Por Shirley Vidal

Foi a partir de fundamentos budistas que o mindfulness surgiu e se desenvolveu. Contudo, não se trata de uma prática religiosa. Em 1970 a técnica meditativa foi contemplada como um programa da Universidade de Massachusetts (EUA) com objetivo de reduzir o estresse da comunidade acadêmica. O projeto saudável universitário se tornou modelo de boa prática para o bem-estar dos indivíduos e foi difundido em outras regiões.

O mindfulness também é conhecido como uma meditação para despertar a atenção plena. Nela, o praticante aprimora sensações e acalma a mente. Para André Britto, mentor que já iniciou mais de mil pessoas na prática, a maioria das pessoas associa mindfulness apenas a uma técnica. “Mindfulness é mais que isso, é um estado da nossa mente, uma forma de olhar a vida acontecendo momento a momento e querer prestar atenção a ela com
cuidado e discernimento, seja esse instante prazeroso ou não”, ensina André.

Britto alega que os instrutores de mindfulness, em sua maioria, são os que mais precisam praticar: “sou inquieto por natureza e tenho praticado bastante desde 2010.”

Os programas de mindfulness têm estruturas meditativas onde a condução é para o praticante observar sentimentos e pensamentos. “O que chamamos de mindfulness como técnica são as meditações e exercícios que têm por objetivo desenvolver algumas habilidades como atenção, foco, concentração, percepção e clareza mental.

Mindfulness é viver o aqui e agora retirando a carga desnecessária que a nossa mente produz. É um estado de presença onde você pode se perceber, se julgar e se cobrar menos”, explica o mentor.

A Ciência e o Mindfulness
Alguns cientistas investigam sobre como a técnica meditativa é capaz de alterar a estrutura cerebral. No avanço dessa compreensão, os benefícios apontam a atenção plena como capaz de mudar padrões de atividade cerebral, a exemplo de como os neurônios se comunicam.

Britto conta que atualmente existem muitos estudos que apresentam evidências sobre a eficácia de mindfulness para diversos perfis de pessoas. Um desses estudos é o ensaio clínico TAME – Tratamento para ansiedade: meditação e escitalopram, publicado na revista médico científica JAMA Psychiatry. “Sem querer me ater aos resultados do estudo, destaco que pessoas com praticamente todos os tipos de ansiedade podem praticar mindfulness e se beneficiar. Além disso, a prática regular de mindfulness já se mostrou eficiente para pacientes depressivos, pessoas com dores crônicas, como fibromialgia, pacientes com lúpus e pessoas convivendo com o vírus HIV, entre outros casos”, detalha André.

Intervenções médicas analisaram participantes diagnosticados com transtornos psiquiátricos de mais de 140 grupos amostrais. O estudo científico publicado em 2018 concluiu que o mindfulness era melhor do que não ter nenhum tratamento. A análise pública disponível em (https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/29126747/) associa as prescrições de psicotrópicos feitas pelos médicos ou a psicoterapia, junto à meditação de atenção plena como aliada no tratamento, contribuindo na evolução positiva dos quadros clínicos.
Embora seja importante lembrar que o mindfulness auxilia pacientes convivendo com comorbidades ou transtornos, o princípio fundamental da prática é a manutenção da saúde e do autocuidado.

Mente inquieta?
O volume de informações em circulação, a quantidade de ofertas de redes sociais, mensagens e barras de notificação nos dispositivos provocam uma ampla aceleração nos processos mentais. É como treinar o cérebro para viver em um looping acelerado. O cansaço mental é recorrente entre as pessoas e o mindfulness pode ser um recurso inestimável para o alívio de tensões.

Os relatos de pacientes vão desde às distrações, aos pensamentos intrusivos e reflexivos que geram ansiedade e estresse. O canal da psicóloga Aidda Pustilnik no youtube dispõe de palestras e aulas com aprofundamento no desenvolvimento do sentir, ao invés de somente inteligir diante das reações emocionais. Respiração consciente, aula do coração, espaço do silêncio, são alguns dos temas abordados e instigados para a prática no canal da psicóloga.

Alguns cursos sobre Mindfulness, como o da PUC, dispõem ementa para promover habilidades tais como: pausa transacional, meditações de escuta atenta e de mão no coração, compaixão, programação do cérebro, redes cerebrais, segurança psicológica no trabalho, treino atencional, dentre outros.

André conta que ao adotar o mindfulness as melhorias são bem relativas, dependendo de cada caso. “Vai variar de pessoa para pessoa, mas é possível que de seis a oito semanas de prática já seja um período suficiente para se ter as primeiras experiências de manejos com os sintomas depressivos e/ou ansiosos”, pontua o especialista.
Ele conta que mesmo não havendo contraindicações absolutas para a prática de mindfulness, é importante que pessoas em fase aguda de qualquer transtorno mental severo evitem praticar, principalmente os indivíduos diagnosticados com psicoses. “Nesses casos quase não há efetividade no uso de mindfulness para essa população em momentos de agudização ou crise”, conclui André, que atende como terapeuta para cura do trauma em consultório, realiza palestras e educa os meus filhos com presença e alegria. Através do Instagram @olharpradentro e do site olharpradentro.com.br André contribui com dicas de mindfullness e divulga a agenda dos cursos que disponibiliza.

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto: André Britto já iniciou mais de mil pessoas no Mindfulness. Na foto, mentora o seu filho na prática

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