Órgãos sanitários se esforçam para o combate a abatedouros clandestinos, porém a dificuldade é a multiplicação de locais irregulares
Uma pergunta simples que muitas vezes passa despercebida no momento de aquisição de um produto de origem animal. Será que o item em questão e posteriormente sendo consumido, é de boa procedência? Muitos consumidores acreditam que não, outros podem dizer que sim e outra parcela deve afirmar que não costumam observar essa questão.
O fato é que o Brasil, sendo um país altamente ruralista e com uma produção exportada para o mundo inteiro e com as dimensões continentais existentes em todo o território, do Oiapoque ao Chuí, fica até difícil conhecer como as carnes são processadas e encaminhadas para os locais destina dos as vendas. O que muitos não percebem e estendam os olhos apenas para os grandes centros produtores, a exemplo da região centro-oeste, é que pode existir um abatedouro muito mais próximo do que se imagina.
Apesar de ser um Estado pequeno, Sergipe apresenta uma grande concentração de locais destinados ao abate de animais, sejam eles suíno, bovinos, caprinos e até mesmo aves. E essa alta produtividade chama a atenção pelos aspectos destinados a muitos abatedouros espalhados por todo o território estadual, sendo que diversos desses locais são considerados sem higiene e não oferecendo condições mínimas de adequações sanitárias, isso sem falar nos elevados riscos de contaminação.
FISCALIZAÇÃO
E não é de se espantar quando por muitas vezes órgãos de inspeções sanitárias encontram e embargam locais destinados a abates, justamente por considerar os abatedouros sem as condições mínimas de conservação das carnes e exposições externas em ambient es insalubres. E não é difícil encontrar espaços sendo disputado por animais domésticos e insetos. Em edições anteriores, o Caderno de Municípios do Jornal Cinform denunciou as ações nada convencionais praticadas por marchantes em Sergipe.
Em muitas cidades do interior a situação encontrada nos locais resguardados- na teoria- para produtos perecíveis, foi assustadora. Isso porque na prática muitos comerciantes abatem e cortam os animais ali mesmo, expõe as carnes sem observar de forma adequada onde devem coloca-las, unem as vísceras de vários animais mortos em um mesmo local e dali partem para o comercio nas feiras livres. Em muitos locais visitados a equipe de reportagem encontrou mesa insalubres e métodos de limpeza através de água parada em uma banheira utilizando uma mangueira. E dessa maneira que em vários matadouros municipais de Sergipe é realizado o abate, sem as mínimas condições de higiene, ausentes de tratamento dos dejetos e de forma irregular sem atender as exigências dos órgãos públicos.
CLANDESTINOS
De acordo com comerciantes que preferem não se identificar e dependem dos abatedouros para garantir a renda do mês, muitos locais não obedecem regras básicas e simples de conservação, sendo que o descarte de pele, ossos e demais partes dos animais não utilizadas, é feito em riachos que vão desaguar em lagoas. Uma verdadeira tragédia ambiental.
Seguindo denúncias de abatedouros clandestinos em Sergipe, os números de locais não reconhecidos e não inseridos em cadastrados oficiais do governo impressionam. Para se ter uma ideia, 80% dos abatedouros no estado são clandestinos e muitos deles trabalham abaixo da capacidade, ou seja, de um espaço com capacidade para 600 abates, apenas são realizados de 60 a 80 abates. Em muitos tipos de abates, os animais são mal tratados antes de serem mortos, onde são jogadas toxinas, nocivas ao consumo. São as chamadas carnes enfezadas.
Se os consumidores de carnes não imaginam o trabalho realizado nos abatedouros, a descoberta pode ser cruel, quando na verdade, a realidade vem das próprias palavras de quem convive diariamente do sacrifício de animais para o consumo humano. “Aproveitamos 90% dos animais e não perdemos nada. A cabeça do porco serve para comer e de outros animais também, além dos pés, que são bem procurados na feira”, revela um marchante.
CARNE FRACA
Essa operação da Policia Federal desarticulou um esquema de corrupção envolvendo fiscais agropecuários a serviço do Ministério da Agricultura e donos de frigoríficos nos estados do Paraná, de Minas Gerais e Goiás. De acordo com informações da PF, os fiscais investigados na operação recebiam propina das empresas para emissão de certificados sanitários sem fiscalização da carne, sendo que o esquema permitia que produtos com prazo de validade vencido e com composição adulterada chegassem a ser comercializados.

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