
O debate político em Sergipe entrou numa fase preocupante. E o alerta que essa coluna traz essa semana deve servir para apaziguar os ânimos. E não colocar gasolina num ambiente já tenso. Em vez de concentrar energia na fiscalização do poder e na apuração dos fatos, parte da comunicação sergipana tem travado nos últimos dias uma disputa bastante agressiva. O que estamos vendo são jornalistas atacando jornalistas. Blogueiros desqualificam analistas e cientistas políticos respondem como se toda divergência fosse uma afronta. Cada um escolheu seu campo e sua narrativa. E isso é normal! Ninguém é obrigado a observar a política sem opinião.
O problema começa quando a preferência substitui o argumento e a rivalidade ocupa o lugar da informação. Estamos assistindo a uma autofagia na imprensa e na comunicação política. Profissionais que deveriam questionar candidatos, governos e partidos tentam destruir a credibilidade uns dos outros. A crítica deixa o conteúdo e passa a atingir reputações. Nesse ambiente, o debate empobrece, a apuração perde espaço e o leitor é convidado a escolher uma torcida, não a compreender os fatos.
Quem se beneficia são os agentes políticos, diante de uma imprensa fragmentada e preocupada consigo mesma. E quem perder? Todos que fazem a comunicação. É legítimo que jornalistas tenham posições, blogueiros façam leituras próprias e cientistas políticos apresentem interpretações diferentes. A pluralidade fortalece a democracia.
O que a enfraquece é transformar opinião em sentença, proximidade política em verdade absoluta e divergência em inimizade – e é neste último ponto que o bicho pega. Sergipe precisa de uma comunicação mais madura. Há espaço para opinião, crítica e confronto de ideias, mas não para uma guerra entre aqueles que deveriam ajudar a sociedade a compreender o cenário.
A imprensa não precisa pensar igual. Precisa preservar o respeito e o compromisso com os fatos. Se continuar devorando a si própria, poderá chegar ao fim da campanha com muitas feridas, pouca credibilidade e quase nenhuma força para cobrar dos vencedores aquilo que prometem agora.
Recuou I
E não é que Emanuel Cacho vai sim ser candidato a governador? Ele foi oficializado pela federação PSDB/Cidadania, tendo Suely Barreto, de Estância, como vice. Esse vai e vem de Cacho ficou estranho. Ele anunciou aos quatro cantos que seria candidato, depois fez questão de dar entrevistas dizendo que apoiaria Valmir de Francisquinho. E, aos 45 do segundo tempo, Cacho recuou e disse que vai ser candidato ao governo. Alguns analistas de primeira linha, dizem que essa pode ser uma estratégia da oposição a Fábio para criar mais um adversário para criticá-lo.
Recuou II
Cacho é um renomado advogado criminalista com vasta experiência na política sergipana. Então, essa coluna duvida que ele se prestaria ao papel de ser um candidato “laranja” trabalhando para um dos candidatos somente para atacar outro. Cacho não é disso. Vamos aguardar o início da campanha eleitoral para ver o real papel dele nessas eleições. O desafio dele agora será montas as chapas para o Senado, Câmara Federal e Assembleia.
Chapa oficial
A convenção do agrupamento governista deverá confirmar Fábio Mitidieri para governador, Jeferson Andrade para vice e André Moura e Rogério Carvalho para o Senado. O evento será realizado na próxima quarta-feira, dia 5, às 17h55, no AM Malls, em Aracaju. A composição reúne estrutura partidária, prefeitos e capilaridade municipal. É, sem dúvida, uma chapa poderosa. Vamos aguardar para ver a dimensão da convenção.
No jogo
O PDT confirmou Edvaldo Nogueira como candidato ao Senado e oficializou apoio às reeleições de Fábio Mitidieri e Lula. Com quatro mandatos como prefeito de Aracaju, Edvaldo aposta na experiência administrativa e na memória eleitoral da capital. Edvaldo “bancou” essa candidatura e agora segue firme, comendo pelas beiradas. Na pré-campanha de Edvaldo não teve “oba-oba”, foi pé na estrada e mangas arregaçadas. Além disso, muito diálogo.
