Deso colocou cinco poços em funcionamento para suprir a deficiência causada

O Ministério Público de Sergipe (MPSE), por meio da 2ª Promotoria Distrital de Nossa Senhora do Socorro e do Centro de Apoio Operacional (CAOp) de Proteção ao Rio São Francisco e às Nascentes, realizou uma audiência para tratar da crise hídrica que atinge o Ibura. A reunião, conduzida pelo Promotor de Justiça Sandro Luiz da Costa, buscou identificar as causas técnicas da seca no reservatório local, que compromete o fornecimento de água no município.

Durante o encontro, a Companhia de Saneamento de Sergipe (Deso) informou que, embora a redução da vazão no Ibura venha ocorrendo desde 2021, o esgotamento total da piscina de acumulação aconteceu recentemente, há cerca de 15 dias. De acordo com a Iguá Saneamento, a falha na disponibilidade hídrica gerou uma perda de até 40% no abastecimento do Complexo Taiçoca e do centro de Socorro.

A principal suspeita técnica discutida na audiência aponta que atividades de mineração de calcário na região podem ter interceptado o aquífero. Relatórios de fiscalização da Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema) indicam que mineradoras realizam bombeamento de drenagem de alta vazão diretamente para o Riacho Madre após atingirem o lençol freático, o que pode ter transformado a surgência de água em um sumidouro.

Como medida de contingência, a Deso colocou cinco poços em funcionamento para suprir a deficiência causada pelo Ibura, informação confirmada pela Iguá.

Diante do cenário, o MPSE definiu que a Adema convocará a empresa mineradora para uma reunião administrativa a fim de revisar as condicionantes de sua licença ambiental. A mineradora deverá subsidiar estudos hidrogeológicos especializados, inclusive com rastreio por isótopos, para diagnosticar com precisão a anomalia hídrica e estabelecer o nexo causal do desabastecimento.

Além das questões hídricas, a audiência tratou de aspectos operacionais da Estação de Tratamento de Água (ETA) Ibura. A Deso tem o prazo de 15 dias para responder sobre irregularidades detectadas na unidade, como o armazenamento inadequado de produtos químicos e a ausência de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), especificamente máscaras de oxigênio, para os trabalhadores.

Como medida complementar, a Adema realizará análises físico-químicas no Riacho Madre para avaliar os impactos ambientais causados pelo lançamento das águas de drenagem das minas. O MPSE também prevê a solicitação de apoio técnico ao Serviço Geológico do Brasil (SGB) e à Universidade Federal de Sergipe (UFS) para validar os estudos científicos que serão apresentados pelas partes envolvidas.

A audiência contou com a participação de representantes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Socorro, do Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio Sergipe, da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas (Semac), além de técnicos e assessores jurídicos dos órgãos ambientais e concessionárias de serviço público.

Por Habacuque Villacorte da equipe CinformOnline.

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