Nos últimos anos, os cuidados paliativos emergiram como uma abordagem crucial no campo da saúde, oferecendo conforto, dignidade e qualidade de vida para pacientes enfrentando doenças graves e terminais. Essa forma de cuidado holístico se concentra não apenas no alívio da dor física, mas também no sofrimento emocional, social e psicológico.

Os cuidados paliativos são especialmente importantes para pacientes cujas condições médicas não respondem mais ao tratamento curativo. Em vez de buscar uma cura impossível, os profissionais de saúde se concentram em maximizar o conforto e a qualidade de vida do paciente durante seus últimos dias, semanas ou meses.  “No cuidado paliativo, o doente é o centro do tratamento e buscamos sempre o controle impecável dos sintomas como dor, dispneia, vômitos, dentre outros”, explica Drª Bianca Xavier Costa.

Juntamente com outra médica, a Dra. Pérola Barros, Drª Bianca iniciou o Núcleo de Cuidados Paliativos Pediátricos do Hospital de Urgências de Sergipe (Huse) em 2018, proporcionando cuidados de qualidade para pacientes pediátricos em estado terminal. “As experiências são sempre muito intensas, mas poder proporcionar qualidade de vida e um fim digno é muito gratificante”, comenta.

Dra. Bianca Xavier Costa, médica pediatra

Em novembro de 2022, após o lançamento do Departamento de Cuidados Paliativos Pediátricos da Sociedade Sergipana de Pediatria (Sosepe), surge um grupo de trabalho que conta com equipe multiprofissional (médicos pediatras, enfermeiros, farmacêuticos, técnicos em enfermagem, fisioterapeuta, advogado, dentre outros). Esse grupo começou uma produção científica voltada para o tema no estado de Sergipe. Em 2023, foi realizado o 1º Simpósio Sergipano de Cuidados Paliativos Pediátricos.

“O cuidado paliativo pode andar junto com o cuidado curativo. Como exemplo no início do diagnóstico de um câncer tratável. Na abordagem, nós procuramos entender os anseios e necessidades daquele paciente e de seus cuidadores. Não há uma receita pronta, para cada paciente realizamos um plano de cuidados baseado nas suas vontades, crenças, costumes”, explica a médica.

É crucial destacar que os cuidados paliativos não significam abandonar o tratamento médico. Pelo contrário, podem ser integrados aos tratamentos curativos ou prolongadores de vida, proporcionando um suporte adicional e melhorando a qualidade de vida do paciente. “Isso proporciona uma melhoria significativa na qualidade de vida, permitindo que os pacientes enfrentem o fim da vida com dignidade e conforto”.

De acordo com a médica, ainda há muitos mitos e desconhecimento acerca do tema, não só na população em geral, mas no meio de saúde também. Segundo ela, é importante ampliar o olhar oferecendo cuidados paliativos para àqueles que são elegíveis, pois esse cuidado é essencial para garantir mais qualidade de vida e uma morte com menos sofrimento. “Quando não puder curar, aliviar”, finaliza.

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