
Empresas sergipanas que investem na valorização feminina e no combate à violência de gênero passam a ser reconhecidas oficialmente pelo Governo do Estado. Nesta terça-feira, 24, a Secretaria de Estado de Políticas para as Mulheres (SPM) realizou a entrega do Selo Social Empresa Amiga da Mulher, certificação que destaca iniciativas voltadas à construção de ambientes de trabalho mais seguros, igualitários e respeitosos.
Criado pela Lei nº 9.343/2023, o selo busca incentivar práticas institucionais que promovam a equidade de gênero e o enfrentamento à violência contra a mulher. Entre os critérios estão o apoio a colaboradoras em situação de vulnerabilidade, além de ações educativas sobre assédio moral e sexual dentro das empresas.
Ao todo, 23 empresas foram certificadas nesta primeira edição, reconhecidas por desenvolverem políticas internas de valorização das mulheres e promoção da igualdade de oportunidades. As empresas contempladas poderão utilizar o selo por até dois anos em seus materiais institucionais e publicitários. Além disso, assinam uma carta-compromisso com o Estado, reforçando a continuidade dessas práticas.
A iniciativa vai além do reconhecimento e propõe uma mudança de cultura dentro das organizações. A secretária de Estado de Políticas para as Mulheres, Georlize Teles, explicou que o selo busca incentivar o respeito e a construção de novos comportamentos no ambiente corporativo. “O selo vem valorizar e reconhecer, no estado de Sergipe, as empresas que têm esse compromisso. A ideia é que, especialmente no ambiente de trabalho, que é quase uma segunda casa, o respeito seja a linguagem que permeie toda a organização”, pontuou.
A secretária também destacou que o selo fortalece o posicionamento das empresas no mercado. “A empresa que recebe esse selo mostra que está alinhada às políticas de equidade de gênero, e isso, hoje, é um diferencial”, evidenciou.
Enfrentamento à violência e equidade de gênero
Para as instituições, o selo representa o reconhecimento de práticas já adotadas no dia a dia e reforça o compromisso com o fortalecimento dessas ações. A diretora-presidente do Grupo Sergipe, Carolina Franco, destacou que a certificação reconhece um trabalho já desenvolvido pela empresa. “Esse selo é muito importante para todos nós. É o reconhecimento de que estamos no caminho certo. Hoje, temos muitas mulheres ocupando cargos de liderança e buscamos valorizá-las no dia a dia”, afirmou.
A certificação também evidencia o papel das empresas no enfrentamento à violência contra a mulher, especialmente diante dos casos registrados no país. O CEO da Rede Primavera, Marcelo Vieira, ressaltou a importância do acolhimento e suporte às colaboradoras. “A Rede Primavera é formada majoritariamente por mulheres, sendo 75% do nosso quadro. Cuidar dessas colaboradoras no dia a dia, não só dentro do ambiente de trabalho, mas, também, fora dele, acolher aquelas em situação de vulnerabilidade ou vítimas de violência doméstica, é fundamental para que possamos cumprir nossa responsabilidade social. Oferecemos canais de denúncia, suporte psicológico e jurídico, além de acolhimento”, reforçou.
Além do reconhecimento institucional, o selo incentiva a adoção de políticas concretas de proteção e acolhimento dentro das organizações. O CEO da 3Tecnos, Rogério Cardoso, afirmou que as empresas têm papel fundamental na proteção das mulheres. “É um reconhecimento do nosso trabalho. Sabemos que o feminicídio está aí e, como sociedade e como empresa, precisamos atuar para levar mais segurança e informação às mulheres. Muitas só conseguem sair do ciclo de violência com apoio e orientação. Temos esse papel”, ressaltou o representante da empresa que desenvolveu, em parceria com o Governo do Estado, o aplicativo SOS Maria da Penha, ferramenta focada no combate à violência doméstica e na proteção feminina.
Outro aspecto destacado é o cuidado com o ambiente interno e o suporte às colaboradoras. As representantes do Hospital de Olhos Santo Antônio (HOSA), Paula Louzada e Ivana Costa Gueller, ressaltaram o compromisso da instituição com o acolhimento feminino. “Recebemos esse selo com muita alegria, porque já temos esse olhar voltado ao cuidado com a mulher e ao acolhimento dentro da empresa”, considerou.
A advogada criminalista e presidente do Instituto Ressurgir Sergipe, Valdilene Oliveira, chamou atenção para a necessidade de conscientização das empresas e da sociedade sobre a realidade enfrentada por mulheres vítimas de violência. “Tive três clientes com medidas protetivas que foram demitidas após os empregadores tomarem conhecimento da situação. A mulher vive um verdadeiro dilema: se não conta, fica em risco; se conta, pode perder o emprego. Muitas têm medo, se isolam e acabam desassistidas. Por isso, precisamos ajudar a mulher enquanto ela está viva. Todo feminicídio é evitável. Muitas vezes ele acontece porque essa mulher foi abandonada, desacreditada ou não recebeu o suporte necessário”, frisou.
Segundo a advogada, a vulnerabilidade social também impacta diretamente essas vítimas. “A maioria das mulheres que atendemos é negra, tem baixa escolaridade e filhos para criar. Muitas não têm, sequer, documentos, roupas ou recursos para se deslocar até uma audiência. É uma realidade muito dura, que exige responsabilidade de toda a sociedade”, completou.
Edital 2026
Durante o evento, também foi anunciado o lançamento do edital de 2026, que deve ampliar a participação de novas empresas na iniciativa. Georlize Teles explicou que a nova seleção permitirá que mais instituições integrem a política pública. “No dia de hoje, já lançamos o edital de 2026 para que outras empresas compreendam a importância de participar. A iniciativa reforça o compromisso do Governo de Sergipe com a promoção de uma sociedade mais justa, incentivando o engajamento das empresas na prevenção da violência e na valorização das mulheres em diferentes espaços”, destacou.
Fonte, Secom – Estado.
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