
Na política, toda movimentação permite diferentes interpretações. Algumas permanecem no campo das especulações; outras acabam confirmadas, mesmo após negativas dos envolvidos. E os acontecimentos recentes da política sergipana abriram espaço para novas conjecturas.
Primeiro, o ex-prefeito de Itabaiana, Adailton Sousa, desistiu de ser o primeiro suplente do candidato ao Senado Eduardo Amorim. No dia seguinte, o ministro Sérgio Kukina, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou recurso apresentado pela defesa de Valmir de Francisquinho, candidato ao Governo de Sergipe pelo Republicanos. Embora a decisão ainda não tenha sido publicada, juristas ouvidos pela imprensa avaliam que Valmir poderá voltar a ficar inelegível.
Mas o que um fato tem a ver com o outro? A princípio, nada. Nos bastidores, porém, já há quem aposte que, para evitar a repetição de 2022, Valmir poderá recuar e indicar Adailton como candidato ao governo pelo grupo de oposição a Fábio Mitidieri. Pode ser apenas uma especulação ou uma “viagem”, como se diz popularmente.
Ainda assim, a hipótese não parece completamente absurda. Adailton é um dos aliados mais fiéis de Valmir, abriu mão da própria reeleição para que o “Pato” voltasse à Prefeitura de Itabaiana e, recentemente, desistiu de integrar a chapa de Eduardo Amorim como primeiro suplente.
Diante de um eventual impedimento jurídico, Valmir poderia lançar “Adailton de Valmir”, explorar o discurso de perseguição e tentar convencer o eleitorado de que votar em Adailton seria, na prática, votar no próprio Valmir.
Se a especulação se transformará em fato, somente o tempo dirá. A decisão desfavorável, entretanto, aumenta as incertezas da disputa. Valmir, Edvan Amorim, Emília Corrêa e seus aliados certamente não desejam repetir o risco de 2022, quando a indefinição jurídica comprometeu o projeto eleitoral do grupo. Desta vez, uma substituição antecipada por alguém de extrema confiança pode estar entre as possibilidades.
Resta aguardar os próximos capítulos de uma política sergipana que, mais uma vez, está com a temperatura nas alturas.
Fortaleza
A candidatura de Valmir nasceu politicamente em Itabaiana, mas precisa demonstrar que consegue ultrapassar os limites do Agreste. Seu desafio não é somente preservar a votação conquistada anteriormente, mas transformar simpatia popular em estrutura eleitoral nos 75 municípios. Para isso, dependerá de prefeitos, ex-prefeitos, vereadores e lideranças locais capazes de abrir caminhos fora de sua área tradicional. Uma eleição estadual exige mais do que popularidade concentrada: requer presença organizada no Sertão, no Baixo São Francisco, no Sul e no Centro-Sul.
Capilaridade
Fábio Mitidieri chega à convenção do PSD, marcada para 5 de agosto, com uma aliança ampla e uma chapa que deverá reunir Jeferson Andrade na vice, além de Rogério Carvalho e André Moura para o Senado. A maior vantagem governista está na rede de prefeitos e lideranças municipais construída ao longo do mandato. O risco é acreditar que o apoio dos gestores será automaticamente transferido aos eleitores. Para transformar capilaridade institucional em voto, o governador precisará mostrar, em cada região, quais obras e serviços chegaram efetivamente à população.
Dilema
Durante a convenção do PL, baixou o espírito de sincerão em Rodrigo Valadares. No evento, ali mesmo, na frente de todo mundo, inclusive da imprensa, ele afirmou que a prioridade nacional da legenda em Sergipe é eleger um senador, embora o partido mantenha o projeto de disputar o Governo. A declaração gerou um mal-estar. Ficou evidente o desconforto de Ricardo.
Impasse
A Federação PSDB/Cidadania oficializou Emanuel Cacho como candidato ao Governo, tendo Suely Barreto como vice. A decisão, entretanto, abriu um aparente impasse porque a federação ainda aparecia no sistema eleitoral como integrante da coligação de Valmir de Francisquinho. A situação precisará ser esclarecida nos registros definitivos. Politicamente, uma candidatura própria amplia as opções do eleitor, mas sua viabilidade dependerá de estrutura, discurso e presença no interior. Sem candidatos à Assembleia Legislativa, a federação também terá dificuldade para montar uma rede estadual de apoiadores.
