Às vezes, por falta de bons assessores, um gestor ou outro comete tolices. Os velhos monarcas viviam cercados de seus áulicos, sujeitos empertigados que se imaginavam detentores de vasto conhecimento sobre tudo que havia no mundo, e arvoravam-se de orientar o rei desde a fabricação de pregos até atracação de navio.

Vocês podem até não acreditar, mas os áulicos sobrevivem e, porque não conhecem a natureza de sua mediocridade, arrombam com qualquer governante que não consiga, ou não queira, livrar-se deles. Eles são visguentos, são puxa sacos, são insensatos, são predadores de reputações… São, resumindo, uma desgraça para qualquer prefeito ou governador.

Estou falando isso porque me recuso a crer que Edvaldo Nogueira, notório comunista de raiz, tenha, de lavra de sua vontade, movido ação judicial contra o presidente de um sindicato de trabalhadores que, simplesmente, defendia trabalhadores, em uma ação que foi a principal bandeira de lutas do velho comunista.

Tudo surgiu a partir de um episódio obscuro, em que a Prefeitura de Aracaju laborou em equívoco contratando, sem licitação e sem clareza uma empresa detentora de capital social de R$20 mil reais para arcar com um compromisso de mais de R$2 milhões de reais, e que tem utilizados servidores públicos na execução de suas tarefas contratuais, segundo o presidente do Sindicato dos Médicos denunciou em emissora de rádio.

A postura vai de encontro ao discurso de uma vida, o que torna o prefeito passível de um julgamento cruel da sociedade que faz uma pergunta simples e direta: ele mentiu a vida inteira sobre sua ideologia ou o “velho comunista se aliançou” com o capitalismo selvagem, em uma verdadeira conversão só vista entre os novos seguidores de um evangelho?

Processar o sindicato nunca foi, não é e jamais será o melhor caminho, até porque o seu presidente estava apenas fazendo seu trabalho de representar uma classe que estava, de fato, sendo humilhada pelo arbítrio e o descaso do prefeito eleito pelos aracajuanos.

Então, nobre representante do povo, ainda é tempo de dizer um não aos áulicos que te cercam, retirar o processo da Justiça e sentar-se à mesa com o sindicato, que lhe foi sempre tão caro, para buscar uma solução compartilhada, fazendo valer o seu velho discurso de participação popular, pois os médicos são o povo de branco, cor da paz.      

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