
A campanha entrou nos últimos dias com boa parte dos discursos já conhecida. Agora, a política deixa o palco e começa a enfrentar a matemática. A pesquisa do instituto ECM, realizada em 30 municípios sergipanos entre os dias 16 e 19 de setembro, mostra Fábio Mitidieri com 45,4% das intenções de voto e uma vantagem de 19,13 pontos percentuais sobre Valmir de Francisquinho no cenário estimulado.
Quando são considerados apenas os votos válidos, Fábio alcança 56,56%, resultado que aponta a possibilidade concreta de definição ainda no primeiro turno. O levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o número SE-06147/2026. Mais do que contar prefeitos, carreatas, estrutura, apoios, o resultado da eleição do próximo domingo permitirá medir quem realmente tem influência, quais candidaturas proporcionais construíram bases consistentes e onde os acordos políticos funcionaram apenas no discurso.
No interior, cada município produzirá seu próprio resultado, seus vencedores locais e suas derrotas particulares. Tudo isso já com terreno preparado para 2028. Isso mesmo. Já na próxima segunda-feira, dia 5, os políticos “viram a chave” e estarão de olho em 28. A urna não entregará apenas os eleitos: revelará o peso verdadeiro de cada liderança.
Matemática
Para Valmir de Francisquinho, a tarefa dos últimos dias não consiste somente em aumentar o tom contra o Governo. O desafio é matemático: reduzir a distância, conquistar parcela expressiva dos indecisos e, ao mesmo tempo, impedir que Fábio ultrapasse a metade dos votos válidos. Isso exige crescimento simultâneo em diferentes regiões. Valmir precisa abrir novos territórios, e o tempo para essa expansão ficou curto.
Prefeitos I
Entre todos os prefeitos do estado, apenas Valmir de Francisquinho renunciou ao cargo que ocupava para encarar uma campanha. Ou seja, os líderes municipais serão, mesmo que indiretamente, submetidos a uma espécie de avaliação indireta. O desempenho dos candidatos apoiados por cada gestor será utilizado para medir prestígio, capacidade de articulação e controle sobre o próprio agrupamento político.
Prefeitos II
Esta é uma avaliação que precisa ser feita com cuidado. Nenhum prefeito é proprietário dos votos de um município. Ainda assim, diferenças muito grandes entre a expectativa anunciada e o resultado apurado terão consequência política. Depois da eleição, haverá gestor comemorando a vitória estadual e outros tentando explicar a derrota dentro de casa.
Segundo voto
A primeira escolha para o Senado costuma ser organizada. O segundo voto é que se tornou o grande território de disputa. Grupos municipais que apresentam apenas um candidato deixam espaço para que o eleitor complete a chapa com um nome pertencente a outro agrupamento. Esse segundo voto pode ser uma grande surpresa nesta eleição. É importante lembrar que se o eleitor digitar duas vezes o número do mesmo candidato, o segundo voto será anulado.
Vereadores
Se tem uma figura importante nesta eleição é quem está na ponta, dialogando diariamente com a população. Na reta final, os vereadores ganham importância porque conhecem o eleitor pelo nome, identificam as resistências locais e percebem mudanças de humor que dificilmente chegam às coordenações estaduais. São eles que circulam onde grandes atos e campanhas digitais nem sempre alcançam.
Urnas
Enquanto os candidatos intensificam agendas, a Justiça Eleitoral iniciou a etapa concreta da eleição. Depois da carga e lacração, o transporte das urnas para os municípios do interior foi programado para ontem, 29, e hoje, 30. Vários caminhões viajam o estado levando as máquinas. É uma logística muito grande, trabalhosa e detalhista. A Justiça conta com apoio da polícia.
Renúncia no PL I
A reta final trouxe mais uma baixa para a chapa de Ricardo Marques (PL). Érico Menezes anunciou nesta terça-feira, 29, a renúncia à candidatura de vice-governador, alegando razões familiares. Segundo Érico, sua esposa atravessa um período delicado de saúde e ele decidiu priorizar a família. É a segunda desistência de um vice na chapa do PL nesta eleição: anteriormente, Pastora Salete também havia deixado a disputa.
Renúncia no PL II
Ricardo afirmou que permanece candidato ao Governo. Ainda na noite de terça, porém, elevou o tom político ao afirmar que o governador Fábio Mitidieri teria curtido nas redes sociais a publicação em que Érico comunicou a saída. A partir disso, Ricardo levantou a hipótese de que a renúncia pudesse ter sido articulada ou alinhada com o governador. Uma ilação descabida, absurda e perigosa.
