Trio Maluco Sabal é formado por filhos do Mestre do Reisado Marimbondo e Ararão do Nordeste por avô, filho e neto

 

A Vila do Forró, espaço promovido pelo Governo de Sergipe, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê (Funcap), é vitrine para o artista local apresentar o forró tradicional e fortalecer o sentimento de pertencimento, que ultrapassa gerações. Alguns desses artistas são o Trio Maluco Sabal, formado pelos filhos do Mestre Sabal, que também participam do Reisado Marimbondo, e o Trio Ararão do Nordeste, que tem três gerações na sua formação: avô, filho e neto do fundador. Os dois têm, além do pé de serra, a formação familiar.

Dos 74 anos de vida de Gildo Ferreira, mais conhecido por Ararão do Nordeste, 50 anos foram dedicados à música, tocando acordeon. Ararão é servidor público aposentado, mas tocar no trio pé de serra é uma satisfação, e ainda mais por ver que dois filhos e um neto já trilham o mesmo caminho que o seu. “A música é tudo na minha vida, porque ela descontrai a gente. É importante manter a tradição da música raiz, original. Fico feliz em ver que eles darão continuidade”, afirma.

O músico Gilvan Lima começou a acompanhar o pai nas apresentações aos dez anos de idade. Aos 17 anos, lançou carreira solo, mas nunca deixou de participar de shows com o pai, nem o trabalho como vigilante, sua principal fonte de renda. “Meu pai é mestre, foi quem me ensinou e colocou nossa família na música. Isso vai até o final de nossas vidas. Eu tenho 25 anos tocando o forró, autêntico”, relata.

Assim como o avô e o tio, Wagner Lima também escolheu a música para a vida dele. Ele conta que desde que estava na barriga da mãe havia se apaixonado pelo barulho da zabumba, sanfona e triângulo. “Não tem sensação melhor do que estar com a sua família se apresentando e levando o melhor do forró pé de serra para turistas e sergipanos. Só vejo isso, o forró na minha mente”, diz.

O tradicional Reisado do Marimbondo, em Pirambu, fez surgir o trio Maluco Sabal, composto pelos três filhos do Mestre Sabal: Beto, Nen e Delge. Dos 53 anos de vida de Elenísio dos Santos, o Delge, 43 foram  dedicados à zabumba. “Se Deus me permitir, quero continuar no reisado para preservar essa tradição. A formação do trio em apresentações é uma forma que encontramos para diversificar o nosso trabalho”, afirma.

Delge toca triângulo há 25 anos e comenta que o gosto pela música está no sangue. Sua filha de apenas sete anos já mostra habilidade com microfone e também com o triângulo. “É uma alegria ver o interesse dela sem eu precisar pedir”, comentou.

José Alberto dos Santos, o Beto, começou a mexer com o acordeon aos 16 anos. Aos 48, ele promete que não deixará o reisado nem o pé de serra de lado. “Meu pai, o mestre Sabal, traz ensinamentos para todos nós, pede para que a gente não deixe essa tradição acabar e nós prometemos que levaremos para frente”, conclui.

Reisado de Sabal 

Antônio dos Santos, 76, é mais conhecido como mestre Sabal do Reisado Marimbondo, em Pirambu. Dono de uma risada única, Sabal começou a “pisar” com 10 anos, quando representava a figura do boi, mas tornou-se Mestre e assumiu o lugar do Palhaço Mateus aos 16 anos.

Ele lidera o grupo folclórico, considerado familiar, pois brincam a mulher, oito filhos, netos e bisnetos, num total de 30 pessoas. O reisado é um compromisso muito importante, deixado pela sua mãe e que Sabal pretende cumprir até morrer. Essa tradição tem mais de 200 anos de história e resistem há várias gerações.

 

Fonte: Agência Estado – SE

Foto: Eliane Cardoso

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