A magistratura há muito tempo tornou-se uma atividade profissional “de risco”, até pelas decisões que precisam ser tomadas por cada um de seus membros. Rotinas são alteradas, o stress é grande e geralmente até a estrutura familiar fica comprometida e/ou exposta. Convenhamos que, decidir o futuro de terceiros, não é das tarefas mais fáceis. Magistrados são bem remunerados em nosso País, vivem numa espécie de “redoma”, protegidos, mas não necessariamente felizes.

Pela preservação do Estado Democrático de Direito, pelo fortalecimento da democracia e sob o argumento de preservação da soberania nacional, nos acostumamos nas últimas décadas a ver o Poder Judiciário brasileiro assumindo uma posição de “protagonista” quando olhamos para o Poder Executivo e para o Poder Legislativo. Hoje ministros, desembargadores e juízes ultrapassaram a “zona de conforto” de dentro dos tribunais e hoje decidem pelo Executivo e “legislam” pelo Legislativo!

Não se trata de ser “fato ou fake”, mas de uma constatação! Temos magistrados ultrapassando os limites do “bom senso”, tomando decisões exageradas, monocráticas e extremamente pessoais! Hoje no Brasil, a Justiça se coloca de um jeito para “A” e de outro completamente diferente para “B”. Escândalos como o Mensalão e o Petrolão “mancharam” a já desgastada imagem do nosso País, ao ponto de termos inúmeros “réus confessos”, muito dinheiro devolvido e um presidente da República preso!

Um tempo depois, diante de um novo presidente que “não se alinhava ao Sistema”, para impedir sua reeleição e a continuidade no Poder, eis que o Judiciário anula todas as condenações contra Lula (PT), ele se torna elegível e torna-se presidente da República pelo terceiro mandato. Como um “partido político”, com a mudança de comando no País, o Judiciário “acusou, julgou e condenou” Jair Bolsonaro (PL) e todos que lhe apoiavam lhe impondo a prisão e a perda de seus direitos políticos.

Mas os questionamentos à postura do Poder Judiciário não se resumem a Lula ou a Bolsonaro, mas ao risco à mesma democracia que os magistrados juram dizer defender, pelos precedentes abertos que hoje prejudicam que é de “Direita” ou “conservador”, mas amanhã poderá ter sérias consequências para a “Esquerda”, para sindicatos e movimentos sociais, como também para setores da imprensa. A nossa Constituição Federal, a “Carta Magna”, nunca foi tão desrespeitada, descartada!

Deixaram o “monstro” ganhar musculatura e agora as intransigências parecem sair do controle. Não precisamos ficar apenas na discussão política. Eis os escândalos do rombo bilionário do INSS e do caso do Banco Master! A Polícia Federal, que sempre foi muito respeitada em nosso País, virou um “puxadinho” do governo e do PT, servindo à política e não ao povo! Mas até ela, a PF, desmoralizada, se viu desrespeitada pelo Judiciário, impedida de investigar, de analisar documentos que comprometem autoridades.

Tudo pela preservação de um “esquema” que foi arquitetado dentro das nossas instituições, garantindo um projeto de poder, abusivo e que passa muito distante do que sonhamos com a defesa de soberania e da democracia, com a preservação do tal Estado Democrático de Direito! E o pior: advogados, procuradores, juízes, desembargadores e outras figuras da nossa magistratura estão em silêncio! Muitos estarrecidos, insatisfeitos, mas calados! Até eles temem as Cortes Superiores…

E, lamentavelmente, tudo isso é muito ruim para o futuro da nossa democracia, para o futuro do nosso País! O Judiciário ganhou esse protagonismo após falhas continuadas do Executivo e do Legislativo. E agora a impressão é que todos estão juntos, no “mesmo barco”! O sentimento é de profundo descrédito! Inclusive da imprensa! É uma constatação preocupante, porque não sabemos onde iremos chegar! Mas agora é a magistratura que está “sangrando” graças aos ministros do STF…

Por Habacuque Villaccorte da equipe CinformOnline.

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