Dois caminhos
A divisão entre o prefeito Cristiano Viana e o vice-prefeito Renaldo Prata mostra como as eleições estaduais podem reorganizar as forças municipais. Renaldo anunciou apoio a Fábio Mitidieri, enquanto Cristiano se aproximou de Valmir de Francisquinho. O vice atribuiu sua decisão ao alinhamento com João Daniel e ao desconforto provocado pela parceria do prefeito com Belivaldo Chagas. O episódio vai além de uma escolha estadual: pode antecipar uma ruptura local e redesenhar o cenário da sucessão municipal de 2028. Em cidades do interior, eleição estadual quase sempre funciona como prévia da disputa seguinte.
Propriá
O prefeito de Propriá, Luciano de Menininha, anunciou apoio à candidatura de André Moura ao Senado. A adesão reforça a estratégia de André de ampliar sua presença no Baixo São Francisco e mostra como os prefeitos estão montando chapas próprias, nem sempre limitadas a uma única orientação partidária. Para Luciano, o apoio também deve ser analisado pela perspectiva administrativa: prefeitos procuram parlamentares com capacidade de destinar recursos e abrir portas em Brasília.
Saúde
E por falar em Propriá, a Saúde do Município vem se destacando. A contratação de pediatras em todos os povoados, o tratamento domiciliar de feridas crônicas de domingo a domingo, a renovação da frota de veículos da Saúde, a realização de exames de ultrassom todos os dias, são alguns dos destaques dos pontos positivos do bom trabalho que Luciano de Menininha vem realizando nessa área.
São Cristóvão
Paulo Júnior e Marcos Santana reuniram aliados no povoado Cabrita, em São Cristóvão, com a presença do prefeito Júlio Júnior, de Jeferson Andrade e dos candidatos ao Senado Rogério Carvalho e André Moura. O movimento mostra a tentativa do grupo governista de organizar uma votação casada no município. Marcos Santana carrega a memória administrativa de seus oito anos como prefeito, enquanto Paulo Júnior busca renovar o mandato na Assembleia.
Lagarto
Alessandro Vieira intensificou sua presença no interior com uma agenda em Lagarto. O senador visitou ruas pavimentadas, o Hospital Universitário, o Hospital de Amor, o Asilo Santo Antônio e o Mercado Municipal. Segundo sua prestação de contas, mais de R$ 50 milhões foram destinados ao município em diferentes áreas. A estratégia é politicamente inteligente: em vez de apresentar apenas promessas, o candidato busca associar seu nome a recursos e entregas.
Povos tradicionais
A chapa do PSOL, encabeçada pelo médico Helton Monteiro, anunciou a líder quilombola Maria Izaltina como candidata a vice-governadora. Pescadora, agricultora e militante antirracista, ela leva à disputa uma representação pouco presente nas chapas majoritárias sergipanas. A candidatura pode abrir espaço para temas importantes no interior, como regularização territorial, pesca artesanal, agricultura familiar e proteção das comunidades tradicionais.
Filtro
O Ministério Público Eleitoral recomendou que partidos e federações verifiquem certidões criminais, evolução patrimonial e possíveis vínculos de candidatos com facções, milícias ou financiadores ilícitos. A medida merece atenção especial nos municípios, onde relações econômicas e políticas podem ser mais concentradas e menos transparentes. A recomendação não autoriza condenações antecipadas nem substitui o devido processo legal, mas exige responsabilidade dos partidos. Não basta preencher chapas; é preciso conhecer a trajetória de quem receberá legenda, recursos públicos e acesso ao eleitor.
Anderson
E um cara que vem se destacando no interior do estado é Anderson de Zé das Canas. Ex-prefeito de Frei Paulo por dois mandatos, ele vem batendo perna em diversas cidades e angariando apoios políticos de vereadores e diversas lideranças políticas. Anderson está no PSD e deve brigar com a delegada Katarina Feitosa por uma das vagas na Câmara dos Deputados.
Iluminação
Aracaju e Barra dos Coqueiros ganharam um novo cartão postal na última segunda-feira, 3. A iluminação cênica da ponte Construtor João Alves deve atrair a população em geral e turistas. Foram investidos R$ 2,3 milhões e o sistema programado de iluminação em LED, refletores e luminárias pode ser programado para a mudança de diversas cores.
Por Fábio Viana da equipe CinformOnline.
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