
A eleição de 2026 deixa um recado político difícil de ignorar em Sergipe: Fábio Mitidieri saiu das urnas muito maior do que entrou na disputa. A reeleição no primeiro turno, com 727.291 votos e mais de 59% dos votos válidos, representou uma vitória acachapante sobre Valmir de Francisquinho, que terminou com 459.908 votos, 37,48%.
A diferença de mais de 267 mil votos não deixa margem para interpretações. Fábio conseguiu consolidar a aprovação ao seu governo e transformar a vantagem apontada durante a campanha em uma vitória efetiva nas urnas. Valmir, que chegou à disputa como principal adversário, ficou distante de levar a eleição para um segundo turno.
O resultado também fortalece politicamente o governador para o segundo mandato. Agora, a cobrança será proporcional ao tamanho da vitória. Com o eleitorado tendo dado um sinal tão expressivo, Fábio Mitidieri terá a responsabilidade de entregar um segundo governo ainda mais consistente que o primeiro. E isso inclui a resolução de problemas apontados pela população, a exemplo da questão do abastecimento de água.
No Senado, pouca mudança. Rogério Carvalho (PT) e Alessandro Vieira (MDB), respectivamente, foram reeleitos e continuarão representando Sergipe em Brasília por mais oito anos. O petista teve uma vitória mais tranquila e com larga vantagem, enquanto o emedebista teve uma disputa mais acirrada para garantir a segunda vaga contra o também delegado André David (Republicanos).
Na Câmara Federal, a eleição produziu uma bancada diversificada. Das oito vagas, seis ficaram com deputados que conseguiram a reeleição, enquanto duas serão ocupadas por novos nomes na representação federal. A distribuição partidária também revela o peso das forças que estarão no tabuleiro político sergipano: três vagas para a Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP; duas para o PSD; e uma vaga para Republicanos, Federação Brasil da Esperança e PSB.
Yandra Moura, Claudio Mitidieri, João Daniel, Fábio Reis, Delegada Katarina, Ícaro de Valmir, Capitão Samuel e Gustinho Ribeiro terão agora a missão de representar Sergipe em Brasília a partir do ano que vem pelos próximos quatro anos.
Na Alese, a renovação foi mais significativa, embora também tenha predominado a continuidade. Dos 24 eleitos, 16 conseguiram a reeleição, garantindo a permanência de uma parcela expressiva da atual composição da Casa. As demais oito vagas serão ocupadas por nomes que já tiveram passagem pelo Legislativo estadual e retornam à Assembleia e por candidatos que terão sua primeira experiência como deputados estaduais.
A nova composição também mostra uma Assembleia plural do ponto de vista partidário. União Brasil e PP, pela Federação União Progressista, terão seis cadeiras; o PSD ficará com cinco; Republicanos, três; a Federação Brasil da Esperança, três; PL e MDB, duas cadeiras cada; PSB, duas; e Avante, uma.
O desenho das urnas, portanto, combina continuidade, retorno e renovação. O eleitor não promoveu uma ruptura completa com a atual composição política, mas também abriu espaço para novos personagens.
E esse talvez seja um dos principais retratos da eleição de 2026 em Sergipe: o eleitor confirmou quem considerou aprovado, abriu espaço para novas lideranças e, no Executivo, deu uma demonstração contundente de preferência por Fábio Mitidieri.
A campanha terminou. Agora começa outra disputa, menos barulhenta e muito mais importante: a disputa por resultados.
Aprovação da gestão I
A reeleição de Fábio Mitidieri representa mais do que uma vitória eleitoral: é uma manifestação objetiva de aprovação ao trabalho realizado nos primeiros quatro anos de governo. Em vídeo publicado nas redes sociais após a confirmação do resultado, o governador agradeceu a confiança dos sergipanos e prometeu trabalhar ainda mais para fazer um segundo mandato superior ao primeiro. O resultado das urnas amplia a responsabilidade de Fábio, mas também fortalece sua autoridade política.
