Em 21 de maio de 2014, o jornalista Rodrigo Rodrigues, do portal Terra, denunciou uma disputa acirrada pelo comando do Sindicato dos Motoristas de Ônibus de São Paulo, envolvendo desvios de recursos e assassinatos. Escreveu o jornalista: Na linha de frente da greve de ônibus que pegou todos os trabalhadores de São Paulo de surpresa na volta para casa nesta terça-feira, dia 20, – e que continua nesta quarta – o Sindicato dos Motoristas de Ônibus de São Paulo (Sindmotoristas-SP) tem um longo histórico de disputas, desvios de verba e até assassinatos.

Os dois sindicalistas que disputam o poder na entidade têm em comum vários problemas judiciais, como acusações de enriquecimento ilícito, formação de quadrilha e suspeitas de ligação com organizações criminosas. Valdevan Noventa, o atual presidente, e Isao Hosogi – o Jorginho, que hoje está na oposição, eram aliados até 2003, quando os dois foram presos sob acusação de comandar uma máfia que organizava greves em conluio com empresas de ônibus na cidade.

Os dois faziam parte da mesma diretoria até o ano passado, quando Valdevan Noventa ganhou força para disputar a presidência contra “Jorginho”, que estava no cargo desde 2004. Acusando o ex-aliado de ser o “Jorginho do Patrão”, Valdevan Noventa ganhou espaço expondo supostos bens de Isao Hosogi durante a campanha. Entre os bens haviam casas de praia e imóveis que somariam, segundo o adversário, um patrimônio de mais de R$ 16 milhões – valor incomum para um sindicalista de uma categoria com salários tão achatados, com piso salarial de R$1.955,00 para motoristas e R$1130,0 para cobradores.

Após saírem da cadeira em 2004, Isao Hosogi assumiu a presidência com apoio do ex-presidente Edvaldo Santiago, mesmo com a acusação de conluio com empresários ainda a ser resolvida na Justiça. Valdevan Noventa, por sua vez, assumiu uma cooperativa de perueiros em Taboão da Serra, onde se tornou vereador pelo PV e, mais tarde, foi investigado pela Polícia Civil por suspeita de lavar dinheiro do tráfico de Paraisópolis nas lotações da cidade, além de ligação com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Em 2010, o assassinato de três dirigentes do Sindmotoristas-SP levantou suspeitas que até hoje não foram confirmadas pela Justiça de que o então presidente, Isao Hosogi, comandava um esquema interno de desvio de dinheiro nos contratos de planos de saúde da categoria. A morte dos diretores fez emergir o suposto esquema, que, segundo a Polícia Civil, teria movimentado irregularmente cerca de R$ 500 mil. Por conta dos assassinatos e dos supostos esquemas de fraude, a eleição que colocou os dois dirigentes sindicalistas em rota de colisão ficou mais acirrada, obrigando a intervenção da Justiça do Trabalho e ficando quase três meses paralisada.

No dia marcado para a eleição da entidade, no fim de julho de 2013, uma confusão relacionada à distribuição das urnas terminou em tiroteio que deixou três pessoas baleadas e obrigou a paralisação do processo eleitoral imediatamente.

Na nova eleição de setembro, a chapa de oposição comandada por Valdevan Noventa venceu o pleito apoiado pela UGT (União Geral dos Trabalhadores) e obteve 57,3% dos votos da categoria.

 

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