Dados recentes publicados pela revista científica JAMA Pediatrics mostraram que quase um terço das meninas de 6 a 18 anos (30%) sofre com algum transtorno alimentar. A proporção é mais elevada que a média geral, incluindo os meninos, que apontam 1 a cada 5 crianças e adolescentes (22,4%) com um distúrbio do tipo. O trabalho contou com pesquisadores de diversas instituições, como a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, a Universidade de Castilla-La Mancha, na Espanha, a Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e a Universidade Estadual de Londrina.

Em Sergipe, a psiquiatra e professora do curso de medicina da Universidade Federal de Sergipe, Dra. Ana Raquel Santiago, é uma das referências no assunto e segue à frente de um programa que proporciona tratamento para pessoas que possuem esses transtornos na Clínica Physis em Aracaju.

Os transtornos alimentares são distúrbios do comportamento alimentar ou doenças emocionais que afetam a forma como a pessoa se alimenta, como escolhe os alimentos. “Essas doenças também geram grave sofrimento e preocupações excessivas com a forma do corpo e com a imagem corporal. Os principais transtornos alimentares são Anorexia Nervosa (AN), Bulimia Nervosa (BN) e Transtorno de Compulsão Alimentar (TCA)”, explica.

Dra. Ana Raquel Santiago, psiquiatra e professora

Pessoas com Anorexia Nervosa (AN) e Bulimia Nervosa (BN) tem uma forte insatisfação corporal que gera uma distorção da autopercepção corporal. “Há ainda o medo doentio de ganhar peso, e a busca obsessiva por maneiras de perder peso ou obsessão pela magreza, gerando grande restrição alimentar. Por outro lado, pessoas que desenvolvem TCA apresentam também grande insatisfação corporal, porém elas apresentam comportamento alimentar episódico de perda de controle frente à comida, gerando sentimentos de culpa e inadequação”, detalha Dra. Ana.

O padrão ouro de tratamento recomendado por evidências científicas é o tratamento multiprofissional, com a presença obrigatória de no mínimo o profissional psiquiatra, psicólogos e nutricionistas. “Todos os profissionais devem ser qualificados para lidar com essas doenças psiquiátricas em todas as suas nuances. Sergipe conta com um programa pioneiro de tratamento multiprofissional para pessoas com transtornos alimentares e alterações do comportamento alimentar que está disponível na Clínica Physis em Aracaju”, ressalta.

“Em junho fizemos uma grande campanha de conscientização em Sergipe, através das redes sociais, TV, rádio e outdoors espalhados por Aracaju, já que dia 02 foi o Dia Mundial de Conscientização dos Transtornos Alimentares, porém as ações educativas continuarão por todo ano, já que cada vez mais temos recebido casos de pacientes com transtornos alimentares”, finaliza a psiquiatra.

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