos rins, alterando a etapa de eliminação de medicamento. Essa modificação faz com que o medicamento fique menos tempo no organismo do que o necessário, diminuindo seu efeito.

O autor do estudo, Christel Berstrom, destacou que o álcool pode alterar a interação de enzimas e de outras substâncias corporais quando entra em contato com ao menos 5 mil medicamentos disponíveis no mercado, vendidos com ou sem prescrição médica, interferindo em sua potencialidade, a exemplo:

Álcool e dipirona: o efeito do álcool pode ser potencializado.

Álcool e paracetamol: Aumenta o risco de hepatite medicamentosa.

Álcool e ácido acetilsalicílico: Eleva-se o risco de sangramentos no estômago. O acetilsalicílico irrita a mucosa estomacal. O que seria um leve transtorno pode ser potencializado pelo álcool.

Álcool e antibióticos: Essa associação, especialmente com alguns tipos de antibi[óticos, pode levar a efeitos graves do tipo antabuse (o acúmulo desta substância tóxica causa efeitos como vômitos, palpitação, cefaleia (dor de cabeça), hipotensão, dificuldade respiratória e até morte). Por exemplo: Metronidazol; Trimetoprim-sulfametoxazol, Tinidazole, Griseofulvin. Outros antibióticos como cetoconazol, nitrofurantoína, eritromicina, rifampicina e isoniazida também não devem ser tomados com álcool pelo perigo de inibição do efeito e potencialização de toxicidade hepática.

Álcool e anti-inflamatórios: Aumentam o risco de úlcera gástrica e sangramentos.

Álcool e antidepressivos: Aumentam as reações adversas e o efeito sedativo, além de diminuir a eficácia dos antidepressivos.

Álcool e calmantes (ansiolíticos): Ansiolíticos (benzodiazepinas): Aumentam o efeito sedativo, o risco de coma e insuficiência respiratória.

Álcool e inibidores de apetite: O uso concomitante com os supressores de apetite não é recomendado visto que pode aumentar o potencial para ocorrer efeitos sobre o SNC, tais como: tontura, vertigem, fraqueza, síncope e confusão.

Álcool e insulina: Pode gerar hipoglicemia, pois o álcool inibe a disponibilidade de glicose realizada pelo organismo, portanto a alimentação deverá ser bem observada, pois com o álcool a única disponibilidade de glicose vem das refeições; vale ressaltar que também pode causar efeito antabuse. Uso agudo de etanol prolonga os efeitos enquanto que o uso crônico inibe os antidiabéticos.

Álcool e anticonvulsivantes: Aumentam os efeitos colaterais e o risco de intoxicação enquanto que diminui a eficácia contra as crises de epilepsia.

Diante de tudo acima descrito, fica claro que misturar medicamentos com álcool vai além de ‘cortar efeito’ e em caso de dúvidas, sempre busque informações com o médico ou o farmacêutico sobre a melhor forma de fazer seu tratamento.

*Amanda Prata – Farmacêutica graduada pela Universidade Federal de Sergipe em 2007, Especialista em Gestão da Assistência Farmacêutica pela Universidade Federal de Santa Catarina em 2015

 

 

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