
Talvez a participação da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de Futebol seja o único assunto este ano que trará equilíbrio nas discussões, dando um “descanso” nas discussões políticas em pleno ano eleitoral. Há alguns anos temos um País completamente dividido entre Direita e Esquerda, numa polarização que parece se intensificar cada vez mais, mas até para a “Grande Mídia” o momento tem sido de focar mais no time de Carlos Ancelotti que sonha em conquistar o hexacampeonato.
Mas uma fala do presidente Lula (PT), esses dias, ironizando a convocação do atacante Neymar, como “o primeiro jogador convocado home office do mundo”, além de gerar mais tensão (e pressão) no ambiente da Seleção Brasileira, ainda “contaminou” esse equilíbrio com o foco no futebol com a polarização política, aumentando os debates nas redes sociais, com a oposição saindo em defesa de Neymar e com a “torcida de Lula” impulsionando as críticas contra o atleta.
Independente se o leitor gosta ou não de Neymar, como atleta ou como cidadão, neste momento ele está convocado para representar o País em uma Copa do Mundo. E, justiça seja feita, com forte apelo popular para que ele estivesse integrado ao elenco, mesmo sem as devidas condições físicas. Quando a Seleção Brasileira embarca para a disputa de um Mundial ela tem o poder de unir “todas as tribos”, inclusive na política, independente se é de Direita, Centro ou Esquerda.
A ironia de Lula além de ter o risco de afetar o foco do elenco brasileiro (estamos repercutindo a fala de um presidente da República), ela gera uma divisão desnecessária no momento que a Seleção mais precisa da força e do apoio de sua torcida. O foco é tão importante que, por exemplo, uma jornalista argentina fez uma colocação de ordem pessoal sobre o astro Lionel Messi e recebeu uma crítica o próprio presidente argentino, Javier Milei, que fez a defesa não apenas do atleta, mas de sua Seleção.
Postura exatamente oposta a de Lula, que talvez pela idade ou pelo volume de críticas contra seu governo, parece não querer medir as consequências de suas falas. Ou talvez a fala sobre Neymar tenha uma relação direta para tirar o foco de mais um escândalo envolvendo o Banco Master, mas desta vez atingindo o Partido dos Trabalhadores da Bahia e o líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT). Aí a ação de Lula seria ainda mais repugnante: minimizar o desgaste em meio a um caso de corrupção.
Em síntese, o que se espera do presidente da República, neste momento de Copa do Mundo, é menos politicagem e mais torcida pelo futebol brasileiro, pela camisa verde e amarela. Independente de quem entra em campo, se Neymar vai conseguir jogar ou não, sua convocação é irreversível. Quem está no comando da presidência tem que se posicionar como um estadista e trabalhar pela unificação do País, pelo menos até o término do Mundial.
Por Habacuque Villacorte da equipe CinformOnline.
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