Atualmente, 1.740.240 eleitores estão aptos a votar, com 421.507 eleitores em Aracaju e 1.318.733 eleitores distribuídos nos municípios do interior

 A engrenagem que movimenta os bastidores da política em Sergipe passou por uma mutação profunda. O motivo é cirúrgico: a disputa simultânea por duas cadeiras no Senado Federal transformou o interior do estado num terreno fértil e estratégico para disputa desse ano. Com um eleitorado de exatos 1.318.733 de votantes fora da capital, os prefeitos, vereadores e caciques locais perceberam que detêm a chave dos mandatos em Brasília.

André Moura, André David, Rogério Carvalho, Coronel Rocha, Edvaldo Nogueira, Rodrigo Valadares, Eduardo Amorim e Alessandro Vieira irão protagonizar até o dia 4 de outubro umas das disputas mais acirradas da história política de Sergipe. A consequência direta disso é o surgimento de um “pedágio político” agressivo, onde o apoio à chapa majoritária passou a ser rigidamente condicionado à distribuição de emendas e “estruturas” de campanha nunca antes vista.

Prefeitos de cidades de médio e pequeno porte aprenderam a valorizar o metro quadrado de seus palanques. E nessa levada surgem vereadores e lideranças que “encarecem” ainda mais as campanhas. Diferente da disputa do governo, onde o alinhamento com a máquina estadual costuma ser vertical, a eleição para o Senado permite uma elasticidade conveniente. Não é raro encontrar gestores que prometem caminhar com o candidato oficial do governador em uma vaga, enquanto negociam os votos da segunda cadeira com expoentes da oposição ou legendas independentes.

Essa fragmentação cirúrgica dos apoios pulverizou o controle tradicional das bancadas. Em municípios como Nossa Senhora do Socorro, Lagarto e Itabaiana — que juntos concentram os maiores colégios eleitorais do interior —, a costura dos palanques virou um exercício de equilibrismo que desafia os estrategistas do governo Fábio Mitidieri, não em torno do seu nome, óbvio, mas da composição da chapa de forma unificada.

A lógica é simples: o prefeito que garante uma votação expressiva para um senador quer a garantia de que, a partir de 2027, as portas dos ministérios e o fluxo de recursos federais estarão garantidos para blindar seu próprio agrupamento municipal. A disputa por duas cadeiras no Senado em Sergipe neste ano irá valorizar ainda mais o interior do estado. A estratégia municipal reflete um pragmatismo mercadológico, priorizando a garantia de recursos federais pós-2027 em detrimento de fidelidades partidárias.

Por Fábio Viana da equipe CinformOnline.

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