A eleição não escolhe apenas nomes; escolhe os endereços onde o poder passará a circular nos próximos quatro anos. O mapa saído das urnas mostra um Sergipe politicamente concentrado em Aracaju e na região metropolitana, mas ainda sustentado por polos fortes no interior. Lagarto e Itabaiana mantiveram bancadas capazes de falar alto em Brasília e na Assembleia. Laranjeiras e o Sul ganharam musculatura.

Já o Alto Sertão, apesar de sua importância econômica, social e territorial, terminou sem um deputado estadual que tenha na região o seu reduto principal. A renovação foi menor do que o discurso de campanha sugeria. Na Câmara, 75% das cadeiras permaneceram com quem já tinha mandato. Na Alese, dois terços dos integrantes seguem na Casa. O eleitor fez ajustes, puniu alguns grupos, abriu espaço para novos personagens e devolveu ao Legislativo figuras conhecidas.

O grande teste começa agora. Município que elege representante não recebe cheque em branco; recebe alguém a quem pode cobrar. Município que perdeu cadeira precisará organizar sua pauta e disputar atenção. A geografia do voto está pronta. Falta saber se ela será também a geografia das obras, dos recursos e das soluções.

Sergipe foi exceção

Sergipe esteve entre apenas dois estados brasileiros — ao lado do Amazonas — em que os dois senadores candidatos à reeleição conseguiram renovar os mandatos. No país, 18 dos 32 senadores que tentaram permanecer no cargo foram derrotados. Com Rogério Carvalho e Alessandro Vieira reeleitos, a bancada sergipana continuará sendo formada por eles e por Laércio Oliveira, eleito em 2022.

Rogério lidera

Rogério Carvalho (PT) confirmou a reeleição e terminou como o candidato ao Senado mais votado. O petista recebeu 511.142 votos, correspondentes a 21,91% dos votos válidos. Ele inicia, em fevereiro de 2027, um novo mandato de oito anos, que seguirá até janeiro de 2035. Delegado Alessandro Vieira (MDB) também renovou o mandato, com 399.775 votos, ou 17,13% dos votos válidos. A disputa pela segunda cadeira foi apertada: Alessandro superou Delegado André David, terceiro colocado, por 21.065 votos.

Disputa acirrada

A eleição sergipana para o Senado teve uma das brigas mais equilibradas da reta final. O delegado André David (Republicanos) recebeu 378.710 votos, enquanto André Moura (União) somou 377.669 — diferença de apenas 1.041 votos entre o terceiro e o quarto colocados. A pequena distância mostra como cada reduto municipal e cada aliança construída no interior tiveram peso no resultado final.

Recado

O eleitor sergipano preferiu corrigir o tabuleiro a virá-lo de cabeça para baixo. A renovação de 25% na bancada federal e de 33,3% na Assembleia confirma que a força das estruturas municipais, dos mandatos e das alianças com prefeitos continua decisiva. O discurso de mudança apareceu, mas foi filtrado pela máquina partidária. Ficou evidente que o sergipano quis apenas dar uma arrumada no tabuleiro político da Alese e da Câmara.

Yandra no topo

Yandra Moura (União) chegou em primeiro lugar com 115.903 votos e transformou a reeleição em demonstração de força própria. A votação expressiva em Aracaju, somada a redutos no interior, dá à deputada mais peso dentro do União Brasil e amplia sua responsabilidade na articulação da bancada sergipana em Brasília.

Cláudio forte

Cláudio Mitidieri (PSB) entrou na disputa federal e saiu como segundo mais votado, com 105.865 votos. O desempenho em Aracaju e Nossa Senhora do Socorro, combinado com uma rede espalhada por municípios médios e pequenos, como Barra dos Coqueiros, mostrou a capacidade de transferência e organização do agrupamento governista. Além disso, a transferência do forte capital eleitoral de Fábio Mitidieri foi decisiva para a eleição.

Ele resiste

João Daniel alcançou 88.900 votos e preservou a cadeira do PT. A votação de 25.231 votos em Aracaju foi importante, mas seu diferencial continua sendo o diálogo com movimentos sociais, trabalhadores rurais, assentamentos e comunidades do interior. É uma base menos dependente de um único prefeito e mais ligada a uma identidade política.

Lagarto em dose dupla I

Fábio Reis (PSD) recebeu 81.533 votos, dos quais 26.877 em Lagarto. Gustinho Ribeiro (Progressistas) obteve 58.289, com 10.503 no município. A manutenção dos dois deputados federais garante a Lagarto uma posição rara: independentemente das disputas locais, a cidade continuará com dois canais próprios para buscar recursos em Brasília.

Lagarto em dose dupla II

Fábio Reis e Gustinho Ribeiro pertencem a campos locais concorrentes, mas a soma política dos dois interessa a Lagarto. A cidade perde se transformar a disputa em bloqueio e ganha se converter a rivalidade em emendas, obras e presença ministerial. A cobrança deve ser feita sobre resultados, não sobre fotografias conjuntas.

Consolidada

Delegada Katarina (PSD) confirmou sua presença na Câmara com 71.592 votos. Aracaju respondeu por 20.827 deles, mas a deputada construiu apoios em Socorro, Cristinápolis e outros municípios. A reeleição consolida seu espaço no PSD e mantém na bancada uma voz associada à segurança pública. Agora, Katarina e sua equipe já arregaçam as mangas para que a deputada seja o nome escolhido pelo grupo de Fábio como candidata a prefeita de Aracaju.

Itabaiana

Ícaro de Valmir (Republicanos) somou 66.696 votos e garantiu a permanência de Itabaiana na Câmara dos Deputados. Com Luciano Bispo e Marcos Oliveira reeleitos para a Alese, o município encerra a eleição com três referências diretas nas duas casas legislativas. Poucos municípios sergipanos têm uma estrutura semelhante.

O salto de Jorginho

O deputado estadual Jorginho Araújo (PSD) terminou em segundo na corrida para a Alese, com 49.550 votos. Aracaju lhe deu 7.345, Umbaúba 5.110 e Indiaroba 4.556. É uma votação geograficamente inteligente: mistura capital, litoral e Sul, reduzindo a vulnerabilidade a mudanças de comando em uma única prefeitura. Mais do que isso, Jorginho chega forte e favorito para ser o próximo presidente da Assembleia.

Barra preservada

Adailton Martins (PSD) foi reeleito com 38.977 votos, sendo 9.145 na Barra dos Coqueiros. O município preserva seu representante direto em um momento de forte crescimento urbano e melhorias em mobilidade, saneamento e infraestrutura. O trabalho do prefeito Airton Martins (PSD) também serviu de respaldo para a expressiva votação de Adailton.

Por Fábio Viana da equipe CinformOnline.

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