Falta pouco para o início oficial da campanha eleitoral. As convenções partidárias fecham as chapas, confirmam candidaturas e revelam as alianças que disputarão o comando de Sergipe e as vagas no Senado, na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa. Depois de meses de especulações, encontros reservados e declarações calculadas, os projetos finalmente começarão a ser apresentados de maneira mais clara ao eleitorado.

É um momento especialmente importante para a democracia. A eleição não deve ser tratada apenas como uma disputa entre grupos políticos, famílias tradicionais ou lideranças que tentam preservar espaços de poder. O processo eleitoral representa a oportunidade de a população avaliar quem possui preparo, compromisso e propostas concretas para enfrentar os problemas de Sergipe. Mais do que escolher nomes, o eleitor decidirá quais prioridades deseja colocar no centro da administração pública e da representação parlamentar.

O debate precisa superar as provocações pessoais, os ataques nas redes sociais e a tentativa de importar para Sergipe todas as disputas ideológicas nacionais. O estado possui desafios próprios e urgentes. A população quer saber como os candidatos pretendem melhorar a saúde pública, reduzir as filas e fortalecer o atendimento no interior. Quer conhecer propostas para educação, geração de emprego, segurança, infraestrutura, abastecimento de água, desenvolvimento econômico e proteção social. O eleitor sergipano não pode ser chamado apenas para escolher um lado; precisa ser respeitado com soluções possíveis.

Também será necessário observar as candidaturas proporcionais. Deputados estaduais e federais exercem funções decisivas, embora frequentemente recebam menos atenção do que os concorrentes ao governo e ao Senado. Cabe ao eleitor analisar trajetórias, atuação parlamentar, coerência política e compromisso com os municípios. Não basta votar em alguém porque recebeu uma indicação de última hora ou porque o candidato apareceu ao lado de uma liderança popular. Representação política exige responsabilidade, fiscalização e presença depois que as urnas são fechadas.

Os próprios candidatos precisam compreender que a sociedade está mais atenta. Discursos genéricos, promessas impossíveis e alianças justificadas apenas pela conveniência terão de enfrentar questionamentos. Quem está no governo deve prestar contas do que realizou e do que deixou de fazer. Quem está na oposição deve apresentar alternativas, demonstrando como pretende financiar e executar aquilo que promete. Criticar é indispensável, mas governar exige planejamento.

Nas próximas semanas, o volume de propaganda crescerá e as redes sociais serão tomadas por vídeos, jingles, cortes de entrevistas e discursos cuidadosamente produzidos. Caberá ao eleitor separar comunicação de realidade. Uma campanha competente pode tornar um candidato conhecido, mas não transforma improvisação em preparo nem apaga contradições. É preciso comparar informações, desconfiar de conteúdos manipulados e acompanhar fontes responsáveis.

Sergipe terá diante de si uma escolha relevante. O voto não deve ser movido apenas pela paixão, pela rejeição ou pela pressão de grupos políticos. Este é o momento de ouvir, questionar, comparar e decidir com consciência. A eleição pertence aos candidatos durante a propaganda, mas o futuro pertence ao eleitor no instante do voto.

Por Fábio Viana da equipe CinformOnline

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