
A campanha entrou na fase em que cada escolha pesa mais. Com poucos dias até a votação de 4 de outubro, já não há tempo para grandes reinvenções: quem lidera tenta proteger a vantagem, quem persegue precisa produzir um fato novo e quem está distante luta para não desaparecer do debate. Mas existe uma campanha que acontece longe dos palanques e revela muito sobre a força de cada candidatura: a campanha das planilhas. Até a consulta feita na sexta-feira, 18, os seis candidatos ao Governo de Sergipe haviam declarado, juntos, cerca de R$ 11,18 milhões em receitas e R$ 12,70 milhões em despesas contratadas. Fábio Mitidieri e Valmir de Francisquinho concentram quase todo esse movimento financeiro, numa demonstração clara de que a polarização política também se repete na estrutura de campanha. Fábio aparece com a maior arrecadação; Valmir, com forte investimento em produção audiovisual; Ricardo Marques tenta sobreviver com uma estrutura bem mais enxuta; Emanuel Cacho, Dr. Helton e Taty Cristina disputam atenção com recursos modestos. Dinheiro, sozinho, não define eleição. Se definisse, planilha substituiria urna. Mas ele compra alcance, frequência, equipe, material e presença. Na reta final, a pergunta não é apenas quem tem mais. É quem consegue gastar melhor, transformar estrutura em mensagem e convencer o eleitor de que sabe administrar recursos, prioridades e expectativas.
Custos I
O Cinform On Line desta semana mostra quanto os seis candidatos ao Governo de Sergipe já arrecadaram e contrataram em despesas. Juntas, as campanhas declararam aproximadamente R$ 11,18 milhões em receitas e R$ 12,70 milhões em compromissos financeiros. A maior parte dos recursos veio das direções nacionais e estaduais dos partidos, confirmando o peso do fundo eleitoral na estruturação da disputa.
Custos II
Valmir de Francisquinho declarou R$ 4,40 milhões em receitas e R$ 5,83 milhões em despesas contratadas. Desse total, R$ 2,27 milhões foram destinados à produção de programas de rádio, televisão e vídeo. A concentração no audiovisual revela uma estratégia baseada em exposição. A diferença entre o que entrou e o que foi comprometido também transforma a reta final numa corrida para fechar as contas.
Atritos e avanços
Durante entrevista à TV Sergipe, Fábio Mitidieri reconheceu que usou uma expressão inadequada durante os atritos com os professores. O governador ressaltou, porém, que o episódio não interrompeu o diálogo com a categoria. Segundo ele, novas reuniões foram realizadas, pautas avançaram e o relacionamento institucional foi preservado. Na reta final, Fábio tenta separar um momento de tensão do conjunto das ações desenvolvidas na educação.
Iguá
O abastecimento de água também entrou na entrevista. Fábio reconheceu que o serviço ainda apresenta dificuldades em diversas localidades, embora tenha apontado avanços após a concessão da distribuição. O governador citou a entrega de adutoras, mas admitiu que parte da população ainda não percebeu melhora. Ao assumir publicamente o problema, renovou o compromisso de buscar soluções para o abastecimento e o saneamento.
VLT
Outro tema abordado foi o VLT anunciado pelo presidente Lula durante visita a Sergipe. O projeto deverá ligar São Cristóvão, Aracaju, Nossa Senhora do Socorro e Laranjeiras, aproveitando e recuperando parte da estrutura ferroviária existente. Segundo Fábio, serão aproximadamente R$ 600 milhões em investimentos federais. Depois de concluído, o sistema deverá ser administrado pelo Governo do Estado.
Sem perseguição
Desde que começou a enfrentar problemas judiciais relacionados ao matadouro de Itabaiana, Valmir de Francisquinho sustentou que seria vítima de perseguição política. Na época, o governador era Belivaldo Chagas, atualmente seu aliado. Questionado pela TV Sergipe, Valmir adotou posição mais cautelosa e declarou que não poderia afirmar se houve alguém por trás dos processos. A mudança de tom não passou despercebida.
Tarifa de ônibus
Valmir voltou a prometer recursos estaduais para reduzir a tarifa do transporte coletivo da Grande Aracaju. Segundo ele, um entendimento com a prefeita Emília Corrêa prevê aporte de R$ 6,3 milhões para deixar a passagem abaixo de R$ 3. A proposta tem forte apelo popular, mas ainda carece de explicações sobre a origem dos recursos, o modelo do subsídio e sua sustentabilidade financeira.
Direito de resposta
Valmir teve que publicar em suas redes sociais, por determinação da Justiça Eleitoral, um direito de resposta concedido a Fábio Mitidieri. A decisão ocorreu após vídeo que tentava relacionar o governador ao banqueiro Daniel Vorcaro. Depois de cumprir a determinação, o candidato do Republicanos voltou a abordar o assunto. Na reta final, acusações sem comprovação podem produzir desgaste político e consequências judiciais.
Helton tranquilo
Dr. Helton afirmou estar tranquilo com o indeferimento do registro da candidatura da Federação PSOL/Rede, relacionado à prestação de contas de um dos partidos. O candidato informou que já apresentou recurso e pediu a nulidade do processo. Segundo ele, a defesa contesta os fundamentos utilizados pelo relator. Enquanto aguarda uma decisão definitiva, Helton mantém a agenda e procura evitar que a questão jurídica domine sua campanha.
Outras pautas
Na entrevista à TV Sergipe, Dr. Helton também apresentou algumas das propostas centrais de sua candidatura. Defendeu o fim das organizações sociais na saúde, a reestatização da Deso e a redução da jornada dos servidores estaduais sem diminuição salarial. O candidato voltou ainda a falar na implantação da tarifa zero no transporte público, proposta registrada em seu plano de governo.
