A fila de cirurgias autorizadas que aguardam o agendamento do Hospital Cirurgia é de aproximadamente quatro mil pacientes, segundo o Núcleo de Controle, Avaliação, Auditoria e Regulação (Nucaar) da Prefeitura de Aracaju. Os dados do Nucaar, responsável pela regulação dos procedimentos eletivos, apontavam até o meio de dezembro 3924 cirurgias já autorizadas, mas ainda aguardam agendamento no Hospital Cirurgia. No Hospital de Urgência, 96 pacientes aguardavam a transferência do Hospital de Urgências de Sergipe (Huse) para o Hospital Cirurgia. São cirurgias de ortopedia, cardiologia, neurocirurgia e vascular. A situação é muito grave e familiares de pacientes estão desabafando nos meios de comunicação para denunciar a tentativa de esconder a verdade.

Parentes de pacientes ainda denunciam a demora para a realização de cirurgia. Erica Silva disse que um parente dela foi transferido do Huse para o Hospital Cirurgia e não há previsão para a realização do procedimento. “Sabe quantos idosos morreram nesse procedimento de transferir do Huse para o Hospital Cirurgia desde que eu já estou aqui, comigo, que só tem um mês?” Indagou, para em seguida responder: “Três idosos”, disse revoltada. “Todas eram pacientes com o fêmur quebrado e as mortes se deram não por causa do fêmur, e sim por problema de infecção hospitalar. E isso vai ficar até quando? ”, denunciou.

Na última terça-feira, 19, o Hospital Cirurgia voltou ao seu funcionamento normal, após mais de um mês realizando cirurgias em fluxo reduzido. A partir da normalização são realizadas cerca de 20 operações por dia. Segundo a coordenadora do Nucaar, Tina Cabral, a extensão da fila de cirurgias se dá devido às greves que impediram as realizações das cirurgias. “O fato de não fazer a cirurgia não está na regulação, há uma idéia equivocada em relação a isso.”

“Com a regulação a fila é otimizada, mas é preciso que um prestador faça o procedimento. Se você não tem quem realize a cirurgia, você pode regular tudo, como a gente regulou, mas o Hospital Cirurgia estava com o centro cirúrgico fechado. Nenhuma das cirurgias reguladas, periciadas, liberadas por ordem de paciente não aconteceu”, declarou. Em novembro o Hospital Cirurgia não fez nenhum procedimento cirúrgica.

Por conta de dificuldades financeiras e gerenciais, as gestões de algumas unidades hospitalares já estão sob responsabilidade do Estado. “O Estado hoje é o gestor e gerente da Maternidade Nossa Senhora de Lurdes e do Huse, então ele fica com a função de prestar serviço assistencial”, esclareceu Tina Cabral.

Em nota, a direção do Hospital Cirurgia informou que as cirurgias que estão autorizadas pelo Nucaar e aguardando a marcação pelo hospital a partir do dia 1º de janeiro de 2018, estas serão reguladas e aguarda a liberação para realizar os procedimentos.

Segundo a direção do hospital, o número extenso de cirurgias não é um obstáculo para a unidade de saúde. “É preciso deixar claro que o hospital vem cumprindo mês a mês a sua meta contratual, então, essa demanda reprimida não diz respeito à não realização de procedimentos pelo hospital. Com exceção dos dias em que houve a paralisação de algumas equipes médicas, indispensáveis para a execução das cirurgias, que ocasionou a suspensão de procedimentos cirúrgicos em decorrência da falta de pagamento e de compromisso da Secretaria Municipal de Saúde para com o Hospital de Cirurgia”, informou a diretoria.

RESPOSTA DA SECRETARIA

A Secretaria de Estado da Saúde informou que “os pacientes que estão no Hospital de Urgência de Sergipe esperando a cirurgia ocupam vagas, já que são pacientes que estão de alta, porém precisam estar em ambiente hospitalar a espera do procedimento, o que colabora na superlotação do hospital que é “portas abertas” e atende todos que chegaram independente da capacidade”

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