O som da sanfona de oito baixos ecoou pelo Teatro Atheneu na noite desta terça-feira, 12, no encerramento do XIX Fórum do Forró, evento promovido pela Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Cultura (Secult Aju), que reuniu mestres sanfoneiros, pesquisadores e apreciadores do forró raiz em uma programação repleta de debates sobre a origem do gênero e apresentações que exaltaram a sonoridade autêntica do forró tradicional.
As atividades começaram ainda no período da tarde, com duas rodas de conversa que aprofundaram a memória e a técnica do forró. O primeiro debate foi “Sergival e as Coisas do Caçuá”, conduzido pelo próprio artista sergipano, num mergulho em sua trajetória e na relação do forró com o imaginário sertanejo. Na sequência, o tema “8 Baixos – A Origem do Forró” trouxe ao palco os sanfoneiros Luizinho Calixto (PB) e Robertinho dos 8 Baixos (SE) para uma aula sobre o instrumento de oito baixos, cujo fôlego e precisão definem o estilo mais ancestral do gênero, e entre um painel e outro, a conversa sempre voltava à importância de manter viva a tradição, sem nunca perder de vista as novas gerações.
O secretário municipal da Cultura, Paulo Corrêa, que mediou os dois debates, não escondeu a satisfação por concluir mais uma edição do fórum. “Realizar o XIX Fórum do Forró é motivo de grande orgulho para toda a nossa equipe, ver artistas consagrados dividindo os seus saberes e o público tão atento e participativo, nos mostra que o investimento em cultura é um acerto. Estamos muito satisfeitos com o resultado destes dois dias e já pensando no próximo ano”, afirmou o secretário.
A professora Wladilma Corrêa acompanhou a programação desde o início da tarde e saiu encantada com cada detalhe. “A organização está de parabéns, tudo impecável, desde a recepção até as apresentações, eu gostei profundamente de todos os momentos, mas confesso que as apresentações dos artistas foi o que mais me chamou atenção, esse foi um evento feito com alma, e isso o público percebe, eu amei cada segundo”, elogiou a educadora.
Luizinho Calixto, referência nacional no estudo da sanfona de oito baixos, fez questão de ressaltar a relevância do encontro para a perpetuação do ritmo. “O fórum é uma trincheira de resistência cultural, quando falamos da origem do forró, estamos falando de nossa identidade, de nossas raízes nordestinas e da sanfona de oito baixos. Eventos como este garantem que o conhecimento não se perca e que os mais novos possam pegar na sanfona com a mesma paixão de antigamente”, declarou o paraibano, que foi muito aplaudido pelo público.
Outro nome presente em todas as edições do fórum foi o cantor sergipano Erivaldo de Carira, figura muito querida no estado. “Participei do primeiro fórum e acho que não faltei a nenhum outro, é uma honra ver como esse evento cresceu e se consolidou como o maior espaço de discussão do forró em Sergipe, a música é minha vida, e estar aqui, mais uma vez, ao lado de amigos e mestres, me enche de alegria e gratidão”, contou Erivaldo, visivelmente emocionado na plateia do Fórum.
A noite de encerramento reservou ainda um momento especial para Sergival, que foi homenageado com o debate sobre sua obra e, logo depois, subiu ao palco para a apresentação final do fórum. Coube a ele fechar com chave de ouro a edição de 2026. “Receber essa homenagem no XIX Fórum do Forró é algo que vai ficar guardado no meu coração. O Caçuá é um símbolo do sertão, e ver minha história sendo contada e celebrada aqui, no Teatro Atheneu, é uma emoção indescritível, que o forró continue sendo essa ponte que nos une”, declarou Sergival.
Fonte, Agência Aracaju de Notícias.
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