Gratidão
Laércio Oliveira declarou que apoiará Edvaldo Nogueira por reconhecimento à parceria construída entre os dois. O discurso da gratidão humaniza a “dura” política, mas cria desconforto dentro da Federação União Progressista, que tem André Moura como candidato ao Senado. Isso já era de esperar. Laércio sempre foi aliado de primeira ordem de Edvaldo. Além dele, o senador do PP vai apoiar Rodrigo Valadares para o Senado. Gratidão é qualidade respeitável na vida pública.
Levi em alta
E por falar em Laércio Oliveira, Levi Oliveira, seu sobrinho, tem batido perna em todo o estado e colhido apoios importantes. Levi é um jovem focado. Fez um belo trabalho como vereador por Aracaju e está determinado a assumir uma das oito cadeiras na Câmara dos Deputados. Levi trabalha a pauta da geração de emprego para a população. Na próxima terça-feira, 4, acontecerá a convenção do PP que irá oficializar o nome da jovem promessa como candidato a deputado federal.
Resistência petista
Uma ala do PT sergipano demonstra resistência à convenção conjunta com o PSD e, principalmente, à presença de André Moura na chapa majoritária. O partido apoia Mitidieri e tem Rogério Carvalho como candidato ao Senado, mas parte da militância ainda não assimilou todas as alianças.
Indeferido?
A candidatura de Valmir foi homologada, mas até a noite deste domingo, 2, o registro ainda estava pendente da análise da Justiça Eleitoral. Isso não significa indeferimento, apenas que a etapa judicial não foi concluída. Pronto, bastou isso para que desavisados – ou não – passassem a especular que Valmir não teria condições jurídicas para concorrer nestas eleições. Tudo ainda está dentro do prazo legal.
Direita dividida
O PL prepara a oficialização de Ricardo Marques para o governo e Rodrigo Valadares para o Senado, enquanto o Republicanos já lançou Valmir, Eduardo Amorim e André David. A direita sergipana chega dividida entre dois palanques que disputarão praticamente o mesmo eleitor conservador. Se não houver recomposição, a competição interna poderá ser mais intensa do que o enfrentamento ao governo. Mitidieri agradece: nada favorece mais um candidato à reeleição do que uma oposição ocupada em decidir quem possui o certificado de autenticidade ideológica.
Ricardo precisa sair da sombra
Ricardo Marques ganhou o apoio do PL e a missão de construir um palanque estadual para Flávio Bolsonaro. Sua candidatura, porém, ainda é frequentemente apresentada como resultado da articulação de Rodrigo Valadares. Para se tornar competitivo, Ricardo precisará deixar de ser percebido como o candidato de outro líder e apresentar identidade própria. A eleição para governador exige autoridade, equipe e projeto. Repetir o discurso nacional do bolsonarismo pode mobilizar uma parcela do eleitorado, mas não responde sozinho aos problemas específicos de Sergipe.
Em campanha I
A propaganda eleitoral somente será permitida a partir de 16 de agosto, mas a campanha política está nas ruas há meses. Convenções viraram comícios, entrevistas apresentam promessas e redes sociais funcionam como vitrines permanentes. Alguns políticos já realizaram até carreatas.
Em campanha II
legislação autoriza atos de pré-campanha, dentro de limites, porém a diferença entre divulgar uma candidatura e pedir voto tornou-se cada vez mais estreita. A Justiça Eleitoral terá trabalho para separar manifestação política legítima de propaganda antecipada disfarçada por palavras cuidadosamente escolhidas.
Fiscalização no celular
O aplicativo Pardal permitirá denúncias de propaganda irregular a partir de 16 de agosto, com autenticação pelo e-Título ou Gov.br. A ferramenta deverá ganhar protagonismo numa eleição marcada pelo uso intensivo das redes sociais e pela inteligência artificial. Candidatos e assessorias precisarão redobrar os cuidados, mas o instrumento também não pode virar arma para denúncias em massa sem fundamento.
CRÍTICAS E SUGESTÕES
viana.jornalista@gmail.com
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