No imbróglio estabelecido entre o governo federal e o Congresso Nacional, que suspendeu a votação do Orçamento da União para o exercício de 2025, estabeleceu-se uma narrativa de que a pressão do parlamento em relação ao Poder Executivo estaria influenciando no aumento nos preços dos alimentos. O Tesouro Nacional optou por “dar o troco” no Agronegócio brasileiro suspendendo as novas linhas de financiamento agrícola do Plano Safra.

A medida incomodou ainda mais os empresários que avaliaram como uma espécie de “punição”, por parte do governo Lula, para aquele setor que menos “fecha” com o petista para o projeto de reeleição em 2026. De um lado o Executivo tenta responsabilizar o Agro por suposta exploração e alta nos preços dos alimentos; do outro lado os investidores optaram por reduzir a produção temendo a instabilidade na economia e de quem dirige a Nação, e dar tempo ao tempo…

Só que nesta disputa quem mais é prejudicado finda sendo o mais pobre, aquele depende de investimentos do governo, o consumidor que acaba pagando mais caro para conseguir levar para casa aquilo que é básico para a sua subsistência. Não é de agora que o governo Lula vem pecando na relação institucional com o Congresso, seja a Câmara dos Deputados, seja o Senado Federal. Existem falhas gritantes de interlocução, sobretudo sobre a capacidade de diálogo e articulação com o Legislativo.

Num País tão dividido do ponto de vista político, talvez fosse interessante o governo Lula tentar desobstruir os obstáculos criados pela oposição, dialogando, tentando construir um entendimento. Mas a impressão é que o presidente da República e seus principais auxiliares entendem que o petista não precisa “ceder” para o Congresso e talvez a melhor alternativa fosse deixar “esticar a corda”, “pagar para ver”! Só que essa aposta não tem dado certo e a popularidade do presidente segue desabando.

Havia uma expectativa enorme para a necessária reforma ministerial do governo Lula, mas a indicação da presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann, para a Secretaria de Relações Institucionais foi vista com preocupação: muitos entendem que a nova auxiliar possui dificuldades na interlocução, principalmente com quem é adversário do presidente, que devem ficar ainda mais distantes; já os aliados entendem que o governo deveria diminuir as tensões, ser mais humilde e buscar o diálogo ampliado.

Lula não está bem avaliado, tem crise de popularidade e esse movimento de indicar Gleisi é mais voltado ao PT. É uma demonstração de que o presidente está mais preocupado agora em articular sua reeleição do que em tentar encontrar soluções para o País. Está claro que os próximos passos do governo serão de usar a “força da caneta” e focar em 2026. Já o povo deixou de ser prioridade, em especial aquela parcela mais pobre, e terá que “apertar os cintos” e rezar muito para sobreviver até lá…

(*) Por Habacuque Villacorte, jornalista e editor do Cinform On Line

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