Prefeito de 75 anos teve que se deslocar 131 km, até Itabaiana, para prestar boletim de ocorrência

A população do Município de Canhoba – distante 116 km da Capital sergipana – amanheceu neste domingo, 23, chocada com a ousadia dos bandidos da região do Leste Sergipano, ao saber do assalto à fazenda do próprio prefeito da cidade, Manoel Messias Hora Guimarães, conhecido como Manoel Arroz.

Por volta de 6h da manhã, cinco assaltantes armados invadiram a fazenda – localizada na entrada do Povoado Sítios Novos em Canhoba – com o objetivo de assaltá-la. Achando pouco, os meliantes ainda fizeram a família do prefeito – esposa, filho, nora e caseiro – reféns, por cerca de uma hora e meia, de acordo com o vereador do município Alberto Guimarães, que é sobrinho de Manoel Arroz.

Os assaltantes roubaram vários pertences dos familiares do prefeito e ainda quebraram armários e portas em busca de mais objetos de valor. Entre populares, ainda correu a informação que Manoel teria sido agredido, contudo, o vereador Alberto e o filho do prefeito, Márcio Guimarães, desmentiram a informação. “Graças a Deus está tudo em ordem. Só tivemos pressão psicológica mesmo. Eu estava na hora na fazenda”, diz Márcio.

“Não fizeram nada com ele (o prefeito). Só o caseiro da fazenda que foi agredido. Ele recebeu umas coronhadas das armas dos assaltantes. Claro, o sofrimento psicológico da família foi muito grande. Minha tia mesmo já está sofrendo problemas de saúde, imagine passando por uma situação dessa”, relata o vereador Alberto.

CARÊNCIA NAS DELEGACIAS
Para completar a situação, o prefeito de 75 anos, juntamente com familiares, teve que se deslocar até Itabaiana, visto que na cidade de Canhoba – bem como as cidades vizinhas, a exemplo de Propriá, Aquidabã, Cedro de São João – a delegacia não tem delegado e sequer escrivão para os cidadãos prestarem queixa no final de semana.

Bandidos invadiram fazenda do prefeito às 6 da manhã  (crédito: divulgação)

“Ele (Manoel) se deslocou até Itabaiana para fazer o registro do ocorrido, caso contrário, teria que esperar oito dias, pois, em Canhoba, só se presta queixa dia de quinta-feira. Em Propriá também não tinha ninguém para fazer o boletim de ocorrência. Por volta das 15h, eles ainda estavam lá em Itabaiana, na delegacia”, relata Alberto.

O vereador chama a atenção para a carência de policiamento de Canhoba. “A falta de segurança no Estado é grande. Não temos segurança. Na delegacia, só ficam dois policiais para uma cidade que tem entre cinco e seis mil habitantes. Para tentar prender os assaltantes, eles tiveram que entrar em contato com as delegacias circunvizinhas. Foi aí que fecharam o cerco e conseguiram prender um assaltante, que no caso era o motorista da ação”, afirma.

 

 

 

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