
A engrenagem político-partidária de Sergipe entrou oficialmente em sua fase mais aguda com o início das convenções destinadas a homologar as chapas majoritárias e proporcionais para o pleito que se avizinha. Embora as discussões de cúpula frequentemente se concentrem nos gabinetes da capital, é no pulsar do interior do estado que as eleições verdadeiramente se definem. Cidades como Nossa Senhora do Socorro, Estância, São Cristóvão, Tobias Barreto, Lagarto e Itabaiana não apenas somam parcelas gigantescas do eleitorado apto, mas funcionam como os verdadeiros termômetros da aceitação popular e da força dos tradicionais grupos políticos locais.
O cenário desenhado nos últimos dias expõe uma clara divisão de forças. De um lado, a máquina administrativa liderada pelo governador Fábio Mitidieri busca pavimentar o caminho da reeleição assegurando o apoio de prefeitos e lideranças municipais. Do outro, a oposição encabeçada pelo ex-prefeito de Itabaiana, Valmir de Francisquinho, demonstra forte resiliência, ancorada em redutos históricos do agreste do Estado.
O que está em jogo nas próximas semanas vai muito além da simples definição de nomes nas atas partidárias. Trata-se de uma disputa territorial intensa, onde cada dissidência, cada troca de legenda de última hora e cada aliança regional recalculada altera o equilíbrio de forças nas chapas de deputados estaduais e federais. O eleitor do interior, hoje amplamente conectado pelas mídias digitais, assiste a esse balé tático com maior criticidade, cobrando coerência e propostas que dialoguem com a realidade regional, como o desenvolvimento da bacia leiteira, da saúde, da educação, do fortalecimento do comércio local e a segurança pública.
O jornalismo tem o dever de lançar luz sobre os pactos de bastidores para que o cidadão compreenda as reais motivações de seus representantes. O voto do interior não pode ser tratado como mero ativo de troca entre caciques políticos. Ele representa a identidade, as carências e as aspirações de um povo que exige ser ouvido e respeitado na construção do futuro de Sergipe.
Federal
O ex-secretário de Estado da Saúde e pré-candidato a deputado federal, Cláudio Mitidieri (PSB), tem rodado o estado em busca de apoio político. Ele tem conversando com lideranças de quase todos os municípios e, provavelmente, estará “nas cabeças”, sendo um nome forte na disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados. Cláudio tem trabalho quieto, com paciência e simplicidade e fustigado o clima de “já ganhou”.
Saúde I
E por falar em Saúde, a deputada federal Katarina Feitosa (PSD) se orgulha dos números do seu mandato nessa área. E, realmente, eles chamam a atenção. Ao todo foram R$ 160 milhões. Com R$ 11 milhões destinados ao hospital da rede estadual, sendo R$ 6 milhões para o programa “Opera Sergipe”; quase R$ 3 milhões ao Hospital e Maternidade Santa Isabel; R$ 1,3 milhão ao Hospital de Cirurgia; R$ 1,5 milhão ao Hospital Amparo de Maria; R$ 1 milhão para o Hospital do Amor.
Saúde II
Além disso, teve emenda para o Grupo de Apoio à Criança com Câncer de Sergipe (GACC), a APAE, além das redes municipais de saúde. Para a deputada, os recursos ajudaram a viabilizar exames, cirurgias, compra de equipamentos e atendimentos. “A discussão sobre saúde pública mudou. Há alguns anos, o debate era construir hospitais. Hoje, isso já não basta. Uma unidade cumpre seu papel quando está ligada a uma rede capaz de diagnosticar, encaminhar e tratar sem impor ao paciente uma peregrinação”, disse.
Valmir e o rato
Não pegou nada bem a fala de Valmir de Francisquinho tentando atribuir a presença de ratos em carnes no Mercado Municipal de Itabaiana a questões políticas, como se os roedores tivessem sido “plantados” para atingir a atual gestão e, consequentemente, sua imagem. Uma situação que coloca em risco a saúde da população deveria ser tratada com seriedade, especialmente por uma figura da política.
Lagarto
A disputa eleitoral em Lagarto ainda anda um tanto quanto morna. O que é de se estranhar. Os dois principais grupos políticos locais, Saramandaia e Bole-Bole, estão se organizando em torno do apoio ao projeto dos seus grupos e da reeleição do governador. Fábio Mitidieri tem como objetivo fechar as portas para o avanço de candidaturas oposicionistas no centro-sul do estado, mas para isso, precisa “unir” os grupos adversários. Será que ele irá conseguir?
