
Valmir de Francisquinho surgiu nas redes sociais, na última semana, com uma declaração grave e preocupante. Ao aproveitar a crise nacional envolvendo Daniel Vorcaro, o Banco Master e ministros do Supremo Tribunal Federal, afirmou que “Sergipe poderá ter uma surpresa muito grande”. A frase foi lançada no contexto de uma suposta ligação do governador Fábio Mitidieri com o caso, mas sem a apresentação de documento, registro, depoimento ou qualquer elemento objetivo que sustentasse a insinuação.
Esse tipo de comportamento não pode ser tratado como simples provocação eleitoral. Uma coisa é criticar um governo, questionar contratos, cobrar explicações e apontar contradições. Tudo isso é legítimo e necessário em uma democracia. Outra, muito diferente, é aproveitar um escândalo nacional para lançar o nome de um adversário numa nuvem de suspeita, deixando que a imaginação das redes faça o restante do serviço.
Até agora, Valmir não mostrou a tal lista, não explicou qual seria a participação de Fábio Mitidieri e não indicou a origem concreta da informação. Valmir tem duas opções. Se possui provas, deve apresentá-las imediatamente, com clareza, responsabilidade e coragem. Se não possui, deve retirar o que insinuou. O que não pode é brincar de acusar, esconder-se atrás de frases vagas.
A fala também revela um problema político. Quando um candidato troca propostas por ilações, transmite a impressão de que lhe faltam argumentos para enfrentar o debate real. Sergipe quer saber como serão ampliados os serviços de saúde, quais suas propostas. O eleitor espera respostas, não charadas.
Fábio Mitidieri pode e deve ser cobrado, como todo governante. Inclusive sobre denúncias e questionamentos que sejam formulados de maneira séria. Mas cobrança se faz com fatos e documentos. Não com ilações, meias palavras e uma “surpresa” anunciada. É compreensível que a pressão aumente quando as pesquisas colocam o governador na liderança.
Valmir conhece bem a responsabilidade de um cargo público e sabe que palavras têm consequências. Por isso, sua declaração não pode ser relativizada como um arroubo de palanque. Quem sonha em governar Sergipe precisa demonstrar equilíbrio para distinguir denúncia de fofoca, fiscalização de oportunismo e oposição de irresponsabilidade.
Os sergipanos merecem uma campanha firme, dura e até ácida, mas limpa. Se Valmir tem o que revelar, que revele. Se não tem, que pare de transformar o vazio em manchete. Um candidato ao Governo não pode agir como administrador de boatos de praça pública.
Por Fábio Viana da equipe CinformOnline.
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