Mais um vacilo
O problema é que Érico apresentou uma razão de ordem familiar para deixar a disputa e não há, até aqui, evidência pública de qualquer acordo político por trás da decisão. Ao lançar uma suspeita dessa natureza, Ricardo acaba colocando sob dúvida não apenas a palavra de quem foi seu próprio companheiro de chapa, mas uma justificativa que envolve diretamente a família de Érico. É um fim melancólico para a campanha de Ricardo.
Diogo e Fábio I
Tá aí um cabo eleitoral de primeira ordem: o prefeito de Carira, Diogo Machado. Ele segue em campo diariamente reforçando o apoio à reeleição do governador Fábio Mitidieri. Diogo tem sido incansável e levando em toda Carira o nome do seu candidato ao governo. E a justificativa para todo esse empenho é simples e direta: o volume de obras e serviços levados pela gestão de Fábio ao município.
Diogo e Fábio II
São obras já concluídas, a exemplo da requalificação da avenida principal da cidade, pavimentação de ruas, a nova Creche Ameei e da nova base do Pelotão de Caatinga, além de outras que estão em andamento, como a reconstrução do Mercado Municipal, estrada que liga Carira ao Povoado Bonfim e a que liga Frei Paulo (povoado Alagadiço) a Carira (povoado Carreiro).
Diogo e Fábio III
Diogo Machado cita ainda os mais de mil carirenses atendidos pelo Opera Sergipe e a chegada da fábrica da Di Valenti. “Fábio sim tem compromisso com Carira e tem compromisso com Sergipe”, destaca o prefeito, que também vota em Rogério Carvalho e André Moura para o Senado; Fábio Reis é o candidato dele a deputado federal, Maisa Mitidieri é a candidata a estadual e para presidente, Diogo anunciou que irá votar em Lula.
Propriá
Durante entrevista à Propriá FM, o prefeito Luciano Nascimento ressaltou a responsabilidade que o eleitor terá no dia 4 de outubro ao escolher os seus representantes pelos próximos quatro anos (oito no caso dos senadores). Ele reforçou ainda o seu apoio ao governador Fábio Mitidieri, destacando os mais de R$ 100 milhões em obras levados pelo Governo para Propriá nos últimos dois anos. “Tudo o que a gente pede ele tem autorizado. E a gente não pode deixar de reconhecer isso”, declarou.
Debate sem tempero
Quem esperava que o debate da TV Sergipe incendiasse a reta final provavelmente terminou a noite frustrado. O encontro teve confrontos e críticas, mas pouco produziu de realmente novo para o eleitor. Sem Fábio Mitidieri no estúdio, os adversários tiveram espaço para apresentar suas posições, mas faltou um fato político capaz de dominar o dia seguinte.
Fábio escolheu as ruas
A ausência de Fábio Mitidieri no debate da TV Sergipe foi uma decisão assumida pela própria coordenação da campanha. Em nota, o grupo afirmou que preferia manter o foco na apresentação de resultados e propostas. Politicamente, a escolha colocou os adversários frente a frente enquanto o governador seguiu outra estratégia de reta final. Se a decisão terá algum efeito eleitoral, não é possível concluir antes das urnas.
Favorito I
Adailton Martins entra na reta final buscando o terceiro mandato consecutivo na Assembleia Legislativa. Há um dado concreto por trás de sua presença na disputa: venceu as eleições de 2018 e 2022 e aumentou sua votação de 22,4 mil para 24.175 votos entre os dois pleitos. Em 2026, tenta novamente transformar a estrutura política construída ao longo de dois mandatos em votos. A expectativa é que tenha uma votação expressiva.
Favorito II
Outro elemento relevante na candidatura de Adailton é sua ligação política com a Barra dos Coqueiros, município onde seu irmão, Airton Martins, é prefeito. A campanha procura combinar essa base histórica com apoios fora de seu reduto tradicional como Japaratuba, Muribeca e Lagarto. Na reta final, o desafio é justamente ampliar territorialmente uma candidatura que já chega à eleição com dois mandatos consecutivos no currículo.
Ribeiro além da tropa
O movimento mais interessante da campanha de Coronel Ribeiro talvez seja a tentativa de não ficar restrito ao eleitor ligado às forças de segurança. E esse ponto foi importante para ele. Sua plataforma também aborda gestão pública, tecnologia, presença no interior e aproximação entre polícia e comunidade. É uma estratégia compreensível para quem disputa pela primeira vez uma cadeira na Alese: preservar a identidade construída na carreira militar e, simultaneamente, buscar diálogo com um eleitorado mais amplo.
Indecisos
A essa altura, campanhas já falaram praticamente tudo que pretendiam falar. A reta final passa menos pela apresentação de grandes novidades e mais pela tentativa de convencer quem ainda não definiu o voto e garantir que simpatizantes efetivamente compareçam às urnas. É uma disputa de mobilização, presença territorial e repetição das mensagens construídas durante toda a campanha.
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