
O Ministério das Mulheres iniciou no domingo (1º/3) a programação oficial do Março das Mulheres com um ato memorial em homenagem a Tainara Souza Santos, de 31 anos, vítima de feminicídio em dezembro de 2025, na zona norte de São Paulo (SP). No local onde o crime ocorreu, foi inaugurado um mural com 200 metros de grafite, produzido por mais de 30 artistas convidadas, em memória de Tainara e de todas as mulheres que tiveram suas vidas interrompidas pelo feminicídio no Brasil.
Esse é o muro da restauração, da reparação, da transformação das nossas vidas. Que cada cidade tenha coragem de pintar seus muros para dizer: chega de violência. Nós não suportamos mais nenhuma violência contra as mulheres”, afirmou a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, ao destacar o caráter simbólico da intervenção artística como instrumento de mobilização social
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A ministra também ressaltou a responsabilidade do poder público no enfrentamento à violência de gênero. “Cada morte é uma estatística que envergonha e deveria envergonhar todas as autoridades deste país. Não são as mulheres que são agressoras. São as mulheres que morrem, e morrem sem sentido algum. Nós não podemos admitir que isso continue acontecendo”, destacou Márcia Lopes.
Emocionada, a mãe de Tainara, Lúcia Aparecida da Silva, pediu justiça e mudanças mais firmes para coibir a violência contra as mulheres.
Nenhuma mãe merece passar pelo que a gente passa. Eu estou falando em nome da Tainara, em nome de todas, não é só minha filha. Nos ajudem, gente, no que puderem fazer. Eu sozinha não consigo”, declarou
Após o ato, autoridades, familiares e lideranças comunitárias percorreram o mural em cortejo, levando flores e acompanhando as obras pintadas ao longo da extensão. O gesto coletivo marcou o compromisso com a memória das vítimas e reafirmou a exigência por justiça e políticas públicas eficazes de prevenção e proteção.
Estiveram também presentes no ato a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva; a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara; o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira; além de parlamentares, representantes de movimentos sociais, lideranças comunitárias e autoridades municipais e estaduais.
Arte, memória e transformação no território
O memorial foi realizado em parceria com a Lar Galeria, responsável pela curadoria e produção do projeto Murais pela Vida das Mulheres, integrado à agenda do Ministério das Mulheres para março.
A iniciativa reuniu mais de 30 grafiteiras com atuação significativa na arte urbana, contemplando diferentes gerações, linguagens e trajetórias. Participam do mural as artistas Simone Siss, Katia Lombardo, Lau Guimarães, Catharina Suleiman, Yá Amaral, Serifa, Clara Leff, Kelly Reis, Nenê Surreal, Negana, Mariana Calle, Crica Monteiro, Katia Suzuê, Mari Mats, Afolego, Luna Bastos, Auá Mendes, Pankil, Ju Costa, Melissa e Giovanna, Tuka Tukona, Thais Gil, Micha, Pri Barbosa, Sharylaine, Bonnie, Patricia Rizca e o coletivo Sopa de Letras – formado por Jeniffer, Meduza, Alimak e Kamila.
A curadoria foi estruturada com base em critérios como relevância artística, territorialidade e diversidade, incluindo artistas residentes ou atuantes na região do memorial, fortalecendo o vínculo com a comunidade local.
O coletivo inclui desde integrantes do histórico grupo As Noturnas, pioneiras do grafite na década de 1980, até representantes do hip hop, do realismo e do stencil contemporâneo.
Entre as obras, destaca-se o retrato de Tainara, elaborado a partir de diálogo com a família, no qual a jovem aparece segurando um broto de planta, símbolo do renascimento e da permanência de sua memória em outras mulheres.
Enfrentamento ao feminicídio
Em 2025, o Brasil registrou número recorde de 1.548 vítimas de feminicídio, uma média de quatro mortes por dia. Para enfrentar essa realidade, o Governo Federal tem fortalecido o Ligue 180, ampliado as Casas da Mulher Brasileira e os Centros de Referência da Mulher Brasileira, além de articular o Pacto Brasil entre os Três Poderes de Enfrentamento ao Feminicídio, iniciativa que integra Executivo, Legislativo e Judiciário na prevenção, responsabilização dos agressores e proteção às mulheres.
Confira a programação completa do “Março das Mulheres – Todos juntos por todas”
Fonte, Agência Gov
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