
O auditório cheio, estudantes atentos e vozes que atravessaram a Ditadura Militar Brasileira marcaram a noite dedicada à memória da Operação Cajueiro na Universidade Federal de Sergipe (UFS). Organizado por estudantes do curso de Direito, com apoio docente e institucional, o evento transformou o espaço acadêmico em território de escuta, reflexão e compromisso democrático.
A Operação Cajueiro foi um dos episódios mais duros da repressão em Sergipe durante o Regime Militar, resultando na prisão e tortura de jovens que defendiam uma sociedade mais justa. Relembrar esse capítulo da história, segundo os organizadores, é um exercício de responsabilidade coletiva.

Entre os convidados esteve o ex-preso político Marcelio Bonfim, de 82 anos, que falou com emoção e firmeza sobre sua trajetória. Preso três vezes durante a Ditadura, ele afirmou não ter perdido a disposição para defender a democracia. “Enquanto eu tiver um pouquinho de saúde, vou estar preparado para ir às ruas impedir que esse país retorne a uma Ditadura Militar. Eu não quero que os filhos e netos de vocês passem pelo sofrimento que os meus filhos passaram sem saber se eu voltaria pra casa.” 
Marcelio Bonfim, preso político
A presença massiva de estudantes foi um dos pontos altos da noite. Para Teófilo Carvalho, do Diretório Acadêmico de Direito, a proposta central do evento foi justamente aproximar os jovens de testemunhos reais. “Para nós, a Ditadura ainda é algo abstrato, limitado aos livros de história. Ouvir quem atravessou esses horrores é fundamental para compreender nossa trajetória histórica.”

Daniel Portilho e Teófilo Carvalho representantes do Diretório Acadêmico de Direito
João Liparotti, aluno especial do curso de Cinema da UFS e pesquisador de produções audiovisuais sobre a Ditadura, destacou o papel da universidade pública no enfrentamento ao negacionismo. “É fundamental que a universidade abra espaço para essas discussões. Existe uma visão distorcida da história circulando, e a memória precisa ser reparada.”

Ao final da noite, o que ficou evidente foi a potência do encontro entre gerações. Se a repressão tentou silenciar vozes no passado, a universidade reafirmou seu papel como espaço de memória, resistência e construção de futuros.Como ecoou no auditório, nas palavras de Gonzaguinha lembradas por Marcelio: acreditar na rapaziada é acreditar que a manhã desejada continua sendo construída — com memória, coragem e democracia.
Fonte, Ascom UFS
* Fotos, Elisa Lemos/Ascom UFS
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