Parada do futebol atinge em cheio finanças de clubes como o próprio Flamengo, que possui hoje a melhor estrutura

Por Rodrigo Ricardo – Repórter da Rádio Nacional – Rio de Janeiro

O primeiro de Maio não vai ser motivo de comemoração para 12 pessoas demitidas pelo Flamengo às vésperas do feriado do Dia do Trabalhador. “Ficamos tristes, sentidos, mas não temos muito o que fazer”, lamenta o presidente do Sindicato dos Empregados em Clubes, Federações e Confederações Esportivas (Sindeclubes), José Pinheiro. Segurança do Flamengo há 45 anos, Pinheiro diz que, diferente de outros períodos, os trabalhadores receberão todas as verbas rescisórias a que fazem jus e que o clube, como empregador, também está dentro do direito de reduzir a folha de pessoal: “Poderíamos protestar, mas neste momento não teria jeito. Vivemos uma fase triste”.

O Flamengo também estabeleceu um critério para corte de salários. Para os funcionários que ganham mais de R$ 4 mil, o clube descontará 25% do valor recebido acima destes R$ 4 mil. O caminho da redução de salários é o mesmo adotado por 80% dos clubes da Séria A do Campeonato Brasileiro. Entretanto, a maior parte busca poupar os funcionários com salários menores. O Palmeiras, por exemplo, optou em reduzir este mesmo percentual dos rendimentos de atletas e comissão técnica.

“Esta crise implica em questões éticas delicadas nas relações entre clubes e profissionais. Mas configura um certo absurdo e provoca protestos na sociedade e nas redes sociais o Fla não mexer, aparentemente, nos astronômicos vencimentos de jogadores e atingir os funcionários mais pobres”, analisa o comentarista esportivo Márcio Guedes. “É injusto, e não faz sentido, um clube de massa, com milhões de torcedores de baixa renda, voltar-se contra os mais humildes”.

O sócio e conselheiro do Flamengo David Butter também estranhou a decisão, principalmente porque está publicado no site a demonstração financeira do clube, pontuando que ele poderia suportar por três meses a pressão econômica provocada pela crise criada pela covid-19. Neste mesmo texto, o Fla também ressalta a preocupação com a segurança dos funcionários. “Vamos questionar e tentar entender a razão de, nesta hora mais sombria, cortar na cadeia salarial mais baixa. Entendemos que agora é preciso preservar os vínculos e cumprir parte de uma missão de responsabilidade social”, avalia Butter, que integra o grupo Flamengo da Gente. “Quem pode dizer se isto poderia ser evitado ou não é a diretoria e o conselho diretor. Eles têm os elementos de decisão para nos dar uma resposta plena. Vamos pedir explicações”. Procurado pela reportagem da Agência Brasil, o Flamengo disse que não vai se manifestar sobre o caso.

Segundo o consultor da Ernest Young Alexandre Rangel, todas as receitas dos clubes estão travadas e a previsão é de que o quadro se agrave: “As autoridades não sabem dizer quando o futebol pode voltar. Há um cenário de indefinição e a tendência é a de que todos os [clubes usem todos os] artifícios legais: redução de salários, suspensão de contratos de trabalho e demissões. É inevitável”.

O consultor também diz que, mesmo com a volta da normalidade, o dinheiro leva, em média, de 90 a 120 dias para entrar no caixa dos clubes: “Isso é só o começo do movimento, desesperador para a maioria, e ainda controlável para alguns”.

Ouça a íntegra da reportagem na Rádio Nacional.

*Matéria alterada no dia 1° de maio de 2020. O número de demitidos pelo clube é 12 e não 70 como anteriormente informado.

Edição: Fábio Lisboa

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