O uso de medicamentos para controle do diabetes e do peso, como o Mounjaro (tirzepatida), também exige atenção à saúde dos olhos em pacientes que já apresentam alterações na retina. A recomendação ganha importância especialmente para pessoas com retinopatia diabética, uma complicação do diabetes que pode evoluir sem sintomas e comprometer a visão.

A retinopatia diabética ocorre quando os níveis elevados de glicose provocam alterações nos vasos sanguíneos da retina. Nas fases iniciais, o paciente pode continuar enxergando normalmente, mesmo já apresentando alterações que precisam ser acompanhadas.

“É possível ter alterações na retina e continuar enxergando normalmente. Por isso, quem tem diabetes precisa manter o acompanhamento oftalmológico mesmo quando não percebe nenhuma mudança na visão”, explica o oftalmologista Dr. Bruno Campelo, especialista em retina.

O que muda para quem usa Mounjaro?

Estudos recentes indicam que pessoas que já apresentam retinopatia diabética avançada podem ter maior risco de progressão da doença nos primeiros meses após o início do tratamento com tirzepatida.

A questão não significa que o Mounjaro provoque retinopatia ou que seja prejudicial aos olhos. O cuidado está relacionado principalmente à rápida melhora dos níveis de glicose em pacientes que já possuem alterações importantes na retina.

“Nesses casos, o acompanhamento da retina é ainda mais importante, principalmente nos primeiros meses. Isso não significa que o paciente não possa utilizar a medicação, mas que o tratamento precisa ser acompanhado e individualizado”, orienta Campelo.

Por isso, pessoas com diabetes que já possuem diagnóstico de retinopatia devem informar o histórico oftalmológico ao médico responsável pelo tratamento e manter as consultas com o especialista em retina. A avaliação também é importante antes e durante mudanças significativas no tratamento do diabetes.

Retinopatia pode avançar sem sintomas

Um dos principais desafios da doença é justamente o seu caráter silencioso. A alteração pode evoluir sem provocar sintomas nas fases iniciais. Com o avanço, podem aparecer visão embaçada, manchas ou pontos escuros, distorções e, em casos mais graves, perda significativa da visão.

O tratamento depende do estágio da doença e pode incluir acompanhamento, medicamentos aplicados dentro do olho, laser ou cirurgia. Para o especialista, o principal cuidado é não esperar a visão piorar para procurar avaliação.

“Quando identificamos uma alteração da retina precocemente, temos mais possibilidades de acompanhar e tratar o paciente adequadamente. Quem tem diabetes deve encarar o exame oftalmológico como parte do próprio cuidado com a doença”, finaliza Dr. Bruno Campelo.

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