A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) disse que nenhum caso de coágulo sanguíneo após a aplicação da vacina Janssen (grupo Johnson&Johnson) anticovid-19 foi registrado na União Europeia (UE). Assegurou que continuará a investigar efeitos secundários.

Hoje, o comitê de segurança da EMA concluiu existir uma possível ligação entre o produto e casos muito raros de coágulos sanguíneos detectados nos Estados Unidos, mas insistiu nos seus benefícios contra a doença.

Em entrevista coletiva na sede da EMA, a diretora executiva da agência, Emer Cooke, confirmou que não foram registrados casos na UE e que na realidade o imunizante tem sido pouco usado. Muitos países, segundo ela, estão à espera do resultado da investigação para garantir a informação certa sobre o produto e permitir que seja utilizado com segurança.

Emer Cooke garantiu também que as investigações estão planejadas para continuar, “exigindo que a empresa realize estudos adicionais”.

A EMA investiga oitos casos raros de coágulos sanguíneos associados a baixos níveis de plaquetas sanguíneas, após a aplicação da vacina nos Estados Unidos, com a morte de uma pessoa, em um universo de 7 milhões de pessoas vacinadas naquele país.

Como a covid-19 está associada a um risco de hospitalização e morte, a EMA insistiu que os benefícios globais da vacina Janssen na prevenção da doença superam os riscos de efeitos secundários, apesar de defender que essas tromboses sejam listadas como efeitos secundários muito raros da vacina.

“No último fim de semana, o número global de mortes devido à covid-19 ultrapassou os 3 milhões em todo o mundo e ainda há milhares de pessoas morrendo todos os dias. Quando as vacinas são distribuídas a um grande número de pessoas, é possível que efeitos secundários muito raros ocorram”, mas isso demonstra que “temos um sistema de farmacovigilância muito bom em vigor na Europa e podemos detectá-los”, afirmou Emer Cooke à imprensa.

Entendimento semelhante teve o regulador europeu sobre a vacina da AstraZeneca contra a covid-19.

No dia 9 de abril, a EMA iniciou uma investigação sobre casos de coágulos sanguíneos após a aplicação da vacina da Johnson & Johnson contra a covid-19, dias antes de o produto chegar à UE.

No dia 13 de abril, as autoridades de saúde dos Estados Unidos recomendaram uma pausa na administração da vacina da Janssen, para investigar relatos de coágulos sanguíneos potencialmente associados ao imunizante.

A situação levou a empresa a atrasar o envio da vacina de dose única para a Europa.

Ainda assim, na última quarta-feira (14), Portugal recebeu as primeiras 31.200 doses da vacina da Janssen contra a covid-19, que estão armazenadas e aguardando uma decisão.

Ao todo, foram já distribuídas para a UE quase 178 mi doses da vacina de dose única da J&J, autorizada pela EMA em 11 de março passado, de acordo com os dados dos Estados-membros transmitidos ao Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC).

A ferramenta online do ECDC para rastrear a vacinação da UE mostra que só dois Estados-membros administraram até agora a vacina da Janssen: Polônia (28.729) e Luxemburgo (625).

Ainda de acordo com os dados do ECDC, 7,9% da população adulta da UE já estâo totalmente inoculadas (com as duas doses), enquanto 20,5% receberam a primeira dose da vacina, ainda longe da meta dos 70% estipulada pela Comissão Europeia para o final do verão.

 

Agência Brasil

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