A médica aracajuana, Beatriz Todt, nos conta nessa entrevista como diagnosticar alergia alimentar e quais tratamentos mais eficazes. Atualmente residindo em São Paulo, Beatriz conta que vem de uma família médicos. “Eles são minha maior inspiração para sempre buscar a minha melhor versão na medicina. Cursei faculdade na Universidade Tiradentes, em Aracaju e logo após fui a São Paulo para realizar minhas residências”, relata a médica.
Beatriz primeiro se especializou em Clínica Médica, no Hospital Israelita Albert Einstein e depois em Alergia e Imunologia na FMUSP-SP, especialidade a qual eu atua e afirma ser apaixonada. “Atualmente ainda estou na USP como preceptora da residência e atendo em uma clínica de SP, a CROCE, onde atendo presencial e por telemedicina, tanto criança como adulto”, conta. Pacientes podem acompanhar as dicas de saúde pelo Instagram @beatriz.todt. Confira o nosso bate-papo.

Shirley Vidal (SV) – Como o paciente poderá realizar diagnóstico sobre alergia alimentar?
Beatriz Todt (BT) – A anamnese, ou história clínica, é fundamental para o diagnóstico na alergia alimentar. A investigação deve ser minuciosa e inferir sobre a relação causal entre a ingestão dos alimentos e o aparecimento dos sintomas, os tipos de sintomas, a reprodutibilidade, ou seja, o fato de acontecer toda vez que o indivíduo entra em contato com aquela proteína e idade de início das reações. Após esta importante etapa, podemos prosseguir para alguns exames laboratoriais específicos, úteis apenas em determinados tipos de alergia. Ainda nestes casos os exames devem ser interpretados cuidadosamente à luz da história clínica, uma vez que isoladamente podem confundir ainda mais o diagnóstico.

SV – Poderia especificar o tipo de exame?
BT – O Teste de provocação oral, conhecido como TPO, entra na próxima fase, após história
clínica e exames de sangue, é considerado padrão ouro no diagnóstico. O teste consiste na oferta do alimento para o paciente em ambiente adequado e controlado, com total segurança e supervisão de um especialista para o caso de apresentar alguma reação.

**SV – Alguns pacientes se queixam de isolamento social em fases agudas da alergia
alimentar. Tem como amenizar os desconfortos?*
BT – É evidente que a alergia alimentar tem impacto na qualidade de vida dos pacientes e
dos seus familiares. Muitos fatores podem afetar a qualidade de vida relacionada à alergia alimentar de uma criança, principalmente sua idade, gravidade da alergia alimentar e histórico de reações. A importância da educação sobre alergia alimentar deve ser enfatizada, não apenas para o paciente e seus cuidadores, mas também para as famílias e comunidades. Garantir que os pacientes e os seus cuidadores compreendam como gerir a sua alergia alimentar e tenham um plano de ação claro em caso de exposição acidental são
fundamentais para ajudar a aliviar o stress acrescentado por um diagnóstico de alergia alimentar. A confiança e relação médico e paciente é muito importante nesse momento inicial.

SV – Há cura para alergia alimentar?
BT – Até pouco tempo atrás, pessoas com alergia a um determinado alimento como o leite e ovo tinham de eliminá-lo da sua dieta e esperar até que a tolerância oral acontecesse espontaneamente. Hoje evoluímos muito em relação ao tratamento das alergias alimentares, a imunoterapia oral ou dessensibilização oral, que consiste em oferecer a proteína do alimento em uma quantidade extremamente pequena, de forma repetida e progressiva, como se estivesse ensinando o organismo a deixar de reconhecer aquele alimento como estranho. Este é um grande avanço no tratamento de alergias alimentares, pois a dessensibilização diminui a probabilidade de reações fatais em exposições acidentais, porém é importante ressaltar que, até o momento, este é um efeito transitório e que depende inteiramente da exposição diária ao alérgeno.
*SV – Do ponto de vista científico, por que tem aumentado tanto os casos de alergia
alimentar?*
BT – Em 2021, um novo alimento entrou para a lista dos principais alérgenos, transformando “The Big 8” em “The Big 9”. Conhecidos como alérgenos “The Big 9”, eles são responsáveis ​​por 90% das reações alérgicas a alimentos. São eles: leite, ovos, nozes, peixes, crustáceos, mariscos, trigo, soja e gergelim. De fato, vem-se observando um aumento nos casos de alergia alimentar. Acredita-se que esteja relacionado às mudanças do estilo de vida, como consumo de alimentos industrializados, aumento do uso de antibióticos no primeiro ano de vida, poluição, entre outras mudanças. Apesar do aumento da prevalência das alergias alimentares, o excesso de diagnósticos é ainda mais expressivo. Enquanto a falta do correto diagnóstico pode acarretar sintomas graves, potencialmente fatais, a restrição desnecessária também acaba por levar a estigmas nutricionais, psicológicos e sociais. O diagnóstico e tratamento deve ser realizado por médico experiente, preferencialmente um alergista.

*SV – Há algum tipo de prevenção para não desenvolver esse tipo de alergia? Há
predisposição genética?*

BT – Embora não haja na literatura uma padronização em relação a prevenção de alergia
alimentar, sabemos que o não atraso da introdução alimentar aproveitando a janela
imunológica pode prevenir possíveis alergias, assim como o aleitamento exclusivo até
os 6 meses se mostrou benéfico. Outro ponto que merece destaque: não há indicação
de se evitar nenhum alimento como forma de prevenção, seja na dieta da gestante, da
mãe que amamenta ou da própria criança. A genética tem forte influência na prevalência das alergias alimentares. Uma criança tem um aumento de sete vezes no risco de alergia a amendoim se tem um dos pais e/ou irmão acometidos. Entretanto, pesquisas fundamentam que, por si só, alterações ou fatores genéticos não explicam a prevalência crescente de alergia alimentar.

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