A Prefeitura de Aracaju tem intensificado, ao longo da atual gestão, um conjunto de ações preventivas voltadas à mitigação dos impactos causados pelas chuvas, especialmente em áreas historicamente afetadas por alagamentos e inundações. Na manhã desta quarta-feira, 22, equipes do município estiveram em pontos estratégicos da capital, como o Largo da Aparecida, no bairro Jabotiana, e o conjunto Almirante Tamandaré, no Santos Dumont, para avaliar os resultados das intervenções já realizadas.
De modo geral, moradores das localidades visitadas aprovaram as medidas adotadas e relataram melhorias perceptíveis, como a redução de alagamentos durante os períodos de maior volume de chuva. No Largo da Aparecida, onde os transtornos provocados pelas chuvas eram recorrentes, moradores destacaram uma mudança significativa no cenário.
O presidente da comunidade, Adélio Nunes, que vive na região há mais de cinco décadas, afirmou que as obras estruturantes, especialmente a construção do
canal, foram decisivas para minimizar os impactos. Segundo ele, situações que antes ocorriam até mesmo em chuvas leves deixaram de ser registradas. “Antes, era só garoar que a água já invadia as ruas. Agora, com essas últimas chuvas, graças a Deus, não tivemos mais esse problema”, relatou.
O líder comunitário também ressaltou que, além das ações do poder público, a colaboração da população é essencial para manter os resultados alcançados. De acordo com ele, a comunidade tem se mobilizado para reforçar a conscientização sobre o descarte correto de resíduos. “A gente sempre orienta para não jogar lixo nas bocas de lobo, porque isso entope e pode causar alagamento”, explicou.
Ainda segundo Adélio, a organização dos moradores tem contribuído para a preservação das melhorias no bairro, inclusive por meio de articulações em grupos de mensagens. Ele reconhece, no entanto, que ainda há desafios. “A maioria tem consciência e ajuda na limpeza, mas sempre tem alguns que acabam prejudicando”, pontuou.
Ainda na localidade, o morador José Marcos Santos ressaltou que as intervenções trouxeram mais tranquilidade à população, embora o período chuvoso ainda desperte atenção e cautela. Ele destacou que, apesar do avanço, a manutenção dos resultados depende de um esforço conjunto entre poder público e comunidade, sobretudo no cuidado com o espaço urbano e no descarte adequado de resíduos. “Se não tiver esse conjunto, nada funciona. É 50% de cada um, população mais poder público”, pontuou.
O morador também reconhece que, apesar dos problemas históricos da área, não houve registros recentes de ocorrências mais graves, o que reforça a importância de seguir avançando nas intervenções. “Graças a Deus nunca tivemos algo mais grave, mas a gente espera que essas ações continuem. Tem sido de grande ajuda para a gente”, afirmou Marcos.
No conjunto Almirante Tamandaré, no bairro Santos Dumont, a avaliação também é positiva. O morador Sérgio Jacinto relatou que, após vivenciar episódios de alagamento no passado, percebeu uma mudança significativa com as ações recentes. Ele destacou a presença constante das equipes municipais na limpeza dos canais como um fator importante para o bom funcionamento do sistema de drenagem.
“Já vivenciei alagamento aqui, mas nessas últimas chuvas não tivemos esse problema. A prefeitura está sempre presente, com funcionários fazendo a limpeza do canal”, relatou. Na avaliação do morador, as intervenções surtiram efeito e trouxeram resultados positivos para a comunidade. “O serviço foi bem elaborado e deu tudo certo. A prefeitura está de parabéns pelo trabalho”, afirmou.
Apesar dos avanços, Sérgio Jacinto chamou atenção para a necessidade de maior conscientização por parte da população, sobretudo em relação ao descarte irregular de lixo. Segundo ele, esse tipo de prática ainda compromete o funcionamento do sistema de drenagem. “Infelizmente, alguns moradores colocam lixo no canal, o que acaba causando entupimento. É importante que a população tenha mais consciência e não jogue lixo nos canais, para evitar novos problemas”, pontuou.
A percepção de melhoria é reforçada por moradores mais antigos, como João Bosco Menezes, que vive na região há cerca de 40 anos. Segundo ele, o problema dos alagamentos, que antes gerava preocupação constante, deixou de ocorrer, trazendo mais tranquilidade para as famílias. Ainda assim, ele reforça a importância da colaboração da população para preservar os avanços alcançados.
“Nunca mais houve alagamento por aqui. Agora está tudo sossegado. As ações foram aprovadas. Está tudo tranquilo agora”, disse. Assim como outros entrevistados, João Bosco reforça a importância da participação da população na conservação das melhorias realizadas. Para ele, atitudes simples no dia a dia fazem diferença. “A gente precisa conscientizar as pessoas para não jogar lixo na rua ou no canal, porque isso acaba causando problemas, entupindo bueiros e causando transtornos para todos nós que vive aqui em comunidade”, pontuou.
Apesar dos resultados positivos, moradores também apontam desafios que ainda precisam ser enfrentados. Rosineide de Melo lembra que os prejuízos causados pelas enchentes já foram significativos no passado, incluindo perdas materiais dentro de casa. Embora reconheça a melhora no controle do nível da água, ela chama atenção para o descarte irregular de lixo, prática que compromete o funcionamento do canal e pode agravar a situação em períodos de chuva mais intensa. “Se tivesse uma multa, talvez o povo tivesse mais consciência. Quando dói no bolso, o pessoal pensa duas vezes”, destacou Rosineide.
A questão da conscientização também é destacada por Michele Silva, que ressalta o papel da própria comunidade na manutenção das melhorias. Segundo ela, apesar de haver coleta regular de lixo, ainda há práticas inadequadas que precisam ser superadas, reforçando a necessidade de mudança de comportamento coletivo. “O carro do lixo passa três vezes por semana, segunda, quarta, e sexta. Não tem necessidade de jogar lixo na rua ou no canal. A gente precisa conscientizar as pessoas. O certo é jogar lixo no lixo, não na canal. Isso faz toda a diferença”, destacou.
A moradora Juliana dos Anjos amplia o debate ao apontar outros fatores que influenciam os alagamentos, como o estreitamento dos canais e o descarte irregular de entulho em áreas inadequadas. Ela destaca que a problemática atinge diferentes pontos da comunidade e defende uma atuação integrada entre poder público e população. “Não é só aqui em cima, a parte de baixo também sofre e precisa que o povo respeite cada um e não descarte o lixo de modo irregular. A situação às vezes é crítica”, pontuou Juliana.
A mesma preocupação é compartilhada por Maria do Carmo Martins, que reforça que o descarte irregular penaliza diretamente os moradores, sobretudo aqueles que não contribuem para o problema. A moradora também destaca que a falta de responsabilidade individual acaba penalizando quem não contribui para o problema. “Os inocentes são os que pagam, porque antes a água invadia as casas de quem não jogava lixo por aqui”, relatou. Para ela, a solução passa por uma mudança de comportamento coletiva e maior senso de cuidado com o espaço comum. “Aqui é de todos. A gente precisa se unir e fazer a nossa parte para cuidar do lugar onde moramos”, destacou Maria do Carmo.
Fonte, Agência Aracaju de Notícias.
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