Aprovação da gestão II
Depois de enfrentar uma campanha marcada por ataques e tentativas de desconstrução de sua gestão, ele recebeu do eleitorado o aval para continuar o projeto iniciado em 2023. Agora, não haverá espaço para acomodação. A população aprovou o caminho, mas também elevou o nível de cobrança sobre quem governará Sergipe por mais quatro anos.
Senadores aliados I
Com as reeleições de Rogério Carvalho e Alessandro Vieira, Fábio Mitidieri continuará contando com uma bancada de três senadores politicamente próxima ao Governo do Estado. Embora Alessandro tenha deixado a composição majoritária durante o processo eleitoral, declarou apoio à reeleição do governador e sempre destacou a parceria administrativa construída em favor de Sergipe.
Senadores aliados I
Ao lado de Rogério e Laércio Oliveira, Alessandro pode garantir ao Estado uma representação forte em Brasília. É uma vantagem política que precisa ser transformada em recursos, obras e investimentos. Com três senadores capazes de dialogar com o Palácio dos Despachos, faltarão desculpas para projetos importantes ficarem presos na burocracia ou sem financiamento federal.
Maioria I
Fábio Mitidieri também começará o segundo mandato apoiado por uma maioria confortável na Assembleia Legislativa. O PSD elegeu cinco deputados, formando a segunda maior bancada da Casa, enquanto a Federação União Progressista, composta por União Brasil e PP, conquistou seis cadeiras. Somados, esses dois agrupamentos já reúnem 11 dos 24 parlamentares. Com os deputados eleitos por MDB, PSB e outras legendas que integram a base governista, o governador deverá ultrapassar com tranquilidade a marca de 15 aliados.
Maioria II
Essa composição oferece estabilidade para aprovar projetos, reformas e o orçamento estadual na Assembleia Legislativa. Mas uma base numerosa também exige cuidado: maioria não pode significar silêncio, submissão ou ausência de fiscalização. O desafio de Fábio será manter a governabilidade sem transformar a Assembleia em simples extensão do Executivo.
Maioria III
Dos 24 deputados estaduais, 16 foram eleitos no pleito do último domingo, dia 4 de outubro. Ou seja, apenas oito nomes que não estão na atual legislatura assumem um mandato. São eles: Zezinho Sobral (PSB); Antônio Bala (MDB); Coronel Ribeiro (PSD); Fábio Henrique (MDB); Camilo Daniel (PT); Ana Luiza (Republicanos); Fernandinho Franco (PL); e Norberto Pinto (Avante). É de se esperar que essa renovação represente melhoria no debate na Alese.
Câmara I
O grupo liderado por Fábio Mitidieri também saiu fortalecido na disputa pela Câmara dos Deputados. Entre os partidos identificados com a oposição estadual, somente o Republicanos conseguiu assegurar uma vaga, com a reeleição de Ícaro de Valmir. O resultado deixa o governador com ampla maioria entre os representantes sergipanos em Brasília e reduz consideravelmente o espaço institucional da oposição.
Câmara II
Para o Governo do Estado, isso representa maior capacidade de articulação junto aos ministérios e ao Congresso Nacional. Para os adversários, o recado foi duro: além de perderem a eleição para o Governo, não conseguiram construir uma bancada federal capaz de equilibrar a correlação de forças. Fábio venceu a disputa principal e ainda ampliou o domínio político do seu agrupamento.
Emília I
A prefeita de Aracaju, Emília Corrêa, adotou uma postura institucional ao telefonar para Fábio Mitidieri e parabenizá-lo pela reeleição. Nas redes sociais, afirmou que a vontade popular expressada nas urnas deve ser respeitada, desejou sucesso ao governador e declarou estar à disposição para manter o diálogo entre o Estado e a Prefeitura da capital. A manifestação foi correta e necessária.
