Nesta terça-feira, 30, é celebrado o Dia Mundial da Esclerose Múltipla, doença neurológica, crônica e autoimune, ou seja, as células de defesa do organismo atacam o próprio sistema nervoso central, provocando lesões cerebrais e medulares. É uma doença mais comum em mulheres com idade entre 30 e 40 anos, não tem cura e seu tratamento consiste em atenuar os sintomas e desacelerar a progressão da doença.

Segundo o médico Dr Gilvan Guersoni Hora, especialista em neuroimunologia, ainda não se sabe com exatidão se existe um motivo único e específico sobre o que levaria uma pessoa a ter a Esclerose Múltipla (EM), porém, é necessário um conjunto de fatores imunológicos para ocasionar a doença. Por isso, é considerada uma doença imunomediada. Alguns fatores como exposição ao sol, níveis de vitamina D, fatores genéticos, antecedentes de infecções virais, tabagismo e obesidade, principalmente na infância, devem ser considerados.

Dr Gilvan Guersoni Hora, médico

“O diagnóstico da esclerose múltipla é feito baseado em um conjunto de evidências, tanto clínicas (sinais e sintomas), quanto de exames (de imagem – ressonância, sangue e líquor). A miríade de sintomas é bastante ampla, uma vez que qualquer ponto do sistema nervoso pode ser afetado”, explica Dr Gilvan. “Os sinais mais comuns são: redução da acuidade visual de um olho, com dor no olho; visão dupla; alteração da sensibilidade (formigamento ou dormência) com ou sem redução da força em região específica, como um braço ou perna”, disse.

Também são sintomas: dificuldade progressiva na coordenação motora, vertigens e quedas frequentes; incontinência urinária ou fecal sem outra explicação. Essas são algumas coisas que podem ocorrer, em geral duram mais que 24 horas e podem ser recorrentes. Muitos relatam sintomas chamados de “invisíveis”, pois nenhum exame os identifica, como fadiga, irritação, lentificação do pensamento”, disse o especialista.

Convivendo com a EM

Em outubro de 2021, com 26 anos de idade, a assistente social Ingrid Rosane Gomes dos Santos descobriu que tinha EM e já convive com a doença há dois anos. Segundo ela, a convivência é um aprendizado. “Conhecer seu próprio corpo e os sinais que ele dá, hoje lido bem com a EM, respeitando as limitações que me trouxe, a principal dificuldade é encarar o preconceito: ‘você não tem cara de doente’, ‘tão nova e está assim’, ‘isso é coisa da sua cabeça’. Infelizmente a sociedade taxa muito as pessoas”, comenta.

Ingrid Rosane Gomes dos Santos: “um dos grandes desafios é superar o preconceito”

Quando descobriu o diagnóstico da EM, Ingrid sentia dor neuropática, Neurite Óptica, perda dos movimentos de membros inferiores, formigamento e dormência. O tratamento é mensal, através de medicação via infusão endovenosa, em ambiente hospitalar. A doença não afetou suas atividades laborais, ela trabalha na atenção primária de saúde de Aquidabã. “Hoje em dia quase não sinto os sintomas. Não tive muita dificuldade com o trabalho, o que mudou foi o ritmo do meu dia a dia, realizo minhas atribuições de acordo com as limitações que possuo” explica.

tratamento

Os tratamentos mais eficazes surgiram em meados dos anos 2000 e atualmente existem 25 medicações, sendo 9 auto injetáveis (semelhante a aplicação de insulina), 11 orais em comprimido e 5 injetáveis via venosa. Infelizmente, nem todas estão disponíveis no Brasil. Antes dessas medicações, a estimativa de vida dos pacientes era cerca de 20 anos menor que a população em geral, e com muita debilidade e limitações. Atualmente, com tratamento adequado, mais de 80% das pessoas com EM permanece sem limitações moderadas ou graves durante sua vida, sem alterações ou poucas adaptações da sua rotina.

De acordo com o médico Dr Gilvan Guersoni Hora, como Sergipe ainda não conta com centro de referência em doenças neurológicas desmielinizantes, os dados sobre a doença são imprecisos. Considerando a dispensação de medicações no SUS e nos maiores hospitais do Estado, a estimativa é de que tenha entre 120 e 140 pessoas portadores em tratamento. “Se analisarmos a média nacional, poderíamos estimar que Sergipe teria entre 300 e 360 pessoas com EM. Ou seja, ainda devemos ter muitos casos não diagnosticados”, aponta.

Associação tem coo objetivo ajudar as pessoas com doenças neuro imunológicas

orientação

Nesta data em que se comemora o Dia Mundial da Esclerose Múltipla, o Centro de Apoio às Pessoas com Doenças Neuro Imunes (CADNI), criado para ajudar pessoas com doenças neuro imunológicas, conta com um espaço para atendimentos e ações presenciais às terças-feiras, na sala de espera de atendimentos do Ambulatório do Hospital Universitário (HU), acolhendo pessoas e familiares.

“Percebemos nos últimos anos um aumento no número de diagnósticos neuro-imunológicos, como a Esclerose Múltipla, Neuromielite Óptica, Miastenia Gravis, entre outras, e a necessidade de apoiar as pessoas e familiares pós diagnóstico, como também buscar, junto ao poder público e privado, maneira de agilizar o diagnóstico e início rápido do tratamento, para assim evitaremos sequelas graves dessas doenças”, disse Camilla Oliveira.

 

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