Força política
Após o início do período de convenções partidárias e a aproximação do início da campanha eleitoral propriamente dita, as ditas lideranças políticas passaram a colocar na mesa valores para os apoios. Alguns candidatos proporcionais e até majoritários já estão “chiando” diante dos valores inflacionados. As negociações seguem a todo vapor, com alguns candidatos desconfiados dos altos valores e fidelidade dessas lideranças.
Capela I
Sukita deu mais uma demonstração de destempero, falta de racionalidade e falta de respeito ao responder as provocações da ex-prefeita de Capela, Silvany Mamlak. Na semana passada, Silvany fez uma carreata para comemorar a vitória no Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe após a manutenção do registro da candidatura do prefeito Júnior Tourinho. Ela liderou uma carreata para comemorar o resultado jurídico. O ápice do evento ocorreu na tradicional “Casa Amarela”, reduto do ex-prefeito e opositor Manoel Sukita.
Capela II
De cima de um jipe, Silvany desferiu provocações diretas ao ex-marido. Com gestos irônicos e gritos de “você está louco, acabou”, Silvany tripudiou sobre o revés judicial da oposição. Sukita não recuou: gravou a cena da sacada e ironizou o “salto alto” dos rivais. O episódio acirrou ainda mais o clima de animosidade na cidade. Para piorar, Sukita gravou vídeo pesado e divulgou nas redes sociais.
Capela III
E passou do ponto. Sukita, simplesmente, disse que fez Silvany prefeita de Capela e que a ex-prefeita “pare de encher a cara de cachaça”. Ele ainda usou expressões como “a senhora não tem o direito de sair em carreata enchendo a cara de cachaça”, “crimes eleitorais”, “peço ao seu marido, Cristiano Cavalcante, tenha vergonha na sua cara e se coloque na posição de marido dessa mulher. Quem nunca viu, mulher casada, depois de encher a cara de cachaça, ir pra porta de ex-marido?”.
Capela IV
Silvany errou. Mas Sukita foi machista, misógino e cometeu erros graves que ultrapassam os limites da disputa política. Silvany foi até a casa do adversário provocar e bastava uma fala de Sukita para se vitimizar e capitalizar politicamente a “agressão sofrida”. Mas Sukita foi além disso, muito além por sinal, e flertou com uma agressão e violência contra a mulher. Ficou feio pra Silvany, mas ficou horrível pra Sukita e ele perdeu a razão.
Propriá I
É fascinante ver como o pragmatismo político opera milagres em Sergipe. Doutor Valberto Lima, ex-prefeito de Propriá, que passou anos respirando os ares governistas e desfrutando do prestígio da Secretaria de Saúde, desembarcou do grupo governista e passa a integrar a oposição ao governador Fábio Mitidieri. E vamos colocar logo um parêntese aqui. Isso teve a forte participação do ex-governador Belivaldo Chagas, que nomeou Valberto secretário de Estado da Saúde à época do seu governo.
Propriá II
Valberto já vinha demonstrando insatisfação com o governador Fábio Mitidieri porque muitos recursos estaduais estavam sendo destinados para Propriá, hoje comandada pelo prefeito Luciano de Menininha. Diante da forte parceria de Fábio com Luciano, Valberto correu para os braços de Valmir de Francisquinho. Bastou um “sentimento de abandono” para que o ex-prefeito esquecesse o passado e corresse para os braços da oposição.
Propriá III
A ironia dessa aliança, a começar pelo despeito de Valberto ao ver tantos investimentos do Governo do Estado em Propriá, fato que ele deveria comemorar, mas rechaça, é que num passado não muito distante, a Saúde do estado comandada por Valberto era fortemente criticada por Valmir e seus aliados. Será que Valberto ficará constrangido no palanque oposicionista ao ouvir as críticas à Saúde na época em que ele era secretário? Fica a dúvida.
Mantendo pontes
Falando em Valberto, outro fato que vem dando o que falar foi a declaração do ex-prefeito de que não abre mão de apoiar a reeleição do senador Rogério Carvalho. Nas palavras de Valberto, o senador petista “é o Pai, o Filho e o Espírito Santo”. Ainda fazendo suspense, segundo voto do ex-prefeito pode ser em Eduardo Amorim. E ainda tem as tratativas para que ele apoie a reeleição de Jorginho Araujo para deputado estadual. Pelo visto, Valberto quer manter as “pontes” com o governador Fábio Mitidieri.
