Por Aldaci de Souza/Agência de Notícias Alese

Foi no dia 8 de julho de 1820, que o Rei do Brasil e Portugal, Dom João VI, assinou a Carta Régia elevando Sergipe à categoria de Capitania Independente do estado da Bahia. Nesta sexta-feira, 8, é feriado em todos os 75 municípios sergipanos para comemorar a data. De acordo com o assessor especial da Secretaria-Geral da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa de Sergipe, o professor-doutor em História e Filosofia da Educação, Jorge Carvalho do Nascimento, o processo para a emancipação se deu de forma longa, difícil e intensa.

Jorge Carvalho durante palestra na Alese sobre a Emancipação Política de Sergipe (Foto: Irineu Fontes/Arquivo)

“O espaço chamado de Sergipe nasceu institucionalmente como Capitania do Reino de Portugal, tendo se expandido como província do Império do Brasil e se consolidado na condição de um importante estado membro da República Federativa do Brasil. Estudiosos da História de Sergipe costumam apontar a posição tomada por alguns senhores de terra, quando da Revolução Pernambucana de 1817, como sendo a principal causa para a criação da Capitania de Sergipe Del Rey, em 8 de Julho de 1820. Mas, o processo que separou o território de Sergipe da Capitania da Bahia é mais complexo e se coloca no contexto dos eventos vividos pelo Brasil entre a chegada de Dom João VI, em 1808, e a proclamação da Independência, por Dom Pedro I, em 1822. É necessário considerar o contexto econômico e o quadro político que levaram o rei a tomar esta decisão”, explica Jorge Carvalho em recente entrevista à Agência de Notícias Alese.

Jorge Carvalho ressaltou que as Capitanias de Sergipe, Alagoas e Rio Grande do Norte ganharam autonomia pela influência que teve na História do Brasil, o episódio da Revolução Pernambucana de 1817. Ele observou que no dia 5 de dezembro de 1822, D. Pedro I já imperador do Brasil decretou que a Carta Régia de 8 de Julho 1820 estaria em vigor e que Sergipe tinha autonomia e era uma das províncias do Império do Brasil.

“Esse processo de luta é longo, difícil e tenso. Os sergipanos tiveram um papel importante e a gente percebe que valeu à pena a luta. Com isso podemos construir essa bela pátria, essa identidade cultural e política, que nos orgulha e hoje estamos comemorando essa conquista”, enfatiza acrescentando que entre os que defendiam a independência de Sergipe da Bahia, estavam os pequenos comerciantes, os donos de tabernas, os pequenos proprietários, boa parte dos pecuaristas.

“Era um grupo liderado por Joaquim Martins Fontes, da Vila de Lagarto e José Matheus Leite Sampaio, capitão-mor das ordenanças da Vila de Itabaiana, que lutaram com muita bravura pela emancipação, além de Bento Antônio da Conceição Matos, Pedro Cristino de Souza Gama, José Manoel Machado Araújo e o padre Antônio Fernandes da Silveira”, ressalta lembrando que institucionalmente o lugar onde se fez a maior defesa da Emancipação foi a Câmara de Vereadores de Itabaiana.

“Os parlamentares itabaianenses propuseram às demais câmaras, que se organizassem uma reunião para eleger o governador de Sergipe. No processo de emancipação haviam três grupos: um que desejava a permanência como colônia de Portugal, ligados à Bahia; um que desejava que declarasse a independência do Brasil, mas mantivesse uma boa relação com Portugal, organizando uma monarquia constitucionalista e o terceiro pretendia a independência e a implantação imediata da República. Ou seja, blocos em conflito no Brasil e em Sergipe entre 1808 e 1822”, completa.

Independência

Segundo relatos da história, em 8 de julho de 1820, o Rei do Brasil e Portugal, Dom João VI, assinava a Carta Régia elevando Sergipe à categoria de Capitania Independente. A independência do território de Sergipe da Bahia foi marcada por conturbadas lutas políticas e contestada na época pelos líderes baianos e senhores de engenho, preocupados com a possibilidade de perdas econômicas.

A então capitania de Sergipe Del-Rey foi elevada à categoria de província quatro anos depois, e, finalmente, a estado após a proclamação da República em 1889.

Em Aracaju, pesquisadores, estudantes e curiosos podem conhecer a história da Emancipação Política de Sergipe, preservada no Palácio-Museu Olímpio Campos. Entre os fatos: a nomeação do brigadeiro Carlos César Bulamarque como o primeiro governador do estado, tirado do cargo por tropas da Bahia e levado à Salvador-BA.

Sergipe é o menor estado brasileiro em extensão territorial, com uma população de quase 2 milhões e meio de habitantes, que residem nos 75 municípios. O estado conta com oito deputados federais, 24 deputados estaduais e três senadores.

A produção agropecuária em Sergipe se destaca em nível nacional. O estado é o segundo maior produtor de mangaba do país e também se destaca pela produção de laranja, coco-da-baía e crustáceos.

Mais recentemente, Sergipe ganhou destaque internacional pelas suas expressivas reservas de petróleo e gás, tornando-se um dos mais promissores estados da Federação.

Foto: Jadilson Simões

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