Evitou polemizar I
Ricardo Marques evitou aprofundar os atritos com a direção estadual do PL durante entrevista à TV Sergipe. O candidato afirmou que eventuais declarações dos dirigentes partidários não alteram sua disposição de disputar o Governo. Ao fugir do confronto direto, Ricardo tentou manter o foco em sua candidatura. O desafio é impedir que as divergências internas continuem ocupando mais espaço do que suas propostas.
Evitou polemizar II
Sobre a distribuição dos recursos do PL em Sergipe, Ricardo Marques ressaltou que não entrou na política em busca do fundo eleitoral. Reconheceu que o financiamento partidário é importante, mas afirmou que a falta de uma estrutura maior não impedirá a continuidade do projeto. O discurso busca transformar uma limitação financeira em demonstração de independência, embora campanhas estaduais exijam presença, comunicação e capacidade de mobilização.
Katarina e a Saúde I
Candidata à reeleição, a Delegada Katarina apresenta a destinação de recursos para a saúde como uma das marcas do mandato. Segundo dados divulgados pela parlamentar, aproximadamente R$ 160 milhões foram encaminhados ao setor. Hospitais filantrópicos, unidades municipais e instituições da capital e do interior aparecem entre os beneficiários, reforçando a saúde pública como um dos principais eixos de sua campanha.
Katarina e a Saúde II
Os recursos destinados por Katarina alcançaram mais de 40 municípios sergipanos, incluindo Aracaju, Capela, Laranjeiras, Socorro, Cristinápolis, Muribeca, Estância, Nossa Senhora da Glória e Propriá. A deputada afirma que continuará priorizando o fortalecimento do SUS. Na campanha pela reeleição, utiliza a distribuição territorial das emendas para demonstrar presença tanto na capital quanto no interior.
Petróleo e gás
Durante entrevista à Sim FM, em Carmópolis, Edvaldo Nogueira destacou o novo ciclo de desenvolvimento relacionado ao petróleo e ao gás em Sergipe. O candidato ao Senado defendeu investimentos na formação profissional para que os empregos sejam ocupados pelos jovens sergipanos. Também ressaltou a necessidade de atrair indústrias capazes de utilizar o gás produzido no estado e ampliar a geração de oportunidades.
Carreira única
Fábio Henrique apresentou uma proposta voltada aos servidores públicos estaduais: a criação de uma carreira única. Inspirada em um modelo existente em Minas Gerais, a medida pretende estabelecer possibilidades de crescimento profissional para quem se qualifica e apresenta bons resultados. O candidato sustenta que dedicação, formação e desempenho devem ser considerados na evolução funcional, valorizando o servidor sem ignorar as exigências da administração pública.
Debates
A campanha de Fábio Mitidieri trabalha para consolidar a percepção de liderança e manter viva a possibilidade de vitória no primeiro turno. A oposição tenta impedir que essa expectativa influencie o comportamento do eleitor. Nos próximos debates, frases ensaiadas terão menos importância do que segurança, clareza e domínio dos problemas estaduais. Quem fugir de um assunto difícil poderá entregar ao adversário o argumento que faltava.
Senado
Com duas vagas em disputa, a eleição para o Senado permanece mais aberta e imprevisível do que a corrida pelo Governo. O eleitor pode escolher nomes de chapas diferentes, embaralhando as estratégias partidárias. É importante lembrar que serão dois votos para senador: se o mesmo número for repetido, o segundo voto será anulado. Em uma disputa equilibrada, desconhecer essa regra pode influenciar o resultado.
Campanha nas ruas I
Coronel Ribeiro ampliou sua presença em Aracaju com adesivaço e mais uma edição do “Desafio Sergipe Merece Essa Força”, realizada no Santos Dumont. A programação reuniu esporte, mobilização e contato com moradores. Ribeiro também esteve no conjunto Agamenon Magalhães, onde nasceu e cresceu. Ao retornar à comunidade, associou suas origens populares à trajetória iniciada na Polícia Militar em 1994.
Campanha nas ruas II
Ribeiro também cumpriu compromissos em Riachão do Dantas e Tobias Barreto, participando de encontros e caminhadas. Paralelamente, apresenta propostas direcionadas aos profissionais da segurança, como auxílio-alimentação, mudanças nas regras de promoção, assistência psicológica, telemedicina e atendimento aos filhos neurodivergentes. O desafio da campanha é mostrar que sua experiência na segurança pode ser transformada numa agenda legislativa mais ampla.
Propriá
Em Propriá, Luciano de Menininha chega ao período decisivo como uma das principais referências do seu grupo político. O prefeito utiliza a organização administrativa, a manutenção dos serviços e a relação institucional com o Governo do Estado para apresentar seus apoios. A reta final mostrará se a avaliação da gestão e sua capacidade de articulação conseguirão produzir transferência de votos para os candidatos apoiados.
Barra mobilizada
Na Barra dos Coqueiros, Airton Martins participa da campanha apoiado nas ações da administração municipal. Programas sociais e investimentos em saúde, segurança e infraestrutura aparecem como argumentos do seu grupo. Com presença territorial e capacidade de mobilização, o prefeito tenta transformar o desempenho atribuído à gestão em votos para seus aliados. A dimensão dessa influência será conhecida quando as urnas forem abertas.
Tá na hora
Quanto mais próxima a votação, maior se torna a circulação de conteúdos fabricados para dificultar respostas e checagens. É uma estratégia conhecida, mas ainda capaz de provocar estragos. Candidatos, eleitores e Justiça Eleitoral precisam redobrar a atenção. Não existe coerência em condenar publicamente as notícias falsas e, ao mesmo tempo, estimular insinuações e ataques sem provas nos bastidores da campanha.
CRÍTICAS E SUGESTÕES
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