Saúde de verdade I
Se teve uma coisa que Luciano de Menininha encontrou aos frangalhos quando assumiu a Prefeitura de Propriá foi a Saúde pública. E arrumar a casa, em especial essa área, não tem sido fácil. Mas muito tem sido feita com a secretária Jeane Lima e uma equipe qualificada. Recentemente, a foi iniciado projeto-piloto que implanta um novo modelo de regulação para a marcação de consultas, exames e atendimentos especializados.
Saúde de verdade II
A iniciativa começa pela Unidade Básica de Saúde (UBS) Márcia Dantas, no bairro Matadouro, e tem como objetivo tornar o processo mais organizado, transparente e eficiente para a população. Com o novo sistema, será possível identificar a fila real de espera, reduzir deslocamentos desnecessários dos pacientes, otimizar a distribuição das vagas disponíveis e garantir que os casos de maior necessidade sejam atendidos com prioridade, seguindo critérios técnicos.
Saúde de verdade III
A coluna teve uma conversa com Luciano sobre o caos que ele encontrou, sobre o difícil trabalho e como ele tem buscado melhorar a Saúde em Propriá. Esse projeto-piloto já deve render bons frutos para a população. “Estamos trabalhando para oferecer um atendimento cada vez mais organizado, humanizado e eficiente. Esse novo modelo garante mais transparência, respeito ao cidadão e permite que os pacientes com maior necessidade tenham prioridade, tornando o sistema de saúde mais justo para todos”, destacou o prefeito.
Edvaldo I
Quem tem dado as caras e batido perna no Interior do Estado é o pré-candidato ao Senado, Edvaldo Nogueira. Recentemente, ele pode ser visto em cidades como Nossa Senhora da Glória, Estância, Porto da Folha, Capela, Nossas Senhoras das Dores, Propriá, Carmópolis, General Maynard e outras. Edvaldo está confiante na capilaridade eleitoral que construiu na Capital no período em que foi prefeito de Aracaju e agora está correndo atrás dos votos de outras cidades.
Edvaldo II
A manobra é ousada, mas politicamente indispensável. Historicamente, líderes que se concentram excessivamente nos limites da capital enfrentam forte resistência no ecossistema político do interior – já vimos isso em eleições passadas-, onde as dinâmicas de poder e as carências sociais são radicalmente diferentes. Sabendo disso, o ex-prefeito não quer ser visto apenas como o “síndico de Aracaju”, mas como um gestor de visão estadual, capaz de replicar o sucesso de suas administrações em escalas micro e macrorregionais.
O “voto cruzado” I
Se tem uma coisa que vai gerar certa dor de cabeça nos políticos, em especial os governistas, é o que podemos chamar de “voto cruzado” para o Senado. Diversos prefeitos, vereadores e deputados, estão garantindo total estrutura e apoio para a candidatura ao governo do Estado, mas quando o assunto é o voto para o Senado, o bicho pega.
O “voto cruzado” II
O que mais se comenta nas rodas políticas do interior do estado é que a luta para a cadeira de governador é muito bem definida quando o assunto é “quem está do lado de quem”. Porém, a coisa se complica quando o tema são os dois votos para o Senado. “Eu estou preocupado e de olho nas emendas para a minha prefeitura”, garante uma liderança da região Sul.
O “voto cruzado” III
Esse pensamento deve deixar os estrategistas do grupo governista com um alerta na cabeça por 24 horas. Afinal de contas, esse “sarapatel” será aceito pelo eleitorado? A briga pela vaga do Senado já está deixando arranhões incuráveis, a campanha de governador poderá ser afetada? O sinal de alerta acendeu.
Adailton Martins
Buscando mais um mandato na Alese, o deputado Adailton Martins segue circulando e fortalecendo seu projeto político. Além do apoio do agrupamento liderado por seu irmão na Barra dos Coqueiros, o prefeito Airton Martins, o deputado tem conquistado importantes apoios em outros municípios sergipanos, a exemplo de Muribeca e Pirambu.
CRÍTICAS E SUGESTÕES
viana.jornalista@gmail.com
ÚLTIMAS NOTÍCIAS


