A coleta seletiva em Aracaju entra em uma nova fase, que valoriza de forma efetiva os catadores e catadoras, fortalece as cooperativas e consolida o município como referência na gestão dos resíduos sólidos. Por meio de cooperação técnica firmada entre a Prefeitura de Aracaju e a Central de Cooperativas, a operacionalização do serviço na capital passa a contemplar a coleta e o transporte dos materiais recicláveis, com medição baseada em quilômetros rodados, ação pioneira no país; além da triagem dos materiais, com medição por toneladas triadas, processo que será realizado no Centro de Triagem de Resíduos Sólidos (CTR) Marilene Alves.
Outra novidade que projeta Aracaju no cenário nacional, são as ações de educação ambiental, que passarão a ser desenvolvidas em campo pelos próprios catadores, com foco na ampliação da adesão da população e na melhoria da qualidade do material coletado. Com a iniciativa, o município vai investir mais de R$ 57 milhões ao longo de 60 meses, período de vigência do contrato, beneficiando trabalhadores cooperados e autônomos.
Com mais de 20 anos dedicados à coleta de materiais recicláveis, a catadora Andreia Regina Lima, de 48 anos, integrante da Cooperativa União, afirma que a entrega do CTR representa a concretização de um sonho para os trabalhadores, que antes não dispunham de um espaço adequado. Ela também destacou a formalização da parceria com a prefeitura. “A gente vê com bons olhos essa ação. Tudo que é feito para ajudar nosso trabalho é bem-vindo, e também estamos cuidando do meio ambiente”, destacou.
Outra trabalhadora que celebrou o momento foi Vanizia Santos Ferreira, catadora autônoma de 56 anos, cuja trajetória foi transformada a partir do contato com os materiais recicláveis. Foi por meio de um livro doado pela Universidade Tiradentes (Unit) que nasceu o desejo de ingressar no ensino superior, sonho que começará a se concretizar em março deste ano, quando ela dará início à graduação em Letras/Libras na Universidade Federal de Sergipe (UFS).
“Esse espaço nos mostra que nós realmente juntos, temos um valor e podemos, de certa forma, com união, ver o valor diferenciado da reciclagem. Então aqui a prefeitura está montando esse centro para nos mostrar que realmente a gente pode fazer a diferença. Eu sou design de produto, acho que eu sou a única entre eles que, através do livro que foi doado pela Universidade Tiradentes, eu consegui estudar, passei na UFS e, a partir de março, eu estou na universidade. Mas isso não me faz diferente deles, porque eu ainda continuo entre eles. Fui convidada para estar aqui, e eu sou catadora, sim”, disse Vanizia Santos.
Para o catador autônomo Joaldo Batistas Jesus Filho, de 48 anos, a falta de um local para guardar os materiais era uma das maiores dificuldades enfrentadas. “E para a gente foi a melhor coisa que aconteceu aqui. Nós temos que agradecer muito por isso aí. Eu tiro meu sustento desse trabalho, estou na rua três vezes por semana. Agradeço a Deus que botou esse projeto para nós”, disse.
O CTR será utilizado pela Cooperativa de Catadores União, que, embora formalizada, não operava plenamente devido à ausência de estrutura física e apoio institucional. A unidade também dispõe de equipamentos como plataforma balança, carrinho plataforma, fragmentadora de papel, trituradora de vidro, empilhadeira e esteira. Para a aquisição dos equipamentos, foram investidos R$ 1.192.567,50.
Outra frente da parceria se dará por meio do Projeto Conexão Cidadã, cuja cooperação técnica foi assinada pela Prefeitura de Aracaju e pela Associação Nacional dos Catadores (ANCAT). A cooperativa que passa a operar no CTR deverá integrar catadores da Zona Norte de Aracaju, promovendo inclusão socioprodutiva em territórios mais vulneráveis e fortalecendo a coleta seletiva no município.
O presidente da ANCAT, Roberto da Rocha, destacou a importância da parceria e reforçou que Aracaju sai na frente ao se tornar referência nacional na priorização dos trabalhadores. “A Prefeitura de Aracaju está emplacando um grande modelo. Porque é um espaço onde os catadores e catadoras vão receber pela prestação de serviço. E não é só pela prestação de serviço de triagem, é pela prestação de serviço de triagem, pela prestação de serviço da quilometragem, da coleta desse material e pela educação ambiental. Essa questão da educação ambiental, em que os catadores vão ser remunerados nesse convênio, é inédita no país. Então, nós temos que celebrar como um grande case para o Brasil e esperamos que isso se multiplique por todo o país”.
Projeto Conexão Cidadã
Durante a inauguração do centro, a Prefeitura também assinou um termo de cooperação que viabiliza o Projeto Conexão Cidadã. A iniciativa prevê que a cooperativa que passa a operar no CTR integre catadores da Zona Norte de Aracaju, promovendo inclusão socioprodutiva em territórios mais vulneráveis e fortalecendo a coleta seletiva no município. Com vigência de 12 meses, a ação vai atender 425 catadores e catadoras autônomos da capital. “Nossos catadores fazem a coleta em áreas que muitos nem imaginam. Com esse termo de cooperação, além de terem acesso aos serviços e às políticas públicas que o município oferece, eles também passam a contar com um espaço como esse. Aqui vai ser um laboratório, uma incubadora da coleta seletiva dos catadores da Zona Norte, que nunca tiveram um galpão”, concluiu a coordenadora do projeto, Vera Cardoso.
Fonte, Agência Aracaju de Notícias.
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