
Atualmente, o serviço de transporte público de passageiros da Grande Aracaju conta com mais de 990 profissionais responsáveis pela condução dos veículos das três empresas permissionárias que operam na região. A profissão de motorista, celebrada nacionalmente neste sábado (25), é marcada pela responsabilidade de transportar uma média diária de 140 mil passageiros na capital e região metropolitana, impactando de forma positiva o desenvolvimento econômico e social das cidades.
Entre embarques e desembarques, a jornada de trabalho do motorista vai além da técnica na condução do veículo e da atenção ao trânsito e aos passageiros. A profissão exige também empatia e assistência a quem sobe no transporte. Silvio Sérgio, motorista da Viação Atalaia há 8 anos, lembra com detalhes do dia em que a sua jornada de trabalho desviou da rotina convencional e foi marcada pelo nascimento de uma criança dentro do ônibus, na linha Marcos Freire I e III/DIA (030).
Por volta das 23 horas do dia 26 de outubro do ano passado, um domingo, a pequena Vitória já chegou ao mundo como passageira do transporte coletivo. Silvio relata que tudo aconteceu muito rápido, mas que aquele dia foi um presente do céu em retribuição aos anos dedicados a transportar vidas.
“A passageira entrou em trabalho de parto quando o veículo estava parado no Terminal DIA. Tudo aconteceu tão rápido que, em um piscar de olhos, a criança já estava em seus braços. O veículo tinha pouquíssimas pessoas e, imediatamente, os que estavam no terminal, quando perceberam a situação, quiseram entrar no veículo, mas eu não permiti. Hoje em dia, somos muito vulneráveis às exposições na internet, então quis preservar a mãe, a neném recém-nascida e as outras crianças que estavam com a passageira. O que eu mais queria era ajudar, em vez de tumultuar e transformar a situação em espetáculo público”, compartilha o motorista.
Ele continua: “Imediatamente, um policial civil que estava no terminal pediu para tomar a frente da situação e ligou para o Samu. Enquanto ela aguardava, conversando comigo, me contou que o nome da menina seria Vitória. Na hora, fiquei tão encantado com tudo que nem perguntei o nome da mãe, mas eu nunca esqueci o rosto dela. Em qualquer lugar, se eu a vir, saberei que é ela. A passageira que deu à luz dentro do ônibus sob minha condução. Esse acontecimento, sem dúvidas, foi um presente para mim.”
Igor Cardoso também trabalha na Viação Atalaia. Há 11 anos como motorista, desde 2021 conduz a linha Sobrado/Mercado via Osvaldo Aranha (719) e, assim como Silvio, acredita que a conexão com o passageiro é uma das partes mais gratificantes da profissão.
“Ser motorista de transporte público vai além de transportar pessoas. É um trabalho que exige cuidado e respeito ao próximo. Estar há cinco anos na mesma linha me oportunizou tornar meus passageiros em uma segunda família, porque construí amizades e laços inexplicáveis com eles. Eu sei o horário de praticamente todos. Se eu chego ao ponto de embarque e falta subir alguém, logo percebo pelo retrovisor que ele já está se aproximando, então espero. Só o motorista consegue entender essa conexão, esse vínculo é a essência do meu trabalho”, comenta o condutor.
Capacitação
As empresas que operam o transporte público oferecem, por meio do Sest Senat, treinamentos específicos voltados aos motoristas do setor. Entre os conteúdos abordados estão orientações para ampliar a visibilidade ao redor do veículo, além de técnicas para a realização segura de manobras e mudanças de faixa.
Com carga horária de 50 horas, o curso ‘Especializado para Condutores de Veículos de Transporte Coletivo de Passageiros’ é obrigatório para o ingresso e a permanência na profissão. Além da formação inicial, os motoristas devem revisar anualmente os conteúdos aprendidos. Dividido em quatro módulos, o curso aborda temas como preservação do meio ambiente, procedimentos em casos de importunação sexual durante a viagem, cuidados no embarque e desembarque de passageiros, primeiros socorros, relacionamento interpessoal e técnicas específicas para o atendimento de passageiros com deficiência (PCD).
Além dessa capacitação, o setor disponibiliza outros 13 cursos realizados com periodicidade anual. Juntos, eles somam 144 horas de treinamento, reforçando a qualificação dos profissionais e contribuindo para a qualidade e a segurança do serviço prestado.
Fonte, Ascom, Mais Aracaju.
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