Emília II
Encerrada a campanha, os interesses de Aracaju precisam estar acima das divergências políticas e eleitorais. Emília e Fábio governam as duas principais estruturas administrativas de Sergipe, e qualquer guerra permanente entre os dois prejudicaria diretamente a população. O gesto da prefeita abre uma porta; agora será preciso saber se ambos terão maturidade para mantê-la aberta.
Itabaiana I
O resultado da eleição para governador em Itabaiana merece uma análise cuidadosa. Na cidade natal e principal reduto político de Valmir de Francisquinho, a diferença sobre Fábio Mitidieri foi de apenas 9.760 votos. Valmir venceu em casa, mas o tamanho da vantagem ficou abaixo do impacto político que seu grupo esperava produzir justamente em seu maior território eleitoral.
Itabaiana II
O dado chama ainda mais atenção porque Itabaiana é administrada pelo agrupamento liderado por Valmir desde 2012. Depois de tantos anos de domínio político, com a prefeitura, lideranças locais e uma forte estrutura de mobilização, era razoável esperar uma vitória bem mais larga. O desempenho de Fábio dentro do coração político do adversário pode indicar desgaste, perda de força ou, no mínimo, a existência de uma parcela expressiva da população que já não segue automaticamente as orientações do grupo dos “Pato”.
Luciano I
Outro resultado que deve acender o sinal de alerta no grupo de Valmir foi a disputa para deputado estadual em Itabaiana. Luciano Bispo, principal adversário local do agrupamento governista, recebeu apenas nove votos a menos que Marcos Oliveira. A diferença mínima ganha enorme significado porque Marcos contava com o apoio de Valmir de Francisquinho, do prefeito Zequinha da Cenoura e de grande parte da estrutura política e administrativa do município.
Luciano II
Com tantas forças reunidas, uma vantagem de apenas nove votos está muito distante de representar uma demonstração de domínio. Pelo contrário: revela que Luciano permanece competitivo, conserva uma base eleitoral resistente e continua capaz de enfrentar a principal máquina política da cidade. O resultado certamente produzirá cobranças internas, procura por culpados e muitas conversas reservadas. Em Itabaiana, Marcos venceu numericamente; politicamente, porém, foi Luciano quem saiu das urnas demonstrando força.
Polícia Federal I
O ex-prefeito da Barra dos Coqueiros e candidato a deputado estadual Gilson dos Anjos foi conduzido à sede da Polícia Federal na manhã da eleição para prestar esclarecimentos sobre uma possível ocorrência de crime eleitoral. A abordagem aconteceu por volta das 8h20, na Rua Tenente Feitosa, no bairro Baixo. Gilson estava em uma caminhonete com outros dois homens, que também foram encaminhados à PF.
Polícia Federal II
De acordo com a PM, durante a abordagem foram encontrados dinheiro em espécie, santinhos, adesivos e três aparelhos celulares. A ocorrência foi encaminhada à Polícia Federal para investigação de possível crime eleitoral. As autoridades ainda precisam esclarecer a propriedade do dinheiro, sua finalidade e se havia alguma relação entre o valor apreendido e a tentativa de obtenção de votos.
Compra de votos
O caso da Barra dos Coqueiros não foi isolado. Balanço divulgado pela Polícia Militar às 17h do último domingo apontou 162 ocorrências relacionadas ao processo eleitoral em Sergipe. Desse total, 96 foram classificadas inicialmente como situações envolvendo compra de votos, correspondentes a 59,3% dos registros. Segundo a corporação, seis pessoas foram presas por essa prática e outros seis casos permaneciam em aberto naquele momento.
Japoatã
Uma eleitora foi presa em flagrante em Japoatã depois de tentar danificar uma urna eletrônica. A ocorrência foi encaminhada às autoridades para os procedimentos legais. O episódio foi registrado no mesmo dia em que a Polícia Militar contabilizou casos de compra de votos, boca de urna, propaganda irregular, transporte de eleitores, desobediência e violação do sigilo do voto em diferentes municípios sergipanos.
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