Enquanto milhares de estudantes da rede municipal de ensino de Itabaiana iniciaram o ano letivo no começo de fevereiro sem o material escolar completo, a população agora acompanha, apenas no mês de maio, a entrega dos kits escolares realizada pela atual gestão do prefeito Zequinha da Cenoura. O problema, porém, vai muito além da simples distribuição tardia de cadernos, mochilas e lápis. O episódio escancara um retrato preocupante do descaso administrativo deixado pelo ex-prefeito e pré-candidato ao governo de Sergipe, Valmir de Francisquinho.

O vídeo publicado nas redes sociais https://www.instagram.com/reel/DYXQdYgtQAm/?igsh=MWhvNG9idjdneHFodg==  mostra estudantes recebendo os kits escolares somente agora, praticamente no meio do primeiro semestre letivo. Em qualquer gestão minimamente organizada, o material escolar deveria estar nas mãos dos alunos ainda nos primeiros dias de aula. Afinal, o kit escolar não é um “extra”, mas parte essencial da estrutura de ensino, principalmente para crianças de famílias de baixa renda que dependem da rede pública para estudar com dignidade.

A situação se torna ainda mais grave porque Valmir deixou a prefeitura para disputar o governo do estado, mas aparentemente não deixou organizada uma das áreas mais fundamentais de qualquer administração pública: a educação básica. O atraso demonstra falta de planejamento, ausência de prioridade com os estudantes e uma gestão que preferiu concentrar esforços em projetos políticos pessoais enquanto questões básicas da população ficaram para trás.

O mais contraditório é que Valmir tenta construir uma imagem de gestor eficiente para disputar o governo de Sergipe, mas os fatos em Itabaiana levantam uma pergunta inevitável: se não conseguiu garantir algo tão básico como a entrega dos kits escolares no prazo correto em seu próprio município, como pretende administrar problemas ainda maiores em todo o estado?

Além disso, o episódio reforça uma prática comum na velha política: gestores que deixam cargos antes do fim do mandato para disputar eleições maiores, enquanto serviços essenciais ficam comprometidos. A prioridade deixa de ser a população e passa a ser o calendário eleitoral. O resultado é exatamente o que Itabaiana vive: estudantes prejudicados e famílias esperando respostas.

Governar exige responsabilidade contínua, principalmente em áreas essenciais como a educação. E quando crianças ficam sem material escolar por meses, o discurso político entra em choque direto com a realidade vivida pela população.

No fim das contas, a principal vítima dessa situação não é Valmir e seu grupo político, mas os estudantes da rede municipal. Crianças não deveriam esperar meses para receber algo que já deveria estar garantido desde o primeiro dia de aula. E a população de Itabaiana tem o direito de cobrar respostas claras sobre por que os kits escolares chegaram tão tarde.

Carlito Neto – Historiador e Cientista Político

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