Na semana que celebra a Consciência Negra, o projeto sergipano ‘Alma Africana: Reconhecendo as diferenças, esperançando a equidade’, realizado por alunos e professores do Centro de Excelência Nelson Mandela, em Aracaju, ganha projeção internacional ao ser selecionado pela Northwestern University (Estados Unidos). A ação foi uma das cinco iniciativas brasileiras de referência na educação para as relações étnico-raciais selecionadas pela instituição de ensino internacional.

Entre os dias 18 e 21 de novembro, uma pesquisadora da Northwestern University estará presente na capital sergipana para acompanhar de perto as atividades do projeto, além de analisar como suas atividades têm contribuído para o fortalecimento da identidade e da valorização da cultura afro-brasileira nas escolas.

Durante sua passagem por Sergipe, a pesquisadora da universidade acompanhará de perto a dinâmica do projeto, participando de uma programação que evidencia a força cultural e pedagógica do projeto. Nesta terça-feira, 18, ela assistirá aos espetáculos ‘A Elza que vi’ e ‘Pluft, o Fantasminha (com Axé)’, no Teatro Atheneu. Já na quarta-feira, 19, fará uma excursão à CRQ Porto D’Areia, em Estância, município do sul sergipano, onde também haverá a apresentação da versão reduzida de ‘A Elza que vi’.

Na quinta-feira, 20, a pesquisadora vai participar das atividades da Semana da Consciência Negra na CRQ Mocambo, em Porto da Folha, município do alto sertão. Para encerrar a visita, na sexta-feira, 21, ela realizará a aplicação de questionários e entrevistas com estudantes do Centro de Excelência Nelson Mandela, com o objetivo de aprofundar a análise sobre o impacto do projeto no cotidiano escolar.

“A presença de uma professora e pesquisadora dos Estados Unidos acompanhando o projeto do nosso estado é grandioso, e creio que inédito na história da educação sergipana. Somos a menor unidade federativa do país, estamos no nordeste brasileiro, cinco projetos são escolhidos no território nacional e um deles é o Alma Africana. Isso para a gente é fantástico. Acho que a presença dela, essa parceria que a gente está querendo construir a partir da vinda dela, pode trazer bons resultados”, expressa o professor Evanilson França, criador da iniciativa.

Reconhecimento

Criado em 2005 pelo professor Evanilson França no Colégio Estadual Professor Benedito Oliveira, o projeto ‘Alma Africana: Reconhecendo as diferenças, esperançando a equidade’ surgiu aproximar os estudantes dos debates raciais. Inicialmente com seis ações, a iniciativa levou para a escola representantes do movimento negro, do movimento LGBTQIA+, do movimento de mulheres e de outras organizações, defendendo uma educação pública popular e socialmente comprometida.

Com o tempo, o projeto se expandiu e passou a desenvolver 13 ações estratégicas, entre elas a produção anual de espetáculos teatrais gratuitos. Em 2024, ‘A Elza que vi’ e ‘Pluft, o Fantasminha (com Axé)’, releitura negra do clássico de Maria Clara Machado, ganharam destaque.

Entre 2023 e 2024, o ‘Alma Africana’ recebeu seis premiações, incluindo dois títulos nacionais, como o Prêmio Educar com Equidade Racial e de Gênero e o Selo Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) Educação da Organização das Nações Unidas (ONU). Em 2025, já acumula mais um prêmio e aguarda o resultado de uma nova seleção nacional, previsto para o dia 27 de novembro.

Fonte, Secom – Estado.

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