De território originalmente ocupado por povos originários a área de grandes propriedades rurais, o bairro Areia Branca, na Zona de Expansão de Aracaju, percorreu um longo caminho até se consolidar como uma das regiões em crescimento da capital. Hoje, impulsionada por novos investimentos em infraestrutura, a localidade vive uma fase de transformação que impacta diretamente o cotidiano dos moradores.
Conhecida pelos areais e dunas que inspiraram seu nome, a região manteve, por muito tempo, características predominantemente rurais, com forte presença de lavradores e pescadores, favorecida pela proximidade com o rio Vaza-Barris. O historiador Gustavo Bonfim explica que a fertilidade do solo foi determinante para a ocupação ao longo do tempo.
“Aqui era uma região com uma fauna muito rica, o que acabou atraindo ocupação. Existiam muitas plantações, como abóbora, macaxeira, mandioca, caju e mangaba, e depois houve predominância das fazendas de coco”, destaca. Embora tenha sido oficialmente integrada à zona urbana de Aracaju em 1982, Areia Branca permaneceu por décadas com infraestrutura limitada, sendo ocupada majoritariamente como área de veraneio. A ausência de serviços básicos dificultava a fixação de moradores permanentes.
Esse cenário começou a mudar a partir da década de 2010, com a ampliação do acesso viário e a chegada de obras estruturantes, que impulsionaram o crescimento populacional e a valorização imobiliária. Em 2021, a região foi oficialmente reconhecida como bairro, consolidando um novo momento de desenvolvimento.
Apesar dos avanços, desafios históricos como os alagamentos, acompanharam a expansão urbana. Segundo o historiador, a ocupação de áreas naturalmente alagáveis contribuiu para esse problema. Para enfrentá-lo, a Prefeitura de Aracaju executa obras de macrodrenagem que abrangem Areia Branca e o Mosqueiro, além de investimentos em cerca de 22 quilômetros de infraestrutura, incluindo drenagem, pavimentação e rede de água, beneficiando dezenas de ruas.
É nesse contexto que os moradores percebem, na prática, as mudanças em curso, sobretudo em razão da obra de macrodrenagem em execução na região, conduzida pela Prefeitura de Aracaju, através da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb). Considerada uma das maiores intervenções de infraestrutura urbana da capital, a ação contempla Areia Branca e Mosqueiro, com foco na redução dos alagamentos históricos e na melhoria das condições de urbanização.
O projeto prevê a implantação de um sistema de drenagem de grande porte, com canais e estruturas de escoamento que somam dezenas de quilômetros de extensão, além de serviços de pavimentação e esgotamento sanitário. Com investimento de aproximadamente R$ 250 milhões, a obra foi dimensionada para acompanhar o crescimento da região e oferecer maior segurança em períodos de chuva.
Mesmo em andamento, os efeitos já começam a ser percebidos em trechos onde as intervenções avançaram, especialmente na diminuição de pontos críticos de alagamento. O conjunto inclui ainda a construção de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), que deve ampliar o atendimento e garantir o tratamento adequado dos resíduos, contribuindo para a melhoria da qualidade ambiental e da saúde pública dos moradores da região.
Morador há 31 anos do bairro Areia Branca, o pedreiro Roberto Gomes afirma que a realidade atual é muito diferente da encontrada quando chegou à região, em 1995. “Quando eu cheguei aqui, não tinha praticamente nada. O ônibus só entrava duas vezes por dia”, relembra. Hoje, segundo ele, o cenário é outro. “Agora tem ônibus praticamente de 15 em 15 minutos. É uma realidade bem mais favorável para quem mora aqui e trabalha em Aracaju. E assim que terminar essa obra tudo vai ficar ainda melhor para a gente”, pontua.
Além da mobilidade, Roberto destaca a valorização da área. “Antes, o terreno não valia muita coisa. Hoje, chega a 100 mil reais. A gente se sente prestigiado. A Prefeitura tem se dedicado ao povo daqui e isso aparece no dia a dia”, afirma. A percepção de avanço é compartilhada pelo servente de pedreiro Jorge Vasconcelos, de 80 anos, que acompanha as mudanças desde a década de 1970. “Antes aqui não tinha entrada para carro, não tinha nada. Era tudo mato, sem perspectiva de melhora”, recorda. Para ele, a evolução é evidente. “Hoje está mais organizado e melhorando cada vez mais. Pelo trabalho da prefeitura, a tendência é avançar ainda mais.”
Jorge também ressalta melhorias na infraestrutura viária. “Era muita lama, buraqueira. Agora está bem melhor. O que foi feito até agora está aprovado”, diz. Aos 80 anos, ele valoriza o momento atual. “É muito bom ver essa mudança. Muita gente não teve essa oportunidade, e eu tenho o privilégio de ver o lugar onde vivo se desenvolver. Isso me traz muita alegria”, pontua.
Já o aposentado Aureliano Pereira destaca os impactos diretos das obras no cotidiano. “Está trazendo benefícios reais. A gente está gostando, porque a área está melhorando. Para se ter uma ideia, não tivemos por aqui registro de alagamentos durante as chuvas que caíram no final do mês de abril. Isso já foi um grande avanço”, afirma. Para ele, mesmo com os trabalhos ainda em execução, a imprensão é positiva. “O serviço está bom. Estou ansioso para ver tudo concluído. Tenho certeza de que o resultado será de grande impacto para todos nós”, avalia.
Aureliano também chama atenção para a valorização dos imóveis e a ampliação dos serviços. “As casas estão valorizando, as ruas melhorando. E ainda vai ter posto 24 horas, o que traz mais qualidade de vida. A tendência é continuar avançando”, destaca.
Moradora há 19 anos, a dona de casa Genildes Maia reforça esse sentimento. Para ela, as intervenções representam um marco na história recente do bairro. “É uma obra que vai trazer muitos benefícios. Em quase vinte anos aqui, nunca vi tanta coisa sendo feita ao mesmo tempo”, afirma.
Genildes também destaca a proximidade das equipes com a comunidade. “O pessoal vem, conversa, orienta. De zero a dez, dou dez para tudo — organização, atenção e a iniciativa de levar essa obra adiante”, ressalta. Ela acredita que os investimentos terão efeitos duradouros. “Foi um investimento muito importante. Tenho certeza de que a população vai ficar satisfeita. A gente ganha uma nova qualidade de vida”, conclui.
Com obras em andamento e seguindo o cronograma previsto, Areia Branca segue em transformação. De área marcada pelo uso sazonal, o bairro se consolida como um espaço de moradia e desenvolvimento, onde passado e presente se encontram nas histórias de quem acompanha, de perto, cada mudança.
Fonte, Agência Aracaju de Notícias.
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